Sempre fui muito fã de ler, lia todos os livros que os professores passavam pro colégio e sempre arrastava minha mãe pra livrarias, para “comprar uns extras”. Eu nem lembro mais exatamente como esse livro chegou nas minhas mãos, mas eu sei que faz tempo. Eu tenho o costume de assinar na primeira página de todo livro que me pertence, e minha assinatura data de 2002. Eu tinha 10 anos.

Na verdade, a história em si nem é tão inovadora assim. O livro conta a história de três garotos no colégio, muito amigos, que curiosos para saber o que tanto as garotas que eles gostam escrevem nas suas agendas, resolvem roubá-las, só para dar uma espiadinha…

O que acontece, no entanto, é que as coisas fogem do controle deles e eles acabam perdendo e/ou danificando as agendas roubadas. Toda vez que eles tentam remediar a situação ou devolvê-las para as donas em segredo, alguma coisa a mais dá errado. É uma série de trapalhadas sem fim, que me deu direito há muitas risadas (e olha que eu li mais de uma vez) e até um pouquinho de agonia. Enquanto eles se metem em furadas, elas – sem saber do paradeiro das suas agendas – estão desesperadas porque todos os seus segredos estão lá.

Foi superdivertido ver naquelas poucas páginas gírias que eu estava começando a conhecer, paixões platônicas que eu estava começando a experimentar e aquela coisa toda de relacionamento de menino com menina, que ainda parecia meio estranha e, ainda assim, encantadora. As ideias de traição, de vandalismo e de camaradagem também são bem pontuadas no livro, sem que ele se torne um chato passador de moral.

De certa forma, até hoje o livro é atual. Eu ainda me identifico em várias cenas, talvez mais até do que eu me identificava da primeira vez que li. Fica a dica para quem nunca ouviu falar. Até hoje ainda curto dar uma folheada e reler algumas partes, e sentir aquela nostalgia dos primeiros livros e dos primeiros amores.

Por Clara Savelli