Uma trama com muita rivalidade política, escândalos da corte e disputas inimagináveis entre membros da nobreza, da realeza e do clero

Hoje, trazemos para os booklanders um romance histórico, em que ao mesmo tempo que temos eventos que realmente aconteceram, temos também muito romance e ficção. Em “A Rainha Normanda”, encontramos o retrato de uma sociedade do século XI, mais ou menos entre o reinado do rei Artur e da Rainha Elizabeth I, e começando de forma mais precisa no ano de 1002, um livro que conta a história de Emma da Normandia.

Emma é uma jovem em seus 15 anos de idade que se vê obrigada a se casar com um homem muito mais velho que ela e que já tem alguns filhos do primeiro casamento. A jovem praticamente se torna uma moeda de troca para o irmão, que é um duque muito poderoso da Normandia. Por meio da personagem conseguimos ver a realidade das mulheres da época e os conflitos que existiam.

Emma conhece o rei a caminho do altar, o que naquela época era muito comum, principalmente entre os nobres. Esse homem é ninguém menos do que o rei da Inglaterra da época – Æthelred –, um homem que se mostra extremamente violento e desconfiado, não só de sua esposa, mas também dos seus conselheiros mais próximos.

Assim que a primeira esposa do rei morre, ele se vê praticamente obrigado pela sua corte a se casar novamente. Com isso, ele decide desposar Emma, uma normanda de uma família muito importante da Dinamarca. Tudo isso com o intuito de deixar a nobreza mais calma e forjando uma aliança muito importante, protegendo assim o seu reinado, mas essa decisão deixa os seus filhos mais velhos enfurecidos, fazendo com que Emma se depare com uma corte extremamente hostil e perigosa.

A jovem já chega no novo reino com duas missões extremamente importantes. A primeira é servir de espiã para o seu irmão, e a segunda é dar um filho homem ao rei. Mas muitas coisas acontecem no meio do caminho e Emma se vê em uma posição que precisa conquistar a confiança de seus súditos, do rei e da corte. Algo que aos poucos ela vai conquistando e fazendo a diferença no reino, pois passa a ser adorada pela corte e pelos súditos, além de fazer grandes feitos.

A personagem ainda tem que lidar com um romance proibido que se for descoberto pode acabar em uma grande catástrofe. Mas a protagonista se sai muito bem em seu papel como rainha.

“… – Não é Mathilde quem vai para a Inglaterra, Emma. Tem de ser você. […]

– Sua irmã não tem força física nem força de vontade para se defrontar… – Gunnora parou, como se tivesse se arrependido de suas palavras e quisesse apagá-las – com as provações de uma rainha. – Terminou a frase devagar. – Só você, Emma, de todas as minhas filhas, tem qualidade para isso.”

A autora, Patricia Bracewell, teve que fazer uma pesquisa criteriosa para escrever “A rainha Normanda“, pois por se tratar de um romance histórico – em que se utiliza de fatos reais para escrever o seu romance fictício –, ela precisou saber de muitos detalhes importantes da época.

A história é narrada em terceira pessoa, nos prendendo do início ao fim, uma vez que a autora tem uma escrita fácil, envolvente, dando todos os detalhes dos acontecimentos. Fazendo com que fiquemos completamente vidrados com a história.

Emma é uma personagem que mostrou muita determinação, que em meio a traições, surpresas e dilemas mostrou uma maturidade sem igual, tomando decisões firmes em meio a muitas dificuldades.

Quem gosta de história e de um bom romance de ficção “A Rainha Normanda” – em suas 400 páginas – é uma ótima pedida, uma vez que Patricia Bracewell faz uma ótima fusão entre acontecimentos reais com os de ficção, dando uma veracidade na trama jamais vista. Desse modo, de acordo com que vamos lendo os capítulos nos é mostrado todo o contexto histórico da época, assim como conflitos que realmente existiram. Além de ter uma capa que chama a atenção e uma diagramação muito boa.

O livro é de 2015, e é uma trilogia. Porém, apenas o primeiro livro foi lançado aqui no Brasil, o segundo livro é “Prince of blood” e o terceiro ainda não tem nome – pelo menos, não o encontramos. Enquanto os outros dois livros não vêm, ficamos imaginando qual será o próximo passo de nossa Rainha Normanda.

“– Queria saber o destino de minha senhora – disse.

A prata mudou de mãos e, sem querer, a vidente vislumbrou um coração, partido e estéril, que amava com um amor sombrio e pervertido. Mas a prata fora paga e, a um aceno seu, uma mecha de cabelo foi lançada às chamas. Ela procurou visões no fogo, e elas vieram em turba e atropelo até seus olhos doerem e seu coração ficar marcado.

– Sua senhora será unida a um senhor poderoso – decretou ela, afinal –, e os filhos dela serão reis.”

Resenha: A Rainha Normanda, de Patricia Bracewell
9.5Pontuação geral
Votação do leitor 0 Votos
0.0
CLOSE
CLOSE