Antes mesmo de estrear, “Punho de Ferro”, do Netflix, sofreu com uma enxurrada de críticas negativas. Com a liberação da série ao público na última sexta-feira, 17 de março, os espectadores puderam fazer suas próprias análises sobre os episódios que iam além dos seis exibidos à mídia especializada. Em um total de treze episódios que concluem a primeira temporada.

Algo importante a respeito da crítica sobre qualquer obra, seja um filme, uma música, um jogo, etc, é que as noções de “bom” e “ruim” são altamente subjetivas. Mesmo que o trabalho de crítica seja feito por um(a) profissional no assunto, sua visão do que é esteticamente belo ou tecnicamente perfeito é formado através de experiências próprias.

Devemos então ignorar as críticas?

Não. Definitivamente não. A crítica pode trazer à luz, muitas visões interessantes sobre determinada produção, o que muitas vezes melhora o nível daquele entretenimento quando lidas. No entanto, o que deve-se evitar é ser completamente levado pelas críticas negativas, o que pode acabar nos transformando em simples reprodutores de opiniões genéricas. Formar sua própria opinião é algo essencial, e ler críticas só contribui para isso.

Ocorre que “Punho de Ferro”, mesmo depois de ser lançado, continua sofrendo com o constante aumento de haters, muitos dos quais, não assistiram a série até o final ou que nem se deram ao trabalho de começar à assistir.

Para te ajudar a pensar melhor se deve ou não assistir a série, a Woo! Magazine fez uma maratona e traz agora para você as impressões da primeira temporada da série sobre o último defensor a chegar ao Netflix.

A série “Punho de Ferro” veio introduzir o herói ao universo criado pela Marvel em parceria com a Netflix que já conta com Jessica Jones, Demolidor e Luke Cage, e que juntos formarão a equipe conhecida como “Defensores”.

Defensores“, em breve, contará com uma série própria que já passou pelo processo de filmagem e, seu lançamento, está previsto para setembro. Sua proposta é juntar os quatro heróis urbanos que, com a série “Punho de Ferro”, já contam com suas séries solo.

Entender a “natureza urbana” da futura série ajuda a compreender melhor as intenções da produção ao explorar a releitura do herói que é muito mais focada no conflito psicológico vivido por Danny Rand (Finn Jones), do que no misticismo característico do Punho de Ferro, nos quadrinhos. Depois ter sido considerado morto e ter sumido por 15 anos, Danny chega a Nova York com o objetivo de reencontrar o que restou de sua família, formada pelo amigo mais próximo de seu pai: Harold Meachum e os dois filhos: Ward e Joy Meachum.

Com o passar dos episódios, percebemos que Danny fugiu da cidade mística K’un-lun onde havia aceitado a responsabilidade de ser o guardião da passagem que leva até ela. Este ponto é importante, pois ser o guardião de K’un-Lun seria única razão para ele ter recebido as dádiva do Punho de Ferro – um título que passa através das gerações de guerreiros mais poderosos da cidade dos imortais e que concede ao seu detentor(a) uma gama de habilidades, entre elas a capacidade de canalizar o chi (energia) nos punhos que possibilitam golpes extremamente poderosos.

Sendo assim, Danny abandonou sua função mística para reencontrar sua família e, com isso, também abandonou o resto de seu treinamento como Punho de Ferro. Na primeira temporada, vemos então um herói sem motivações heroicas, sem o poder original do Punho de Ferro dos quadrinhos e com a necessidade de resolver pendências ligados à morte de seus pais. O grande problema é: Tudo isso só pode ser entendido melhor da metade para o final da primeira temporada e ainda sim, não é algo construído de forma convincente.

Em uma cidade em que grupos mafiosos controlam tudo, Danny acaba sendo retratado como um personagem inocente demais, que consegue colocar em risco todas as pessoas que encontra no caminho.

A série conta com personagens já conhecidos por aqueles que assistiram “Luke Cage”, “Jessica Jones” e “Demolidor”, como a advogada durona Jeryn Hogarth (Carrie-Anne Moss – A Trinity de “Matrix”), a misteriosa Madame Gao e a enfermeira Claire Temple, uma das personagens mais sãs e realistas do universo Marvel no Netflix e que parece sempre ter que lidar com as pessoas mais excêntricas de Nova York. Temos novos personagens interessantes como a professora de artes marciais Colleen Wing, a empresária Joy Meachum e seu irmão Ward Meachum –  Ward que é facilmente um dos personagens mais complexos da série – ambos são amigos de infância de Danny.

Devido ao grande número de personagens femininas e marcantes, “Punho de Ferro”, acaba sendo agradável para quem está cansado(a) da costumeira representação das mulheres no cinema e na televisão. Na série, elas tendem a ser a voz da razão e são responsáveis por tirar Danny Rand das piores enrascadas.

Para muitos,“Punho de Ferro” realmente vai deixar a desejar, mas, é sempre importante que formemos a nossa própria opinião, e deixemos qualquer tipo de pré-conceito de lado.

Com certeza, vale a pena assistir a série. Ela pode não ser a melhor produção do Netflix dos últimos tempos, mas traz um conteúdo capaz de entreter e que constrói caminho para a equipe dos “Defensores”.

Por Raoni Vidal