Certo dia, conversava com um amigo sobre música clássica e quão distante ela pode parecer. Chegamos à conclusão (quase óbvia, é verdade) de que, no Brasil, não existe incentivo para que jovens e crianças apreciem música instrumental, especialmente, a erudita (nome péssimo aliás; faz parecer que as músicas que não se enquadram no estilo são ignorantes, rs).

Discordei de alguns pontos, apenas porque, em minha época de criança, desenhos como Pernalonga, Pica-Pau e outros muitos utilizavam o artifício da música clássica para incitar drama, ação e, obviamente, comédia em suas cenas. Além disso, alguns episódios discorrem integralmente sobre a música clássica – ou você desconhece esta cena antológica do Pernalonga?

Também tive o privilégio de crescer em um lar cujos pais gostavam muito de música em geral e também de música erudita. Mas, fica a pergunta: como começar a ouvir música clássica e/ou ópera? Aos ouvidos menos acostumados com o estilo, dedico este texto e algumas considerações. Deixo claro, entretanto, que não me considero grande entendedora do gênero, nem pretendo criar um tratado sobre o tema. A ideia é oferecer, de maneira despretensiosa, dicas e despertar em quem estiver lendo o desejo e a curiosidade de expandir seus horizontes auditivos.

Não tenha preconceito – acabe com o pensamento de que música clássica e ópera são estilos “difíceis” de ouvir e apreciar. Não existe música difícil ou elitista. Deixe a música envolver você, tocar na alma e no coração. Deixe que ela entre pelos seus ouvidos e fique na sua cabeça. Aos poucos você se acostumará e verá características dos compositores, vai querer estudar os estilos e buscar mais e mais.

Tente identificar o que você gostou na música – Foi o som suave dos violinos? A força do trompete? A alma da música impressa no contrabaixo? Foi o lirismo e diversão do piano? Foi a voz linda e aguda da soprano? Identifique o que você gosta e busque similares. O Spotify tem ótimas playlists que podem te ajudar a focar no que você (ou em quem) mais gostar.

Busque as histórias por trás da música – Não apenas as óperas possuem histórias belíssimas para contar (acho até que vale outro post) como também as vidas dos compositores e o momentum que os levou a construir determinada melodia. É de encantar e arrepiar!

Entenda que nem toda música clássica é mesmo clássica – Nem toda a música clássica foi composta no período clássico (segunda metade do século 18), mas é que a especificação “música clássica” é um pouco melhor do que “música erudita”. Na verdade, todo mundo sabe o que é música clássica, embora nem todo mundo escute. E se não for sua praia, tudo bem também. O que seria do azul se todos amassem o amarelo?

Comece pelo básico – Bach, Tchaikowski, Mozart… Nas óperas, Verdi, Puccini, mais Mozart. O Youtube tem playlists maravilhosas, com vídeos, áudios, documentários e explicações. Nada melhor para te motivar a começar!

Para inspirar nessa busca,  um petisco da maior cantora lírica de todos os tempos, a soprano Maria Callas em uma ária bem conhecida, da ópera Gianni Schichi, de Puccini.