Pra quem não sabia, dia 24 de agosto foi dia do artista. E pesquisando no dicionário a palavra artista, dentre inúmeros significados apresentados, encontramos uma definição que parece meio óbvia, mas é simples e super verdadeira.

Artista = Pessoa que tem ou exprime o sentimento da arte.

E sobre a arte;

Arte = Termo que vem do latim e significa técnica/habilidade. É uma atividade humana ligada à estética, feita por artistas, a partir de suas percepções e emoções, que se apresenta de diversas formas. Cinema, música, dança, teatro, escrita, entre outras.

Resumindo, o artista é a própria arte. Tá no sangue, no DNA. Não tem como escapar.

Então, para comemorar essa data que é dedicada à pessoas tão sensíveis e emocionais, nada mais oportuno que falar um pouco sobre o livro Make Good Art, do autor britânico, Neil Gaiman, e sobre as dicas imprescindíveis para se fazer boa arte.

Este livro é para todos que estão olhando ao redor e pensando e agora?”

Em maio de 2012, Gaiman fez um discurso de formatura para os alunos de artes da University of the Arts, na Filadélfia. Foram quase 20 minutos dividindo com os formandos suas experiências de vida e suas ideias sobre criatividade. Foi um discurso muito inspirador, que incentivou os alunos a terem coragem de pensar fora da caixa e a “Fazer Boa Arte”. O discurso foi transformado em livro e – como tudo que ele escreve – virou Best Seller.

“Vá e cometa erros interessantes. Cometa erros incríveis. Cometa erros gloriosos e Fantásticos. Quebre as regras. Deixe o mundo mais interessante para que você esteja aqui. Faça. Boa. Arte.”

Em apenas 80 páginas Neil Gaiman fala sobre as dores e as delícias de ser um artista. E apesar do texto ter surgido em um discurso para novos artistas, fresquinhos, que estavam se formando, ele com certeza também serve de inspiração pra muitos profissionais que estão nessa caminhada já há algum tempinho. Ele afirma que é importante fazer o que amamos, mas que o caminho não é nada fácil. É preciso ser determinado e ter foco para se manter nesse mercado. Para isso, mesmo que o amor pela arte seja maior que tudo, é necessário que o artista se prepare para em algum momento ter que trabalhar pelo salário, para pagar as contas e se sustentar. Mas com tempo e perseverança, será possível fazer o que gosta e ganhar dinheiro. Pode demorar um pouco, mas essa hora vai chegar.

Um outro momento bacana é quando ele aponta que erros nem sempre são ruins. Muitas vezes quando cometemos algum erro não significa que falhamos, mas sim que estamos por aí, fazendo alguma coisa, saindo do lugar e que tudo pode ser útil no futuro. Devemos fazer arte em dias bons e também em dias ruins. Tudo pode virar arte. E ele conta quando inverteu a posição de um A com um O e que foi assim que surgiu a Coraline, um de seus textos mais amados.

“A vida às vezes é dura. As coisas dão errado, na vida e no amor, e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros aspectos que podem dar errado. Quando as coisas ficarem complicadas, é assim que você deve agir: FAÇA BOA ARTE. É sério.”

Uma questão que é muito discutida sobre o livro, é o projeto gráfico. O responsável é o designer Chipp Kidd que, para expressar em imagens tudo o que o autor quis dizer em palavras no discurso, precisou usar muitos recursos de metalinguagem. Afinal, é um texto que fala sobre como trabalhar com arte. Então, existe uma certa coerência para que a diagramação também siga por essa linha. Mas, o estilo dividiu opiniões. Muitos dizem que as cores usadas não favoreceram a leitura. Que em algumas páginas a cor da fonte e a cor das figuras se fundem e a leitura fica quase impossível. Outros dizem que é pura arte e que não tinha como ser diferente.

Bom, depois de tudo isso, se você não conhecia Neil Gaiman, passou a conhecer um pouquinho, né?! E se ainda não leu o livro, corre pra comprar e ler. Sem dúvida é uma obra pra ter na cabeceira e reler muitas e muitas vezes.

“E não sabendo o que é impossível é mais fácil fazer.”

Ah! E para quem não assistiu ao vídeo com o discurso, vamos deixá-lo aqui abaixo pra vocês.