A Bienal do Livro acabou e com ela fica toda nossa saudade. Mas como nós somos adeptos do “só acaba quando termina”, e ainda respiramos toda essa cultura livresca, nosso Bookland de hoje vem resenhando uma de nossas aquisições nessa festa literária tão linda de bonita.

Chuta que é carma, de Vanessa Bosso – autora de “O homem perfeito” – foi um dos queridinhos nessa bienal. Ele era visto em muitos stands e podia ser encontrado no valor irrisório de R$10,00. Preço bom, capa colorida, nome atrativo…. bem, lá fomos nós pagar para ler.

A obra conta a história de Clara. Uma artista plástica de 35 anos, que tem sorte no jogo, mas muito, muito azar no amor. Ela vivia com o namorado Rogério; que se apresentou um príncipe encantado à primeira vista. Mas assim que foram morar juntos, mostrou sua verdadeira face e fez com que Clara desacreditasse no amor.

E para piorar a situação, não satisfeito em quebrar o coração de nossa protagonista, o moçoilo ainda fez o favor de ir embora levando tudo que havia no apartamento dela. Com uma mão na frente e outra atrás, Clara podia contar apenas com o que ficou a sua poupança e com Patty; sua best friend forever.

Patty: 38 anos, advogada criminalista muito bem-sucedida e o ponto de apoio toda vez que Clara se mete em alguma confusão. Juntas elas fazem uma dupla imbatível. E a sinergia entre ambas era tanta, que ficamos nos perguntando, porque elas não terminavam juntas, já que as duas eram tampa e panela uma da outra. Mas se fosse ser tudo bonitinho, não iria ter história, não é mesmo?!

Frustrada e cansada de meter os pés pelas mãos, Clara resolve [des]afogar as mágoas – e a poupança – em uma viagem espiritual pelo Peru. E mostrando ser pau para toda obra, Patty arruma as malas e parte rumo a essa nova jornada com a amiga.

O livro tinha tudo para ser bom. Bom mesmo! A história dá pano para manga. E os caminhos escolhidos pelas duas no Peru, traça uma rota que todos poderiam fazer um dia. No entanto, ele peca em alguns momentos. E a história parece pouco explorada e muito arrastada.

Poderíamos, por exemplo, ser poupados da grande quantidade de capítulos. São noventa ao todo, mais um extra com três. Ou seja; noventa e três capítulos em apenas 254 páginas. Esse tipo de formatação nos deu a sensação que: ou a autora queria abraçar o mundo com as mãos, e por isso extrapolou todas as possibilidades do que queria e poderia falar. Ou, na pior das hipóteses, ela estava com muita pressa de acabar.

O enredo conta com momentos risíveis, mas também não foram bem trabalhados. Alguns diálogos pareciam forçados demais. E ficamos na dúvida, qual seria o gênero da obra. Romance ou autoajuda? É claro, não há nenhum problema em ser os dois. Mas sabemos que os livros de autoajuda são, por vezes, alvos de preconceitos, já enraizado em nossa parca cultura literária.

E sinceramente, se formos retratar os perfis de cada uma de nossas personagens, temos uma Clara que só sabe reclamar de tudo, e uma Patty que está vivendo uma adolescência tardia. Mas ok?! Qual é, na verdade, o sentido disso tudo?

A obra é perfeita para o universo adolescente – e para alguns adultos, diríamos – e mostra de maneira leve e divertida, como somos sempre sobreviventes. Seja no jogo, ou no amor. Clara precisava se [re]conhecer. Patty precisava estar por perto. Tudo convergiu de maneira tão una, que no final o saldo foi positivo.

A diagramação da capa está ótima. As cores – amarelo, rosa e branco – conversavam. Uma ótima estratégia para aqueles que julgam os livros pela capa. Porque sim, esse é um que vemos nas prateleiras e dá muita vontade de comprar só pelo que encontramos do lado de fora.

Será que Clara resolveu seu carma? Será que conseguiu encontrar um novo grande amor? Pois é… “Chuta que é Carma” já tem uma continuação; “Agarra que é amor”.

Na próxima bienal, quem sabe, a gente não descubra o que enfim, se sucedeu na vida das duas amigas.

“Gente, estou apaixonada por um poste! [p.51]