Digamos que morrer não é a coisa mais elegante do mundo, né?! Em tempos atuais, onde a vida foi banalizada a mero nada, no qual as pessoas simplesmente acham que resolver tudo a ferro e fogo é a solução para todo e qualquer tipo de problema, viver; é o que está cada vez mais difícil. Mas em circunstâncias normais, vocês já pararam para pensar em como gostariam de passar dessa para uma melhor?

Pois é, nossa personagem do Literando de hoje, não fazia ideia, que ao acordar naquele dia, sua morte entraria no ranking dos acontecimentos. Kim Lange está no auge da sua carreira como profissional bem-sucedida, família bem constituída, uma filha linda e um marido exemplar. Mas ao sair de casa pronta para arrasar em mais um dia de trabalho, tudo deu errado e, infelizmente, ela nunca chegou a voltar… ou…

“Maldito Karma”, nossa obra de hoje, conta de maneira engraçada e muito didática, como na verdade nossas ações diárias interferem naquilo que somos – ou seremos – na nossa vida inteira. É como se em algum lugar do Universo, todas as nossas atitudes fossem computadas e divididas entre “boas”, “médias”, “ruins” ou “péssimas”. E com elas, iríamos ganhando pontos – positivos ou negativos – para que enfim, no dia do juízo final (?) fossemos julgados de maneira justa.

Ok! Calma lá… não vamos entrar aqui em meandros católicos, espíritas, budistas e afins. Ainda que estejamos falando de morte e vida, e de como passamos esse intervalo entre um e outro, a nossa coluna de hoje, vem na verdade, propor uma abordagem diferente de como vocês se enxergam na condição de indivíduo.

Apesar de sua vida “perfeitinha”, tudo que Kim Lange fez para alcançar fama e sucesso, não foi lá muito correto. Isso fez com que ela acumulasse karmas ruins, e quando bateu as botas, tudo foi cobrado com juros e correção. Do momento de sua morte, que foi a mais inusitada possível, afinal, ela foi esmagada por uma geladeira (yes!) até a sua nova vida – porque sim meus nobres – ela volta, o autor Daniel Safier nos passa ensinamentos importantes e cruciais. É igual um manual de como não acumular negatividade.

Karma é um vocábulo que vem do sânscrito. E quer dizer basicamente ação. Ou seja, suas ações podem ser negativas ou positivas. E como foi dito acima, nada tem a ver com religião. Nós temos o livre-arbítrio e podemos escolher entre sermos bons ou ruins. Lange, não era uma pessoa mal caráter. Mas estava longe de ser a mulher mais santa do mundo. Suas condutas culminaram em um parâmetro mais nocivo para ela mesma. E ao morrer, bem, ela teve a oportunidade de ver onde tinha errado, e teve a chance de começar tudo de novo.

Mas é obvio que não seria tão fácil assim. “Começar de novo” significa começar do zero. E de maneira gradual e evolutiva. Logo, quando nossa personagem acorda na sua “nova” vida, sua condição de mulher/humana simplesmente inexiste. Kim Lange agora é nada mais, nada menos que uma formiga.

“ – Os ditadores são pessoas más – protestei, – Os políticos, e no meu entender, também aqueles que fazem as programações da televisão, mas eu, não!

– Os ditadores reencarnam em outra coisa – replicou Buda.

– No quê?

– Em bactérias intestinais. “ (p.41)

O livro é todo narrado em primeira pessoa. O que nos aproxima da personagem a acaba fazendo com que tenhamos uma certa empatia com tudo que está sendo exposto. David Safier fez com que cada evolução de Lange – porque ela começa como uma formiga, depois minhoca, porquinho da índia, gato, cachorro… – seja não só um aprendizado para ela, mas para cada leitor também.

“Marldito Karma” pode ser considerado até um livro daqueles de “autoajuda”, e muitas pessoas têm um preconceito com esse tipo de Literatura. Mas tudo foi escrito de uma maneira tão leve e divertida, que Safier fez a gargalhada a nossa grande companheira nessa viagem.

A Woo! Magazine recomenda leitura e principalmente a reflexão. Viver nos dias de hoje anda deveras complicado. A maioria das pessoas sobrevive… “faz o que dá”. Se der então para ser leve, melhor ainda, não é mesmo??