Gustav Klimt é um dos pintores mais famosos do mundo, mesmo morto há um século. Sua arte, originária do movimento Art Nouveau na virada do século 20, com suas características estéticas bem delineadas, passou por uma fase batizada de “Golden Phase” (em português: Fase Dourada), entre 1899 e 1910. O erotismo representado no meio de muito ouro deixava claro que Klimt era inovador. Apesar de viver uma vida com pouco (ou quase nenhum) luxo, o austríaco usava folhas de ouro para finalizar suas obras. A pintura e o corpo da mulher eram suas duas maiores paixões, e é possível visualizar essa combinação ao longo de seu vasto e importante trabalho deixado para as gerações futuras.

Ele também foi o líder do movimento da Secessão de Viena, onde um grupo de artistas passou a contestar os tradicionais padrões estéticos e artísticos da época. O simbolismo de Klimt, no entanto, permanece atemporal.

E uma bela prova disso é que o famoso pintor austríaco teve suas obras homenageadas de uma forma um tanto quanto interessante, por uma artista conterrânea: Inge Prader. A fotógrafa austríaca de 61 anos selecionou obras primas da Fase Dourada de Klimt para recriar, usando modelos vivos. Em sua grande maioria, os modelos estão nus, pintados de dourado ou entrelaçados com ornamentos de ouro, trazendo vivacidade e uma semelhança impressionante com as obras originais.

O trabalho de Prader foi criado para o 23º Life Ball Charity Event de 2015. O evento, que acontece anualmente em Viena, na Áustria, é responsável por arrecadar fundos para ajudar a combater a AIDS/HIV.

Transformando pinturas bidimensionais em arte viva é um trabalho realmente árduo e Prader o fez com maestria. A fotógrafa explica que foi necessário um time de mais de 50 pessoas para dar vida ao projeto, entre maquiadores, estilistas, cenógrafos, iluminadores especialistas e muitos outros, além dos 83 modelos usados para recriar os quadros de Klimt.

O trabalho de Klimt é impossível de ser confundido, e ainda que suas pinturas em tela pareçam sagradas e perfeitas, dar vida ao que encontra-se preso em molduras traz um resultado, no mínimo, intrigante. Prader consegue deixar as obras do austríaco ainda mais sedutoras, pulsantes e charmosas quando as recria em carne e osso. Mas não peca, em uma foto sequer, distanciando-se da proposta icônica, alegórica e profunda de Klimt. Os detalhes, as imperfeições, os possíveis desconfortos e a mágica que somente ele poderia traduzir com seu pincel e tinta, foram – inacreditavelmente – seguidos à risca.

Um dos mais famosos quadros de Klimt, Death and Life, originalmente pintado entre os anos 1908 e 1910, e à direita, recriado em 2015 pela fotógrafa Inge Prader

Medicine, outra obra prima de Klimt, foi a segunda das pinturas de teto da Universidade de Viena, apresentada na 10ª Exposição da Secessão. Figura de Hygeia, a filha mitológica do deus da medicina é mostrada na parte inferior da pintura. Klimt transmitiu uma ambígua unidade de vida e morte.

Detalhe de Medicine, obra original de Gustav Klimt, criada entre os anos 1900-1907

Em 1911, a obra finalmente entrou na posse de uma família judaica, e em 1938 a pintura foi apreendida pela Alemanha. Em 1943, depois de uma exposição final, foram transferidos para Schloss Immendorf, um castelo na Baixa Áustria, para proteção. Em maio de 1945, as pinturas foram destruídas quando as forças de SS alemãs, em retirada, incendiaram o castelo para evitar que ele caísse nas mãos de inimigos. Tudo o que resta agora são esboços preparatórios e algumas fotografias. Apenas uma fotografia permanece da pintura completa de Medicine, tomada logo antes de ser destruída. Ainda assim, Prader parece fazer jus ao quadro, recriando-o de forma esplêndida.

Recriação do quadro Medicine, por Inge Prader

Beethoven Frieze (O Friso de Beethoven) foi outra obra pintada direto nas instalações de outra Exposição de Secessão, em Viena. Após a exibição, foi preservada e atualmente pode ser visitada no Vienna Secession Building, num quarto especialmente criado e climatizado para garantir a preservação da obra.

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É possível encontrar mais informações sobre a fotógrafa em seu portfolio oficial, além do trabalho completo com as obras de Klimt. Mas, para encerrar a matéria aqui na Woo, mais uma das recriações do pintor, na mesma obra acima, mas em outro detalhe agora.

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