Reinventando-se entre sonhos e batalhas

por Daniel Gravelli

Simpática e bem humorada Grazy Bastos já até teve seu lugar ao sol com o sucesso da dupla “Dolls”, qual dividia a cena com sua irmã Jéssica Bastos, mas devido a diferentes reviravoltas da vida, precisou continuar batalhando para garantir seu espaço e poder provar que seu talento não se encontrava apenas em um trabalho.

Em 1999 já começava a se sentir atraída pelo mundo da arte ao entrar em um curso de dança moderna e Jazz, na Escola de Dança Beth Boop. Filha de um ator e uma artista plástica, tudo já indicava que seu caminho estava traçado dentro desse meio, mas foi preciso muita entrega e energia positiva para se garantir em cada trabalho.

Em 2002, ano que marcou o seu início na carreira, Grazy Bastos passou a se dedicar ainda mais, buscando desenvolver suas capacidades e realizar cada um dos sonhos que sempre teve. Incentivada pelos pais, decidiu entrar de cabeça nesse mundo se entregando, inicialmente, ao teatro, o qual expandiu suas habilidades artísticas e revelou diversas outras possibilidades. Participou de um curso profissionalizante de Modelo e Manequim pela Sociedade Propaganda das Belas Artes/Liceu de Artes e Ofícios e formou pela “Le Monde de teatro profissionalizante” no teatro Villa-Lobos, escola que a levou participar da peça “O Caos”, dirigida por Hilton Castro, que abordava uma reflexão politica no Brasil.

Um ano depois, além de fazer parte da esquete “Comic Tragic” de Adriano Melo, dedicou-se a outro curso, dessa vez o de técnica vocal Hilton Prado, o necessário para faze-la descobrir uma paixão ainda maior pela música, levando-a ingressar na Escola de música Villa- Lobos em busca de mais conhecimento.

Depois de muito estudo, junto a sua irmã, as duas conseguiram desenvolver o trabalho do jeito que queriam e, em 2009, foram descobertas pelo cantor Latino que as apresentou de uma vez por todas para o mercado. Assim, fecharam um acordo com a Warner Music e lançaram, no mesmo ano, o primeiro CD, que disparou nas rádio com a música “Chicletinho” que entrou para trilha sonora de Malhação (como tema da personagem Norma Jean, vivido pela atriz Jessica Alves). Além da música, Grazy também chegou a participar como atriz do folhetim.

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O sucesso, embora parecesse repentino, foi merecido e elas começaram a ser convidadas para diferentes programas de televisão, incluindo o da Hebe, Vídeo Show e o Domingo Legal, possibilidades que as levaram mostrar um pouco mais do repertório, dentro desse a música “Sou Maluca” que foi escolhida para fazer parte de outra novela, dessa vez na Record, tema de Barbara Borges, em “Bela, A feia”.

Depois de vários shows por todo o Brasil, realizou também diferentes trabalhos como modelo e atriz, tendo participado de campanhas para algumas marcas de roupa e, em 2011, chegou a apresentar o programa: Guia Alternativo, dirigido por Alex Gomes.

De lá pra cá participou do videoclipe do rapper internacional “Amir B” e do longa “Bom dia Rio de Janeiro” de Ed Lopes. Em 2014, foi selecionada para peça “Entre o céu e o inferno”, integrando parte do processo de montagem, mas devido a conflito de agendas e ao desenvolvimento de seu trabalho como cantora solo, precisou se desligar do projeto.

Embora, ultimamente, ainda esteja envolvida com a dupla “Dolls”, Grazy Bastos se dedica a dança de salão e ao seu novo projeto solo, planejando lançar em breve seu primeiro EP.

A Pulp! dessa semana vai conhecer e revelar um pouco mais sobre a vida dessa artista multitarefa e o que ela vem planejando profissionalmente para esse ano e os próximos.

PULP! – Você é filha de um ator. O quanto isso influenciou para você seguir nessa carreira?

GRAZI BASTOS – Quando pequena, minha irmã e eu assistíamos nosso pai fazendo participações em novelas como “Araponga”, “Rainha da Sucata” e “Barriga de Aluguel” na Globo. Adorávamos, e talvez esse orgulho e admiração tenha influenciado sim. Sou fã da dramaturgia.

P! – Você estreou em uma peça bastante comentada na época (O Caos, dirigida por Hilton Castro), por abordar alguns temas polêmicos. Como foi começar em um projeto assim?

GB – Foi incrível e um grande desafio! Me enobreceu como atriz e como ser humano.

P! – Sua vida vem sendo marcada por estudos contínuos, sempre que pode você está fazendo um curso, algo que muitos atores (ou artistas, para abranger um pouco mais), acham desnecessário. Quais bases e/ou outros degraus esses estudos lhe proporcionaram? O que seria da Grazy sem eles?

GB – Acho necessário se reciclar. A gente se redescobre, reinventa, cresce como profissional. Sempre busco conhecimento, atualmente estou fazendo curso de dublagem.

P! – Como surgiu a chance da Dolls?

GB – Minha irmã e eu já cantávamos desde 2003. Sempre fazendo aulas de canto e apresentações em barzinhos e festas. Até que em 2007 o cantor e amigo Latino, qual já havia trabalhado junto como bailarina, nos apresentou para o Produtor Cuca (renomado produtor musical de São Paulo), e demos início a um projeto que nos rendeu um contrato com a gravadora Warner Music, músicas em trilha de novelas, shows e a solidificação de uma carreira.

P! – Na época, vocês estouraram com duas músicas e se viram no meio de um mundo um pouco diferente de tudo o que viveram anteriormente. Como foi essa adaptação e ascensão? Quais foram as facilidades que encontraram e as dificuldades impostas?

GB – Foi uma grande experiência! Tivemos que amadurecer rapidamente e aprender a lhe dar com o ego. Às vezes, o assédio e a exposição mexe com a nossa cabeça. Ter pé no chão, uma equipe e principalmente família, amigos e fãs verdadeiros faz toda diferença para não se perder no caminho.

P! – Uma das músicas que lançaram (Algo Mais), vocês fizeram uma parceria com o Thiaguinho. Como surgiu esse interesse?

GB – Na época, a gravadora deu a ideia de uma participação de um cantor no nosso CD. Nosso produtor, Cuca, sugeriu o Thiaguinho, falou com ele e ele topou na hora. Ele é um artista, cantor e ser humano incrível.

P! – Embora a dupla esteja parada no momento, você continuou com a música e está seguindo uma carreira solo no momento. Fale um pouco mais sobre isso e o novo EP que está para sair?

GB – Não sei viver sem respirar arte! Só sei fazer isso (rs rs rs). Ainda estou em estúdio, mas garanto que será uma surpresa para todos, inclusive para mim!

P! – Além de atriz e cantora, você também é modelo e dançarina. Como arruma tempo para tudo? E qual você definiria como sua profissão principal, aquela que mais chama sua atenção?

GB – Atualmente exerço mais a carreira de cantora, mas dançar, atuar e modelar fazem parte da minha vida. Outro trabalho que gosto muito é a dublagem, recentemente fiz uma pequena participação dublando para série “Girls” que passa na HBO.

P – Um dos estilos que você dança é o Zouk, que sei que você gosta bastante. Você possui algum projeto envolvendo o ritmo?

GB – Sim! Recentemente gravei uma canção em parceria com o cantor de ZOUK Paulo Mac e também com a banda ZOUK MOi.

P! – Além do EP, quais são suas expectativas e projetos em 2016?

GB – Estou me preparando para gravar o piloto de um programa, mas ainda não posso falar muito os detalhes desse projeto. E espero trabalhar bastante, principalmente na aérea da música e da dramaturgia.