A obra “Quarto” é muito envolvente e emocionante, conta a história de Jack, um menininho de cinco anos que conhece apenas o seu quarto. Ele vive com sua mãe e tem as visitas do velho Nick.

A narrativa é contada pelo menino, por isso tem uma linguagem mais simples, também aborda o assunto de maneira mais leve, embora seja um assunto muito triste e assustador. Algumas vezes, temos a perspectiva da mãe na narrativa também.

Jack conhece apenas o seu quarto, ali é como se fosse o mundo inteiro, ele cresceu, aprendeu um monte de coisas como ler, escrever e vive com sua mãe entre aquelas quatro paredes. Eles brincam, comemoram aniversários, e ele acredita que aquilo é tudo que existe.

Ele dorme dentro de um guarda-roupa, todas as noites sua mãe o coloca lá, ela acredita que é mais seguro para ele, também fica protegido e dormindo quando o velho Nick vem vê-la durante as noites e abusando dela sexualmente, essa é a parte mais chocante da história, porque tudo acontece de uma maneira forçada, mas é como se fosse programada, e o menino ali, tão perto. Isso é muito estranho, perturbador.

Jack é muito esperto, inteligente e curioso, pergunta tudo e aparentemente é feliz vivendo ali. Já a mãe dele, não é nada feliz, há sete anos vive nessa prisão, desde que foi sequestrada pelo Nick, vive ali sem poder sair para nada, sendo abusada por ele. Embora ela não passe toda essa amargura e dor para o filho, ela é muito amargurada, infeliz e não deseja a mesma vida para o menino. Ela o ama acima de tudo, é um amor tão grande que mesmo diante de um cenário de tanto sofrimento, ela tenta fazer o melhor que pode por ele, é gentil e sempre tenta ser amável.

Ela é uma prisioneira, o menino é fruto dos abusos que ela sofre constantemente, e mesmo assim ela o ama mais que tudo, não ficou com traumas por ter um filho do estuprador. E por essa razão ela não deseja a mesma vida para ele. Jack precisa conhecer o mundo, ter uma vida digna, saber que existem muitas coisas fora dali. E não apenas o velho Nick, porque para o menino, só existem os três.

Então, diante do desespero e da dor daquela vida ruim e ao mesmo tempo da vontade de dar o melhor ao filho, ela tem uma ideia, cria um plano assustador, e conta com a inteligência do menino para colocá-lo em prática.

Mas será que dará certo? E se o velho Nick descobrir? Tudo pode piorar, se é que é possível.

E como viver fora dali com todos os traumas adquiridos? Ela terá que se reinventar e precisará do apoio da família para ajudar muito o pequeno Jack.

Mas embora não exista o preconceito para ela em relação ao Jack ser filho do abusador, será que para a família será igual?

Apesar de muito triste, é uma linda história. Mostra todo o amor de uma mãe pelo seu filho. É lindo ver como uma criança é inocente e mesmo diante do caos, Jack era puro, ia descobrindo as coisas naquele “pequeno mundo” de maneira leve e engraçada. É impossível não se emocionar e não se apaixonar por ele. O livro foi adaptado para o cinema e tem como nome de “O Quarto de Jack”.

Fazendo uma breve comparação entre livro e filme: o livro é muito impactante, assustador, eu diria. Como a maioria dos livros, é rico em detalhes, mas nesse tipo de enredo, talvez os detalhes não sejam tão essenciais.

O filme, como toda adaptação, não tem como trazer tudo da obra literária, nesse caso é até bom, é bastante emocionante, algumas partes importantes poderiam ter sido mais exploradas, mas no geral, foi muito bom. Recomendamos!


Por Bruh Mendes

Resenha: Quarto, de Emma Donoghue
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