A capacidade de superar desafios e se fortalecer com eles faz a vida fluir mais fácil 

Foi o físico Thomas Yong, em 1807, que utilizou o termo resiliência pela primeira vez. Fez isso para denominar a capacidade de um objeto em sofrer pressão ou impacto e, depois, voltar a sua forma original.

No entanto, a palavra logo trespassou o campo das ciências exatas e se tornou análoga para estudos do comportamento humano. Na psicologia, a resiliência é descrita como a capacidade das pessoas em superar dificuldades e se adaptar às mudanças, voltando ao seu “estado normal” após situações-limite ou traumáticas.

De acordo com Giridhari Das, palestrante empresarial e motivacional; economista; autor e instrutor no campo da autoajuda, autorrealização em yoga e consciência de Krishna, a resiliência está associada ao bem estar do indivíduo.

“Resiliência é uma linda qualidade essencial para o bem estar. Significa ter a capacidade de absorver impactos, sem danos. Dobrar, não quebrar. De deixar a força do impacto lhe transformar, mas depois conseguir voltar para seu ponto de equilíbrio, retomando sua harmonia. A vida nada mais é que uma sequência de desafios. E cada desafio traz consigo uma energia que temos que direcionar para nosso crescimento, mas que mal encarada, pode nos quebrar, um pouquinho ou muito. Aí que entra a qualidade da resiliência”.

Afinal, diante de uma situação conflituosa e conturbada, o que você faz? Enfrenta ou foge?

No decorrer da vida, todos nós passamos por situações que muitas vezes nos desestabilizam emocionalmente e, em alguns casos, deixam marcas profundas em nosso inconsciente. Morte, perda de emprego, doenças. Saber lidar com cada uma dessas adversidades afim de superá-las e – mais do que isso – tirar algum aprendizado, são características fundamentais de quem quer voltar a ter um equilíbrio pessoal momentaneamente perdido.

Viktor Frankl, psiquiatra que sobreviveu a quatro campos de concentração durante a Segunda Guerra, foi um dos primeiros a tratar do tema, sendo ele uma pessoa altamente resiliente. Em seu livro “Em busca de sentido”, Frankl escreveu que “mesmo nas situações mais absurdas, dolorosas e desumanas, a vida tem um significado em potencial e, portanto até o sofrimento tem sentido”.

Para Giridhari, “a pessoa resiliente consegue lidar bem com desafios sem se desgastar, sem sair pior. Pelo contrário, crescendo e se fortalecendo”.

Há quem acredite que a resiliência é uma característica de nascença, visto todas as superações que enfrentamos desde nossa concepção. No entanto, essa capacidade pode ser melhor desenvolvida em qualquer fase da vida. A resiliência não é uma característica que você possui ou não: há graus variados de como o indivíduo consegue lidar com situações limitantes. Do ponto de vista de Das, há dois elementos essenciais na busca do desenvolvimento para adaptação ao caos. São eles: o Mindfulness e o Dharma.

“Mindfulness significa estar ciente, estar consciente de sua consciência e ser capaz de experimentar um pensamento, uma sensação ou uma ação externa por completo. (…) O Dharma (para a resiliência) se baseia na essência e no dever. O dever pode ser algo imposto. A essência não pode ser imposta. Dharma, portanto, é aquele dever que nasce de quem você realmente é, que nasce de sua natureza. Não é uma imposição externa ou social. É o que você precisa fazer, em qualquer dado momento, para ser a melhor pessoa que você pode ser”.

Para ele, esses dois termos unidos são valiosos para desenvolver a resiliência em nosso ser:

“Quando estamos praticando mindfulness e focados em nosso dharma, naturalmente vemos nossos desafios como partes essenciais de nosso caminho e assim temos a força natural para absorver os eventos como parte de algo maior, mais importante e mais bonito, que é nossa vida e nossa jornada espiritual”.

Seja qual for a situação, a aflição, ou o obstáculo, é importante as pessoas terem em mente que podem, sim, superá-los e seguir com seus propósitos de vida. Acreditar que todo dia é uma chance a mais de recomeçar e que a vida se baseia em fases podem ajudar a enfrentar situações desfavoráveis.

“O ideal é criar um novo paradigma, uma nova forma de encarar a vida, que começa com o princípio que a vida é bela e tudo que acontece é para nosso bem-estar último. E o alerta é não cair na armadilha do vitimismo, de se sentir vítima dos eventos da vida”, finaliza Giridhari.

(Foto: Reprodução)

Resiliência no mercado de trabalho

Se no dia a dia ser resiliente é importante para passarmos por essa existência superando obstáculos e sendo mais felizes, no campo profissional a ideia não muda muito.

O termo resiliência é cada vez mais utilizado no mercado de trabalho porque, atualmente, a maioria das empresas busca por profissionais que consigam trabalhar sob pressão, usem a criatividade para superar problemas e sejam flexíveis.

De acordo com a consultora organizacional e sócia-proprietária da ConsultaRH – Coaching e Treinamentos Alessandra Fonseca,

“a resiliência faz com que possamos obter resultados positivos de forma mais eficiente, mais rápida e mais adaptada. Se uma organização passa por uma mudança, por exemplo, um profissional resiliente passa pouco tempo reclamando ou dizendo que as coisas não darão certo; ele analisará os cenários, pensará em novas estratégias e logo já estará adaptado e, principalmente, trazendo resultados”.

É importante ressaltar, também, que as empresas não procuram apenas funcionários resilientes. Um empreendimento, para se manter no mercado em tempos de crise e futuro incerto, precisa desenvolver ele mesmo a resiliência: ser capaz de enfrentar contratempos e superá-los. Mas, claro, isso só será possível se a base – ou seja, os funcionários – já tiverem essa capacidade trabalhada.

Para desenvolver a resiliência no ambiente de trabalho de uma maneira mais fácil, o professor de pós-graduação em Gestão estratégica de pessoas da escola de Engenharia da UFRJ e líder na ALD Consultoria, André Dametto, dá algumas dicas:

“Antes de tudo (a pessoa) deve desenvolver seu autoconhecimento e reconhecer suas vocações, fraquezas, oportunidades e ameaças. Com essa consciência fica mais fácil identificar em que contextos teremos mais chances de ser resilientes. Além disso é importante a empatia com o outro nas situações de conflito, e para isso a capacidade de comunicação e criatividade de soluções fazem a diferença”.

Para Alessandra, uma pessoa resiliente é eficiente, rápida, mais otimista, adaptável, possui maior inteligência emocional e flexibilidade, itens básicos que fazem uma empresa ir para frente.

E, se você gostaria de melhorar sua capacidade de superar obstáculos e aprender com eles para sua carreira deslanchar de vez, aqui vai um mini tutorial do consultor André Dametto:

  • Reconhecer as vocações
  • Perceber sinais e oportunidades para transformar adversidades em conquistas
  • Conceber um propósito inspirador e que ajude a superar as adversidades
  • Desenvolver novas crenças e atitudes no dia a dia
  • Planejar o projeto de mudança com objetivo e prazos junto de pessoas com o mesmo propósito
  • Executar o plano na prática
  • Reconhecer os resultados obtidos e novos talentos desenvolvidos
  • Compartilhar as lições aprendidas.