Muitas pessoas imaginam que fazer intercâmbio requer que se abandone estudos, trabalho, família, relacionamentos, tudo, para passar meses no exterior. Mas não precisa ser assim. Como falamos na última matéria, existem diversas opções para quem deseja vivenciar essa experiência. E uma das mais procuradas são os cursos de idiomas que possuem um período de curta duração, mínimo de duas semanas. Segundo a Pesquisa Selo Belta 2017, fazer um curso para aprender uma segunda língua é o principal objetivo dos brasileiros. Entre os que já realizaram o intercâmbio, 39,2% estudaram uma segunda língua no exterior, principalmente o inglês (88,5%) e o espanhol (6%).

Como a maioria dos entrevistados estava em busca de falar fluentemente o inglês, os destinos mais procurados são países que têm esse idioma como língua nativa. No topo da lista estão Canadá, EUA, Irlanda, Austrália e Inglaterra. Apesar de algumas semanas serem poucas se compararmos aos meses que muitos aproveitam para ficar fora, elas são suficientes. Além disso, também são ideais para aquelas pessoas que podem apenas aproveitar os seus 30 dias de férias e não querem deixar de lado o sonho de viajar para um lugar que vai proporcionar experiências únicas. Esse é o caso da jornalista e bancária Isabela Reis de 23 anos. Ela tinha o sonho de visitar Londres e ser fluente em inglês, mas só poderia fazer isso durante suas férias do trabalho, ela correu atrás e conseguiu viver um momento único.

Isabela sempre quis conhecer a Inglaterra, desde pequena tinha esse sonho e tudo isso por causa de uma professora de inglês que teve quando pequena.

“Eu escolhi Londres porque desde pequena eu sempre fui apaixonada pela Inglaterra. Quando era pequena o primeiro inglês que aprendi foi britânico com uma professora particular e ela falava sobre a experiência e fui pegando essa paixão principalmente pela cultura, povo, história.”

A princípio ela queria visitar o país ainda na adolescência, mas seus pais não permitiram por causa da pouca idade. O tempo passou e ela não desistiu, com 18 anos ingressou na faculdade e pouco depois começou a trabalhar e desde então ela começou a juntar dinheiro para conseguir fazer a tão esperada viagem. Com a chegada da formatura ela decidiu começar a pesquisar agências voltadas para intercâmbio, pois como presente de formatura ela resolveu dar a si mesma 2 semanas em Londres.

A busca pelas agências começou em fevereiro, ficou em dúvida entre três, mas algo foi essencial para a escolha.

“O que pesou foi o atendimento. A moça que me atendeu viu tudo, passagem, república… E desde fevereiro, quando fui lá a primeira vez, a gente manteve contato, ela foi mega prestativa, sempre mandava preço das passagens quando caía ou aumentava, valor do câmbio.”

Estar em contato com alguém que tira todas as sua dúvidas e dá várias dicas faz toda a diferença. No caso da Isabela isso ajudou e muito. Além de esclarecer tudo antes de viajar, a funcionária da agência também indicou aplicativos que pudessem ajudar a jornalista a se encontrar em Londres e também saber tudo de interessante que estaria acontecendo no período em que ela estivesse lá.

Após meses de pesquisas e buscas, contratar uma agência para resolver tudo, tirar todas as dúvidas, só restava esperar o grande dia e a ansiedade de Isa era tão grande que semanas antes ela já havia arrumado sua mala. Ao chegar em Londres ela ficou hospedada em uma república com pessoas de todas as partes do mundo, mas como passava o dia inteiro na rua, no curso ou conhecendo a cidade, pouco teve contato com seus colegas de casa. Já com os estudantes do curso a sintonia foi maior. Ela saía com eles para todos os cantos, fez um tour por pubs, conheceu os pontos turísticos, foi às compras, tudo com eles. E foi um choque cultural muito interessante, pois havia pessoas de diferentes nacionalidades, como espanhóis e asiáticos de Taiwan, Coreia do Sul e Japão. Um dos lugares que a bancária visitou foi o bairro asiático Chinatown e foi levada pelos colegas naturais de países orientais a um restaurante chinês. A comida era diferente, o forma de se servirem, os costumes. Além de conhecer Londres ela acabou conhecendo um pouquinho da cultura de cada país representada pelas pessoas que a cercavam.

Sobre a estrutura da cidade e o povo britânico a jornalista não tem do reclamar. Nos pontos de ônibus havia uma ferramenta digital que mostrava o horário de chegada de cada veículo e a fama condiz com a realidade, os ingleses são mesmo pontuais. Isabela também andou de metrô no percurso da república até o curso e sentiu uma grande diferença para o transporte na sua cidade, o Rio de Janeiro. Mas mesmo quase se perdendo, ela foi muito bem ajudada habitantes de lá. Logo no primeiro dia, ela encontrou dificuldades de chegar a plataforma certa e ao perguntar para um senhor que estava próxima dela, surpreendeu-se.

“Ele me levou até a plataforma que era para a minha estação e nem era funcionário. O povo britânico é super amoroso, super mãezona com quem não é de lá. Eles percebem que você não tem a fluência deles e por isso param, te escutam, são pacientes, explicam tudo o que você precisa.”

Fazer intercâmbio é um sonho que pode se tornar realidade se a pessoa estiver disposta a economizar, pesquisar com calma e se comprometer a se dedicar no período em que estiver vivendo isso. Segundo Isabela, de nada adianta fazer o curso e praticar em sala de aula se a pessoa não aproveita todo ambiente fora da escola para aprender ainda mais o idioma.

“O segredo para você ter um bom desempenho no curso e melhorar é se arriscar. Tenta interagir em inglês, não tenha vergonha, tem que chegar, puxar assunto, fazer amizade. Muito mais do que a aula a pessoa tem que praticar.”

Isso mostra que não basta apenas ir, tem que viver de verdade. Planeje tudo com antecedência e aproveite suas férias para ficar pelo menos duas semanas fora e e aprender muito com essa experiência.