Todo mundo conhece alguém que já enfrentou um constrangimento de chegar, todo empolgado, em um estabelecimento, querendo efetuar uma determinada compra ou empréstimo e, de repente: “Infelizmente, senhor(a), o seu crédito foi negado!”. O que fazer nesse momento?! Olhar para os lados e sorrir de canto de boca enquanto os demais clientes te analisam de cima abaixo como se aquilo nunca fosse acontecer com eles ou discutir com o funcionário para esse tentar uma segunda vez?! Independente da escolha, no fundo você vai acabar sentindo-se um pouco mal com isso tudo. Estamos acostumados a ver cenas como essas em filmes, peças de teatro, vídeos da internet e, em alguns casos, acontecendo com amigos ou até mesmo com alguns familiares. Mas, se acontecer com a gente, com certeza, enxergaremos a situação com outros olhos.

A verdade é que muita gente acaba mesmo tropeçando em seu financeiro, não dando conta de resolver tudo da melhor forma, principalmente devido ao estresse do dia a dia e dificuldades em encontrar opções de trabalho que condizem com suas qualificações. E isso torna-se um fator determinante na hora de conseguir crédito em algum lugar. Todavia, em alguns casos, o crédito chega a ser vetado mesmo quando alguém está tentando começar a vida, sem mesmo possuir nenhum “antecedente” de dívida ou complicações na praça.

Quem não conhece muito o sistema, nesse momento, deve estar se perguntando o porquê de alguém impedir o crédito de uma pessoa sem problemas com o mercado. – Acontece que o nosso sistema de análise de crédito pode ser até funcional em muitos casos, mas já se tornou obsoleto e precisa urgente passar por uma reformulação. Até então, através de um rigoroso “Raio X”, as empresas pesquisavam além do RG, CPF, telefone e comprovante de residência para saber se tudo o que o cliente disse é verdade e se ele não possui nenhum dívida em outros lugares. Para quem nunca soube, depois disso eles ainda utilizam um verdadeiro pente fino em outras três etapas decisórias: “Referências” que possam garantir sua idoneidade; o “Score”, que são instituições que trabalham a pontuação do crédito de cada um a partir da sua idade, estado civil, local onde reside, criando uma estatística que mostra se esse é ou não propenso a ficar inadimplente no futuro; e a “Renda” justificada por meio de comprovantes que revelam o valor de seus ganhos mensais. Esse último ponto possui um fator interessante pois, de acordo com informações do jornal “O Estado de S. Paulo”, a instituição avalia o valor da parcela em relação ao salário e não aprova se essa ultrapassar 30% do mesmo.

Por motivos como esse, durante anos, a carta de crédito de muitas pessoas foram impedidas, possibilitando assim a chegada de determinados recursos somente a um grupo específico da população. Seria esse então o momento certo de reavaliar o uso das informações, uma vez que o mercado vem mudando assustadoramente?! De acordo com muitos empresários e investidores, sim! Essa é uma discussão que vem ganhando bastante espaço devido aos passos lentos em que a concessão de crédito vem caminhando no momento, acumulando uma retração de 3, 4% ao ano. Com isso, critérios mais subjetivos estão sendo adotados para favorecer o público de baixa renda na hora de conseguir o crédito. De acordo com Eduardo Tambellini, da empresa de gestão de risco GoOn, o desafio é dar um crédito mais seguro com menor inadimplência possível. E, para isso, eles passam a ir atrás daquilo que você usa mais ultimamente: A internet!xconsultorio-em-redes-sociais-jpg-pagespeed-ic-vw-fp0dgqgO novo método da análise de crédito passa a operar em outras vertentes, ampliando as possibilidades, para decidir o perfil certo de clientes para determinadas empresas. Sucesso já há alguns anos em diversos setores de países da América do norte e Europa, incluindo na hora de escolher o funcionário para determinada vaga, a inspeção das redes sociais começa a dar os primeiros passos no Brasil e tem tudo para funcionar muito bem por aqui, uma vez que somos considerados o sétimo país emergente no ranking de uso da internet de acordo com a pesquisa realizada pela Pew Research Center (PRC), um think tank localizado nos Estados Unidos.

Tudo funciona a partir de uma investigação profunda nas redes sociais (Facebook, Youtube, Instagram, Linkedin e outros), lugar onde as pessoas esqueceram que estão sendo vistas e passaram a “hospedar” a vida de forma liberal. A partir daí, indícios do tipo de celular usado, lugares que frequenta e estilo de vida em geral, contarão como pontuação na hora de definir a índole do cliente.

Em solo brasileiro, os primeiros testes já começaram a serem realizados pelas chamadas Fintechs, startups que desenvolvem trabalhos de tecnologia e serviços financeiros. Muitas vezes, essas empresas oferecem produtos mais baratos do que os bancos e buscam sempre inovar o mercado com soluções rápidas e plausíveis. – O novo método não só promete estender as possibilidades, como também facilitar a autenticidade dos dados (algo que chegava a demorar horas em algumas empresas), deixando tudo melhor também para o próprio cliente, que passa a fazer parte de um índice de 30% de aprovação, contra os 15% de antigamente.

Nesse primeiro momento apenas profissionais autônomos, solteiros, ou quem não consiga comprovar a união, e empresários com problemas na empresa que sofrem resistência dos bancos, são os perfis beneficiados. A ideia é que em pouco tempo outras pessoas possam aproveitar desse novo recurso que, de acordo com Karin Thies, sócia-fundadora da Fintech Geru, deve ajudar inclusive a prevenir crimes de estelionato.

Mas podem ficar tranquilos, parece que nada será investigado sem a prévia autorização do cliente e que nenhum fator será levado em consideração de forma isolada. –  Sera?! – O melhor mesmo é ficar atento as redes sociais a partir de agora e passar a utiliza-las de forma correta. Sendo assim, não saia postando qualquer coisa por aí, isso pode ser importante na hora que você realmente precisar. E, só para lembrar, muitas empresas no Brasil já estão deixando os currículos recebidos de lado para analisarem sua conversa e fotos no Facebook e Instagram, para conhece-lo melhor e saberem se o que leram antes é realmente verdade.

E aí, você ainda acha que pode continuar mentindo com a mesma facilidade de antes?! Pense de novo.

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