“Supercalifragilisticexpialidocious!”

Quem nunca ouviu essa expressão não sabe o que é viver no mundo de fantasia de Mary Poppins, uma babá inglesa um tanto peculiar e muito encantadora. Ou será que podemos dizer encantada?! Bom, o fato é que ela é muito especial e simplesmente fascina todas as crianças que estão à sua volta.

Mas o que será que tem de tão especial em uma simples babá?

Vamos conhecer essa história no livro “Mary Poppins”, lançado em 1934, que conta as aventuras da família Banks. A narrativa se passa em Londres, onde Mr. e Mrs Banks moram com seus 4 filhos, em uma linda casa na rua das Cerejeiras. Michael, Jane e os gêmeos John e Bárbara eram cuidados por uma babá que, em pouco tempo, acabou pedindo demissão por não aguentar a pressão com o gênio incontrolável das crianças. A partir daí, começa uma incansável busca por uma nova funcionária que consiga cumprir a difícil tarefa de cuidar dos pirralhos. E é nesse momento que surge Mary Poppins, trazida por um vento leste, acompanhada com uma maletinha e com seu inseparável guarda-chuva.

A chegada da nova babá, que também exerce funções de governanta da casa, vira do avesso a vida da família Banks. O comportamento das crianças mais velhas, Michael e Jane, muda completamente diante do jeito inusitado que Mary Poppins trata das situações da família e resolve seus problemas. Ela possui poderes mágicos e consegue, inclusive, voar com ajuda de seu guarda-chuva. Eles são surpreendidos com um universo fantasioso. A vida, que antes era normal e sem muitas emoções, agora se torna bem mais interessante, com acontecimentos extraordinários e especiais. E como num passe de mágica, eles começam a viver aventuras inesperadas, mas bastante excitantes para o imaginário infantil. Situações como entrar numa pintura de um quadro, tomar chá no teto da casa do tio, fazer uma festa no zoológico e descobrir o que acontece lá dentro durante a madrugada, dar uma volta ao mundo e até fazer compras com uma estrela da constelação de Touro. Tudo isso começa a fazer parte do cotidiano das crianças, que percebem que com ela por perto, a magia está sempre presente e tudo pode acontecer. Rapidamente eles começam a se afeiçoar a nossa querida babá.

A mudança também começa a acontecer aos poucos na vida de Mr. e Mrs Banks. A estrutura familiar também é mexida e o convívio entre pais e filhos, que antes quase não existia, agora começa a ser mais frequente e comum na casa.

Logo que percebe que as coisas mudaram pra melhor e que o propósito foi cumprido, ela mais uma vez pega carona com o vento e deixa a família Banks.

A leitura nos leva imediatamente à infância. Passeios, brincadeiras, muitas aventuras. Tudo isso ganha vida nas páginas e atiça a nossa imaginação. Os capítulos são rápidos. Parecem contos, com aventuras isoladas, onde tudo pode acontecer. A criação dessa personagem tão peculiar, veio da mente da australiana Pamela Lyndon Travers, que migrou para Londres e ficou mais conhecida como P.L. Travers. A autora dá asas para incentivar a imaginação do leitor que, em muitas situações, consegue se imaginar dentro da história. Com toda a sua criatividade, ela transforma uma simples babá em uma das mais icônicas personagens da literatura infantil. Uma pessoa cativante que, mesmo dando muita liberdade, não deixa de impor sua autoridade educando e ensinando sobre obediência e mostrando o que pode acontecer quando as crianças não se comportam. Simplesmente rouba todas as cenas e inspira grande simpatia, tanto do público infantil e juvenil, quanto adulto também.

Esse foi apenas o primeiro de uma coleção de 8 livros que contam as aventuras da querida babá. Ela retorna para ajudar a família Banks nos dois próximos livros da série, “Mary Poppins Retorna” (1935) e “Mary Poppins Abre a Porta” (1943), quando os outros irmãos Banks também começam a acompanhá-la. Mas ainda assim, Michael e Jane continuam como personagens principais nas aventuras.

Em 1964, 20 anos após muita insistência, Walt Disney conseguiu finalmente comprar os direitos e transformar o livro em filme, que teve como estrela a brilhante Julie Andrews e foi grande sucesso de bilheteria na época. E até hoje, mais de 80 anos depois, a fantasia continua conquistando muitos corações.

Resenha: Mary Poppins, de Pamela Lyndon Travers
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