Stephen King sempre foi conhecido como o gênio das histórias de terror. Fãs do gênero ou não, todos o conhecem assim. Impossível não ouvir o nome e não ligar imediatamente a meninas estranhas e a palhaços aterrorizantes soltos por aí. E é justamente por essa razão que o livro “Sobre a escrita – a arte em memórias”, a única obra de não-ficção que ele escreveu, tem chamado bastante atenção nos últimos anos. Autores iniciantes e também renomados têm comentado muito sobre esse livro que, além de ser uma autobiografia, também dá dicas sobre técnicas de escrita através da sua própria história de vida. E é sobre essa preciosidade que vamos falar um pouquinho aqui hoje.

” A escrita não é para fazer dinheiro, ficar famoso, transar ou fazer amigos. No fim das contas, a escrita é para enriquecer a vida daqueles que leem o seu trabalho e também para enriquecer sua vida. A escrita serve para despertar, melhorar e superar. Para ficar feliz, ok? Ficar feliz.”

O livro é dividido em três partes. Na primeira, chamada de currículo, conhecemos um pouco da vida de King – ou Stevie, como também era chamado – e tudo o que passou até se tornar um autor famoso. Fatos que influenciaram sua vida e o levaram a trabalhar como escritor. Infância, adolescência, amizades, amores. De tudo um pouco. Coisas boas e ruins. Sua luta contra as drogas, as dificuldades financeiras e o amor de sua família e o apoio que teve em todo o tempo de sua esposa, a também escritora Tabitha King, com quem é casado até hoje.

Na segunda parte, temos as dicas para escritores iniciantes. Ele fala praticamente de tudo de forma sucinta. As ferramentas necessárias para uma boa escrita. Tudo é separado por temas. Gramática, construção de frases, gênero, ritmo, substância. Ele cita outros autores para explicar suas convicções, revela como colocar as ideias no papel e também explica sobre o mercado editorial. Criação de diálogos, de personagens e até seus métodos para escrever. Tudo explicadinho de forma rápida e muito divertida.

A terceira e última conta mais um pouco de sua vida pessoal. E fala especificamente do acidente que quase tirou a vida do escritor, que aconteceu justamente no período que este livro estava sendo escrito.

As ideias para boas histórias parecem vir, quase literalmente, de lugar nenhum, navegando até você direto do vazio do céu: duas ideias que, até então, não tinham qualquer relação, se juntam e viram algo novo sob o sol.”

Nas últimas páginas King faz uma lista dos melhores livros que leu durante os últimos anos. Dentre eles estão alguns bem famosos como “Harry Potter”, “O Homem que não Amava as Mulheres”, “O Senhor das Moscas”, etc.

Stephen King deixa claro que não é um escritor clássico. O que ele realmente gosta é de contar histórias. E isso ele faz muito bem, convenhamos. Por essa simplicidade é que a leitura flui de forma leve e rápida. São cerca de 250 páginas que a gente lê tão rápido que nem sente. E ele aproveita esse momento para fazer um alerta dizendo que não existe um livro de regras para quem quer se tornar escritor. Você pode tentar do jeito dele, mas se não der certo não significa que você deve desistir. Cada um escreve de uma maneira e de uma forma muito pessoal. E com tantos acontecimentos narrados, sem dúvida é uma grande lição de vida que levamos pra sempre.

Então, caro leitor, essa é a nossa dica de leitura de hoje. Um livro absolutamente envolvente, como tudo que vem dessa fonte inesgotável de histórias incríveis. E se você tem vontade de escrever um livro, com certeza esse é um ótimo começo.

“Escreva com a porta fechada, reescreva com a porta aberta. Em outras palavras, você começa escrevendo algo só seu, mas depois o texto precisa ir para a rua. Assim que você descobre qual é a história e consegue contá-la direito – tanto quanto você for capaz –, ela passa a pertencer a quem quiser ler.”