Estreou dia 21 de outubro no Espaço da Cia Armazém na Fundição Progresso, na Lapa RJ, a peça “Alguém Acaba de Morrer Lá Fora”, com texto de Jô Bilac e direção de Paulo Verlings.

O espetáculo é uma tragicomédia, destinada ao público adulto “constantemente” massificado, reprimido e condicionado à velocidade e à liquidez dos tempos modernos, as quais não permitem as reflexões necessárias à compreensão dos diversos temas relacionadas ao convívio humano, impossibilitando, portanto, o afeto, a afinidade, o entendimento do e sobre o outro, desencadeando numa luta sem fim entre desconhecidos. É uma crítica à superficialidade das relações humanas.

A história se desenrola em um Café Bar, onde três estranhos, cada um em sua mesa, esperam por seu encontro secreto.  Cláudio é um homem solteiro, em busca do amor que espera uma mulher com uma rosa na mão. Laura, misteriosa e voluntariosa, espera acertar as contas com alguém que está para chegar. Já Marcela é uma jovem professora de inglês, insatisfeita com a vida que leva, esperando a sua irmã, com quem divide um conjugado no centro da cidade. Dodô, um garçom muito mal-humorado e atrevido que trabalha no Café Bar também faz parte da trama junto com a Morte, personagem presente que em cada rodada elege um vencedor para a sua implacável sentença.

Na rua, próximo ao Café, acontece um acidente e todos começam a indagar quem terá sido a vítima. Eis que surge a pergunta: quanto vale uma vida? A essa pergunta são condicionadas três possibilidades para o acidente. Três possíveis vítimas. Três possíveis fatos. É no desenrolar dessas suposições que vamos nos aprofundando nos personagens, em suas tramas individuais, em suas vontades enquanto seres cheios de vida. E é justamente ao se depararem com a morte, que eles percebem como suas vidas são banais e vazias.

A trama de Bilac envolve temas como a lei da atração e do imprevisto, a superficialidade, o acaso, o encontro, a sorte, o destino, o imprevisto, a violência nas relações humanas, a disputa de classes.

Por Bruna Tinoco

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