Quem nunca assistiu sequer um desenho do “Pica-Pau” não sabe o verdadeiro significado de “trolar” alguém. Antes da internet pensar em existir, com seus memes e brincadeiras sem noção, o personagem já divertia as crianças e adultos com tiradas que nos faziam chorar de tanto rir.

Criado em 1940 pelo americano Walt Lantz, um ilustrador e artista de storyboard, o pássaro carregava um aspecto meio louco, mas isso não o impediu de ser um sucesso nos Estados Unidos. A aparência anti-social do personagem, tida por muitos como algo meio grotesco, aos poucos, foi ganhando um visual menos carregado, agradável e, por assim dizer, refinado, o que o fez angariar ainda mais fãs e virar uma febre ao redor do globo e um fenômeno em terras brasileiras.

“The Woody Woodpecker”, como é conhecido originalmente, foi produzido pelo próprio Lantz que trabalhou em seus curtas metragens até fechar seu estúdio, em 1972. Antes disso, o “Pica-Pau” foi visto também em um programa que misturava animação com imagens do próprio criador, em uma espécie de interação entre os dois. O The Woody Woodpecker Show” até hoje é reprisado por algumas emissoras de TV.

Depois que Walt Lantz encerrou as atividades de seu estúdio, seu precioso personagem não perdeu as forças tão rapidamente, chegando a ser reprisado inúmeras vezes por dia em alguns canais pelo mundo afora. Entretanto, foram necessários 27 anos para o programa voltar a ser produzido. A série “The New Woody Woodpecker Show” (“O Novo Pica-Pau”) foi desenvolvida pela Universal Animation Studios entre 1999 e 2002, porém não focava somente no travesso personagem, mas também no pinguim antropomórfico “Picolino” e na simpática e esperta “Winnie Pica-Pau”. Com o tempo, a série foi perdendo o gás, o roteiro foi ficando frouxo e a estrutura da narrativa já não era mais a mesma. Sem falar da identidade do próprio personagem que não tinha mais as mesmas características, o que ajudou a gerar uma queda considerável de audiência que levou ao cancelamento da mesma.

Mas para quem se sentiu órfão de uma das animações mais clássicas que já existiu, a grande novidade é que The Woody Woodpecker” está de volta, todo reformulado, nas telonas do cinema. O filme, produzido especialmente para o mercado brasileiro, tido como um dos maiores consumidores dos desenhos do icônico personagem, estreia em outubro com uma produção que mescla live action e tecnologia CGI.

Dirigido por Alex Zamm, responsável por “Os Batutinhas: Uma Nova Aventura”, a obra traz a atriz brasileira Thaila Ayala e Timothy Omundson (“Supernatural”) como o casal Brittany e Lance Walters. São eles que irão sofrer com o joguete do pássaro que faz de tudo para defender seu território quando percebe que eles querem derrubar seu lar para construirem uma mansão.

Se depender dos brasileiros e os outros fãs do desenho, o filme já é um sucesso. Só esperamos que os roteiristas Alex Zamm e William Robertson não deturpem a história de um clássico que tem tudo para se tornar uma franquia valiosa.