Em 2014, o time de Montreal da Ubisoft lançava o RPG bidimensional “Child of Light”: game que contava a jornada de Aurora, filha do duque da Áustria, que acorda no reino mágico de Lemúria, tentando voltar para casa. Com a ajuda de novos amigos e de poderes que adquire, ela enfrenta criaturas mágicas e deve resgatar o sol, a lua e as estrelas, sequestradas pela Rainha da Noite.

Podendo parecer, a primeira vista, direcionado ao público infantil, CoL na verdade pode ser apreciado por gamers de qualquer idade, principalmente fãs de RPG’s com batalhas em turnos. O brilhante sistema de combate, que pode ser jogado tão bem individualmente quanto em dupla, consegue ser desafiante sem ser simples ou brutal demais. É capaz de satisfazer veteranos e novatos.

Os diversos companheiros que Aurora encontra ao longo de sua aventura podem contribuir nas lutas usando diferentes poderes. Isto possibilita a adoção de diversas estratégias, que serão necessárias para enfrentar a grande diversidade de criaturas hostis com diferentes pontos fracos. Há também um sistema simples de equipamentos que podem ser utilizados como o jogador preferir.

No entanto, o game destaca-se por sua arte: estética única, narrativa e uma tocante trilha sonora.

E a parte gráfica é, afinal, o maior trunfo do jogo. Personagens e fundos pintados em aquarela, cumprindo o objetivo da direção criativa do jogo: a sensação de estarmos jogando dentro de um quadro vivo que retrata um sonho. Houve um esforço conjunto da equipe que precisou criar, de diferentes mãos, um visual coeso.

Toda a história é narrada na forma de poemas (com uma excelente adaptação e dublagem em Português brasileiro), reforçando o clima de conto de fadas, que flui naturalmente, sem ficar caricato ou Disney demais. As histórias de Aurora e de seus companheiros são bem construídas, o bastante para que nos importemos com cada um deles e seus objetivos individuais.

A trilha sonora, assinada pela canadense Cœur de Pirate, conversa com os diferentes momentos do jogo. Nas partes de desenvolvimento da história e exploração, ouvimos faixas minimalistas e conduzidas principalmente pelo piano. Em contrapartida, há o som orquestral nas intensas e épicas cenas de batalha do jogo. A música ajuda a construir o sentimento de nostalgia e aventura, somados à arte gráfica e narrativa que levam o jogador numa viagem emocional, sem deixar de ser tão videogame quanto qualquer lançamento mais conhecido.

Com tantos acertos, o título foi sucesso de crítica na época de seu lançamento, sendo hoje imperdível para quem ainda não jogou. Combinando RPG clássico aos impecáveis elementos audiovisuais, CoL prova mais uma vez que videogames são uma forma de arte com toda sua capacidade de divertir e comover. Aurora não é a típica princesa das ficções, e seu crescimento nos mostra uma personagem de forças e fraquezas que foge do batido estereótipo gamer da donzela indefesa.

Child of Light encontra-se disponível para PC, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One e WiiU.

A trilha sonora pode ser ouvida em streaming via Spotify e Deezer.

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