Nove jovens de classe média alta, residentes na turística Copacabana e com seus futuros, quase já montados; são encontrados mortos no porão de uma mansão no interior de Minas Gerais. O que poderia ter sido considerado o maior massacre da história policial do Rio de Janeiro, não passou de um jogo insano de roleta-russa, no qual ninguém saiu vivo para contar os motivos. Ou…

“Suicidas”, de Raphael Montes, foi o primeiro livro desse jovem autor que deixou no chinelo muitos escritos do gênero suspense. E agora, em 2017, a obra ganhou uma releitura com um capítulo a mais de presente para os fãs. E chegou a fulgurar nos top 10 da lista de mais vendidos do ano. Mas qual foi o real motivo de grande sucesso?

A obra é conduzida de maneira bem singular. O autor, desde o primeiro capítulo, fugiu das premissas clichês dos livros que seguem narrativas lineares. E nos apresenta uma história cheia de mistérios, polêmica, temas recorrentes ao universo jovem e muita, muita tensão. E de palavra a palavra nos vemos envoltos em histórias que não são nossas – mas que poderiam ser –; de pessoas que nunca vimos na vida, mas que poderiam fazer parte do nosso ciclo de amizades. E nisso vamos nos prendendo capítulo a capítulo nesse mistério.

O que levou nove pessoas ao suicídio? O que leva, na real, uma pessoa atentar contra a própria vida? É um ato de coragem, ou ato de extrema covardia? Para responder às perguntas supracitadas, o enredo é conduzido por três caminhos diferentes. Em três momentos, em três narrativas que conversam de maneira una.

Alessandro, ou Alê, como é conhecido pelos amigos, é estudante de Direito pela Uerj, mas seu sonho de verdade é ser um grande escritor. É ele quem conduz essa história em dois instantes. Um, antes da tragédia e outro, em “tempo real” ao jogo que levou a morte dos jovens. Como sempre gostou de escrever, Alê mantinha uma espécie de diário, e foi nesse diário que ele relatou os dias que antecederam tudo.

Alê é único que tem motivos – segundo ele mesmo – para morrer. Tendo o sonho frustrado por duas editoras que renegaram seus manuscritos, ele acha que se fizer algo realmente autêntico, entrará para história como o maior escritor que já houve no mundo. Escrever, em tempo real, como as mortes iam ocorrendo foi a maneira que encontrou para colocar seu nome da lista dos mais renomados autores. E não importava se ele teria que morrer para isso.

Formando dupla dinâmica com o jovem escritor, temos Zac. O rapaz extremamente rico. Considerado o garanhão das gatinhas, Zac era filho único de pais completamente pedantes. Como ricos que ganham dinheiro de uma hora para outra, eles achavam que o dinheiro poderia comprar tudo. Até a dignidade das pessoas. E é nesse universo completamente claustrofóbico que Zac é criado.

Ainda que vivendo em mundos completamente diferentes, Alê e Zac tinham uma cumplicidade única. Eram amigos de verdades. Tão amigos, que quando resolveram morrer, eles disseram que seria juntos. Mas se Alessandro tinha “nobres” motivos para cometer suicídio, o que levou, então, a Zac segui o mesmo caminho? O que poderia ser ruim na vida de um cara que tinha absolutamente tudo?

Com o auxílio dos escritos de Alê, a delegada Diana tenta conduzir uma linha de raciocínio a fim de entender o que aconteceu no porão escuro daquele 07 de setembro de 2008. E para isso, ela tem um novo reforço. Na cena da tragédia foi encontrado um segundo diário que descrevia em tempo real tudo o que estava acontecendo. Era Alê, fazendo seu livro de sucesso.

Logo, um ano depois do ocorrido, a delegada achou que era a hora de pôr um fim nesse caso. Então, chamou as mães dos jovens suicidas para ver, se juntas, elas, enfim, conseguiriam descobrir o que levou a todos eles a escolherem a morte.

Se adiantássemos mais do que já falamos, estragaríamos os porvires desse enredo alucinado. Mas o que podemos antever é que a narrativa é tão densa, que talvez almas fragilizadas às emoções fortes sucumbirão às dores daqueles noves jovens. Mas para você, leitor corajoso, talvez a história te pegue de jeito como nos pegou.

“Tentei desviar o olhar, mas não consegui. Minha própria dose de sadismo me fazia querer ver cada detalhe do ato. Sou curioso. Assim como você, leitor, que percorre com avidez estas linhas, eu queria saber exatamente o que ia acontecer. Por mais macabro que fosse. Por mais louco. E não me importo. Não se importe você também. Ninguém está olhando… Ninguém vai nos condenar por estes segundinhos de sordidez…”

Resenha: Suicidas, de Raphael Montes
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