Nota: Antes de ler este texto, você pode querer ler o recap do episódio anterior, “A Fruitful Partnership”.

“Silver Smile” já tem no seu título uma referência direta ao fim do capítulo anterior, quando John Moore vai até o Paresis Hall, bordel onde Giorgio Santorelli trabalhava, é drogado e encurralado por seus proprietários. Minutos antes, ele interrogava Sally, colega de Giorgio, e descobre que a vítima tinha um cliente fixo com um “sorriso prateado” (“silver smile”, em português).

Em sua primeira cena, o terceiro episódio nos dá uma possível identidade para o tal cliente – e também para o assassino. Vemos um casal da alta sociedade, identificados como Sr. e Sra. Van Berger, serem visitados por um antigo agente da polícia, Thomas Byrnes (Ted Levine). Ele os alerta sobre a morte de Giorgio, e que a investigação está sendo realizada por uma equipe de fora da polícia.

O casal então questiona se aquilo teria a ver com Willem – dentro do contexto, parece se tratar do filho dos dois. Byrnes comenta que Willem era frequentador do Paresis Hall, e muito próximo a Giorgio. A conversa não agrada os Van Berger, mas Byrnes deixa claro que sua intenção era alertá-los sobre problemas futuros.

Do encontro com os Van Berger, Byrnes se reúne com Connor e Paul Kelly. Na conversa, fica claro que não é a primeira vez que Willem causa problemas, mas Byrnes garante que a família foi alertada e aquilo não vai se repetir. Então Byrnes cita John, e pelos comentários de Kelly e Connor, fica óbvio que o ilustrador foi estuprado enquanto estava inconsciente.

Então vamos para John. Ele acorda ainda no quarto de Sally, que aparece morta e mutilada como Giorgio. Se trata de um pesadelo, e John acorda – agora de verdade – no escritório de Kreizler. Além do médico, também estão presentes Sara e os Isaacson. Kreizler explica que Steve – um de seus empregados, já visto na série – o encontrou vagando perto do Paresis Hall.

Kreizler o questiona sobre a visita, e John só lembra da conversa com Sally, onde ela lhe explicou que Giorgio era popular, especialmente com os clientes mais ricos – o que explicaria o desespero da polícia em esconder o caso. Constrangido pelo que os colegas estariam pensando da sua visita ao bordel, John deixa o escritório.

Na delegacia, Roosevelt comanda uma cerimônia para premiar policiais de destaque. A manobra parece uma tentativa de ganhar terreno frente a sua impopularidade com os oficiais mais antigos (e corruptos). Connor faz pouco caso da premiação, mas Roosevelt insiste que ele participe. Na cena, Sara conversa com a filha do comissário, e é revelado que os pais das duas eram amigos. Sara, porém, quer acreditar que isso não foi o motivo que a fez ser contratada.

Depois de fugir de Kreizler e dos outros, John chega em casa a tempo de ser repreendido por sua avó (Grace Zabriskie, a Sarah Palmer de “Twin Peaks”). Ela insiste que ele precisa conhecer “uma boa moça”, casar e ter filhos. Pelo tom da conversa, esse é um assunto antigo.

Enquanto isso, Kreizler e os Isaacson analisam a digital encontrada no relógio de bolso. Os três reparam numa falha em forma de cruz na digital, que poderia indicar que o assassino é trabalhador manual, ou teria uma doença de pele. Para ter certeza, seria preciso uma impressão mais detalhada. O trio então decide analisar o corpo de Giorgio, em busca de uma digital igual aquela. A visita ao necrotério, porém, é inútil: alguém removeu o corpo antes que eles chegassem.

Sara e Kreisler discutem o ocorrido, e para ambos fica claro não só a corrupção da polícia de Nova York, como o isolamento de Roosevelt dentro da instituição. Quando os dois comentam a solidão na busca pelo assassino, o interesse que tem um pelo outro fica óbvio. Sara comenta que tem um encontro com antigos colegas naquele dia, mas que preferia continuar alí, procurando o assassino. Ao ser questionada por Kreizler sobre seus motivos, a moça parece não ter respostas, e o deixa.

No encontro, Sara conversa com uma amiga enquanto o resto do grupo joga uma versão menos elaborada de “detetive” – aquele jogo onde o “assassino” pisca para suas vítimas. Ao ser apresentada ao noivo de sua amiga, Sara confessa estar interessada em um médico – ou seja, Kreizler.

John também está tendo um momento “sociável”. A avó cumpriu sua promessa, e os dois se encontram com uma possível pretendente em sua mãe. A conversa azeda quando aborda a família de John – seu pai e o irmão, que morreu afogado. Quando ele erra o nome da moça, a situação é tragicômica.

De madrugada, em após o encontro, John enfim se lembra do que aconteceu em Paresis Hall. Ele corre para avisar Kreizler e relata o que Sally lhe contou sobre a noite em que Giorgio morreu: o menino não foi visto deixando o quarto pela porta, e recebeu a visita de um cliente rico com “sorriso prateado”.

Kreizler insiste em interrogar Sally por conta próprio e os dois voltam para a rua do Paresis Hall. Sally tenta fugir, mas acaba cedendo e reforça o que já foi dito por John. Kreizler então levanta a hipótese de que Giorgio tenha deixado o quarto – independente de como – por vontade própria, tendo chegado vivo a ponte, para ser morto logo depois. Provavelmente, o menino conhecia e confiava no assassino.

De volta ao seu escritório, Kreziler estuda outros casos quando é interrompido pela chegada de Cyrus (Robert Ray Wisdom), seu cocheiro. Os dois conversam e descobrimos como se conheceram: Cyrus fora acusado de assassinato, e Kreizler o defendera no julgamento, alegando que o cometera por causa de traumas passados. Cyrus alerta Kreizler que sua busca pelas motivações do assassino o deixariam louco, mas isso não intimida o médico. Ele insiste que Cyrus lhe dê detalhes do próprio crime, o que perturba terrivelmente o cocheiro. Cyrus revela que a lembrança mais forte do crime foi a satisfação que sentiu ao fazê-lo, e a resposta impacta Kreizler.

Na cena seguinte, o mostra sinais de perturbação quando tentar limpar uma mancha – supostamente, de tinta – da camisa. Ao tirar a peça e ser surpreendido por Mary, é possível notar que um dos braços do médico é desfigurado. O momento entre os dois é interrompido pela chegada de Stevie, anunciando mais um assassinato.

O time de investigadores se reúne no local – uma antiga estação de imigração que vai se tornar um aquário – para examinar o corpo, enquanto Roosevelt segura os repórteres do lado de fora. Enquanto isso, um policial corre para avisar Connor do assassinato – o que deixa claro a tentativa do comissário de esconder o crime dos oficiais corruptos.

Ao encontrarem o corpo, Sara fica em choque. Ainda assim, ela é quem percebe a predileção do assassino por locais altos e próximos de água. Kreizler sugere que o assassino está “evoluindo”, pois não esconde mais os corpos. A falta de sinais defensivos por parte da vítima indicaria que aquilo começara como um ato sexual, onde o estrangulamento e outros fatores já estariam incluídos. O assassino deixou uma digital na testa da vítima, e os Isaacson a fotografam.

Quando Connor chega, acompanhado de Byrnes e de outros policiais, o grupo é alertado e foge. Na fuga, porém, John deixa cair seu caderno de desenhos. Alguém não o identificado o pega.

De volta ao escritório de Kreizler, John, Sara e o médico são recebidos por Mary e uma mesa muito bem-posta. O gesto da empregada, porém, desagrada Kreziler e ele a manda ir embora, deixando-a arrasada. Ao discutirem os últimos acontecimentos, o médico insiste em criarem empatia com o assassino, para entender seus motivos.

Diante da expressão horrorizada de John, Kreizler questiona o amigo sobre o uso da bebida para lidar com suas próprias questões – um relacionamento fracassado, o conflito com o pai e a morte dos irmãos. Então Kreziler questiona Sara sobre o suicídio do pai. Diante da falta de resposta dos dois, Kreizler os expulsa.

Na carruagem, a caminho de casa, John e Sara discutem o ocorrido. A moça pergunta sobre Mary, e a reação exagerada de Kreizler. John explica que a moça estava com o médico desde jovem, porque queimara o próprio pai vivo. Ela comenta que o médico visivelmente queria proteger a moça, mas que sua raiva era uma tentativa de esconder dos outros sua preocupação com ela. Quando o mal-estar parece ter dissipado, John beija Sara no rosto. A moça, entretanto, não gosta da atitude e o desconforto se instala entre os dois.

O episódio termina com cenas curtas: Kreziler observa Mary; Sara se olha no espelho, e seu reflexo é de uma menina; John chega em casa e dá falta do caderno. Enquanto isso, o assassino observa os desenhos que o ilustrador fez do corpo de Giorgio.

Em “Silver Smile”, a série mantém o bom ritmo apresentado em “A Fruitful Partnership”. As novas revelações sobre o assassino, por parte da investigação, e as cenas vistas apenas pelo público (o almoço dos Van Berger, por exemplo) se complementam e tornam a trama ainda mais empolgante.

Depois de sabermos um pouco mais de Sara e dos Isaacson, é interessante saber mais sobre a família de John, e conhecer um lado mais frágil de Kreizler e seus funcionários. O médico se junta a toda uma gama de detetives da televisão que se isolam do mundo como uma forma de vê-lo mais claramente. Kreizler acusa John e Sara não olharem para dentro de si mesmos. Ficou claro, porém, que o próprio alienista tem seus esqueletos escondidos no fundo do armário.

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