Apresentadora abandonou as telinhas para se dedicar ao trabalho voluntário e conta sua experiência em entrevista exclusiva

Quando o assunto é solidariedade, não há mesmo o que discutir: uma das melhores sensações do planeta é poder ajudar ao próximo sem segundas intenções e receber, em troca, somente um sorriso no rosto e o calor no coração.

Mas você teria coragem, hoje, de largar toda uma carreira para se dedicar ao trabalho voluntário?

Pois bem, foi isso que aconteceu com Wanda Grandi. Com uma carreira consolidada na TV, a ex-apresentdora decidiu abandonar tudo e se entregar àquilo que a fazia feliz de verdade: o voluntariado.

Nesta entrevista que ela concedeu à Woo!, Wan (como é chamada) conta um pouco de suas experiências e percepções dessa nova fase de sua vida.

Woo: Como o trabalho social entrou na sua vida?

Wan: Entrou quando eu ainda era muito criança. Minha avó paterna, que também se chama Wanda, é dona de uma clínica no Interior do Nordeste e tínhamos o hábito de fazer sopa e levar para as crianças. A própria cozinhava e me lembro como se fosse hoje a gente entregando as sopas para os pequenos. Sem dúvidas, vovó Wanda é minha maior inspiração. Eu olhava para aquelas crianças e mesmo tão nova queria poder ajudar e fazer mais por elas. Tinha um menininho que fiquei encantada; ele se chamava Elô e meu sonho era trazê-lo para casa. Ver tanta desigualdade social sempre mexia muito comigo. Cresci e carreguei isso no peito; percebi ali como minha alma ficava feliz e completa fazendo trabalho voluntário.

Ao longo desse tempo já visitei crianças no Inca e gostava de ouvir as histórias. Certa vez um menininho chamado Julio me pediu um vídeo game de presente, ele já estava carequinha e sua mãe sem esperanças. Liguei para um amigo de infância e pedi ajuda com o vídeo game. Em menos de dois dias deixamos de presente para o Júlio! Infelizmente ele faleceu logo depois e recebi uma ligação da mãe dele dizendo que apesar de tudo ele tinha sido muito feliz nos seus últimos dias com o vídeo game. Jamais vou me esquecer disso.

Fui me envolvendo cada vez mais e sempre percebi que podia ser uma ponte, uma ponte do bem … uma ponte de amor para ajudar as pessoas que tanto necessitam. Foi ali que tive esse “Insight” . Conheci o Instituto Romão Duarte, também fiz algumas ações por lá e logo depois conheci Jardim Gramacho que hoje roubou meu coração. É imensurável a sensação de levar luz e alegria para os mais necessitados. É algo que me completa e que faz meus dias mais felizes.

Woo: O seu afastamento da TV teve relação com os trabalhos sociais que você faz? Por que a saída foi a melhor solução?

Wan: Na verdade não. Eu fui morar fora e quando voltei comecei a repensar a minha vida. O que realmente queria, o que de fato me fazia feliz! O trabalho social já existia há muito tempo.

Woo: Na sua opinião, qual a responsabilidade dos meios de comunicação quanto a realização de trabalhos sociais?

Wan: Sabendo fazer uso de forma correta, os meios de comunicação tem um papel extremamente importante. Podem inspirar pessoas e influenciar para o lado bom. Muitas pessoas me mandam mensagens, se identificam com a causa e querem ajudar. Percebi que muita gente quer ajudar sim e às vezes não sabe como, por isso você exercer esse papel de influenciar para o bem, para o amor, que é tudo!

Woo: Como você conheceu e se envolveu com o Jardim Gramacho? Fale um pouco sobre os projetos que são desenvolvidos por lá?

Wan: Conheci através de uma amiga que também realiza missão voluntária na Comunidade. Neste dia especifico foi uma missão para mães: foi dada aula de maquiagem para melhorar a autoestima dessas mulheres. Brinco que foi amor à primeira vista. Desde então ajudo sempre que posso. Trouxe investidores para realizar obras para uma nova sede de uma ONG e vou visitá-los pelo menos uma vez por semana.

Woo: Como foi sua passagem pela África? Em um mundo tão desigual, quais aprendizados de lá você acredita que faltam às pessoas?

Wan: Foi mágico, transformador! O maior sonho da minha vida era ir para África, no dia em que cheguei no orfanato vivenciei uma emoção sem tamanho, as crianças se reuniram e cantaram um hino de boas-vindas. Ali pensei: “Obrigada meu Deus!”. Fiquei 8 dias dentro do orfanato, dormindo e acordando com as crianças. Fiquei impressionada como as crianças são educadas e comportadas. Recebi muito amor e carinho e até hoje meu coração dói quando penso nos pequenos. Tem uma palavra que eles usam muito na África chamada “Ubuntu” que representa uma filosofia antiga Africana que significa “Sou quem sou porque somos todos nós ”. E é disso que o MUNDO precisa, ninguém é feliz sozinho, brinca sozinho, é família sozinho. Gente precisa de gente . “EU “ não sou e “nós” somos muitos, mas muito melhores se juntos estivermos. Uma pessoa com Ubuntu tem compaixão com o próximo, tem amor ao seu semelhante independente de raça ou religião. Que sejamos cada vez mais “nós” em nosso dia a dia, seja para ajudar alguém a atravessar a rua, ao segurar as compras, ou simplesmente com um BOM DIA pela manhã. Esse é meu maior aprendizado, você pode fazer a diferença na vida de alguém. A felicidade só é real quando compartilhada.

Woo: Quais outros projetos sociais ou planos você têm em vista?

Wan: Nossa! São muitos ! Por enquanto estou pensando em algumas missões para Jardim Gramacho, uma delas é levar um dentista para cuidar dos dentinhos dos pequenos e promover palestras para eles. Pretendo voltar para África em breve, quero muito conhecer um campo de refugiados, fazer mais cursos de empreendedorismo social… Esses são alguns dos planos.

Este slideshow necessita de JavaScript.