“O Vespeiro” pode parecer um livro infantil à primeira vista, mas acreditamos que ele é uma dessas histórias que pode agradar leitores de todas as idades. Ele é um terror psicológico cuja protagonista é uma criança, Steve, que sofre de ansiedade e tem algumas excentricidades decorrentes do distúrbio, tentando a todo custo parecer “normal” aos olhos dos pais.

Seu irmão mais novo nasceu com uma série de problemas de saúde e os pais lutam para descobrir como cuidar dele e passam a viver em função do bebê. Steve, assim como muitas crianças, tenta parecer maduro e não causar mais preocupações para os pais com suas manias e paranóias.

Foi interessante para nós ver um personagem tão novo, mas ao mesmo tempo tão real ali exposto no livro. Steve é um menino muito preocupado com o irmão e os pais, sendo que tudo o que faz é na intenção de ajudá-los. Ao mesmo tempo, vemos que ele, assim como nós, tem medos e sente falta da atenção de seus pais.

O lugar onde vivem é cheio de vespas e isso preocupa o menino, pois teme que uma delas machuque o bebê. Após ser picado por uma e descobrir ser alérgico, ele é visitado por criaturas que à primeira vista se parecem com anjos, e que dizem que podem ajudar seu irmão mais novo a ficar melhor. Mais tarde ele descobre que a criatura com quem ele conversa nada mais é do que a Vespa Rainha e ela oferece a ajuda de suas operárias para que o irmão de Steve seja substituído.

Em troca, tudo o que tem que fazer é dizer Sim. Uma simples palavra, mas cujo significado é muito mais forte do que imaginamos. Ao descobrir a verdadeira intenção da Vespa Rainha e o que exatamente significa “substituir o bebê”, Steve trava uma luta contra suas criações e o vespeiro.

Nós gostamos de “O Vespeiro”, pois não é muito comum encontrar livros que explorem a temática de saúde mental para o público infantil e infanto-juvenil. O que faz parecer que não é algo que aflige muitas crianças ou quando ocorre é por conta de um grande trauma, o que nem sempre acontece. Ainda por cima, foi muito bom ver este tema ganhar visibilidade de uma forma não didática.

Em nenhum momento o drama de Steve foi retratado de um jeito que o fizesse parecer com uma vítima de sua condição psicológica, pelo contrário. Ao longo do livro percebemos que ele tenta lidar com seus dilemas e questões a cada dia.

O livro apesar de curto, cumpre o seu papel de nos deixar apreensivos e curiosos quanto ao que ocorrerá nas páginas seguintes. Não sabemos de fato quais são as intenções da Vespa Rainha e a presença de outros personagens suspeitos na histórias também nos deixou intrigados, como o homem da faca. Um homem que afia facas no bairro, mas que aparentemente apenas a família de Steve o viu e que deixa uma faca na porta de entrada da casa do menino.

Com uma linguagem simples, porém envolvente e ilustrações de Jon Klassen, “O Vespeiro” realmente nos cativou e nos fez embarcar na história. Steve é um personagem extremamente encantador e podemos nos identificar com seus dramas, apesar de parecerem coisas de criança.  São questionamentos muito reais e que nos atinge vez ou outra em algum momento de nossas vidas.

Repleto de metáforas e mensagens escondidas, o livro se desenvolve de forma rápida e inusitada enquanto torcemos para que Steve e o bebê consigam estar em paz com suas vidas. Para aqueles amantes de Coraline, “O Vespeiro” é uma boa alternativa para quem procura histórias semelhantes.

Resenha: O Vespeiro, de Kenneth Oppel
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