2017 foi um ano intenso para a moda e para a beleza. Como há muito não faziam as grifes fashion assimilaram a cultura pop em suas criações e trouxeram a cultura do rap, do hip hop e a cultura urbana de uma forma geral para as passarelas. Além disso, a diversidade esteve mais presente do que nunca no mundo da moda. E quando se fala em diversidade, se fala em todos os aspectos: diversidade de corpos, de gênero, cor, opção sexual e cultural.

Tanto dentro quanto fora do país, a moda debateu a importância da representatividade dos grupos minoritários. E a partir desta reflexão surgiram ideias e coleções que só acrescentaram na moda como a base da Fenty Beauty com 40 tons de base para que ninguém fique de fora ou o maravilhoso desfile da LAB na SPFW com corpos diversos celebrando a cultura negra.

2017 também foi o ano de pensar mais intensamente a sustentabilidade no mundo da moda. O slowfashion, uma moda consciente de toda a cadeia produtiva das peças, entrou para o vocabulário da moda bem como o veganismo, não só na alimentação, mas também no consumo de roupas e maquiagens. Campanhas como a de Vivienne Westwood no lixão nos fez pensar mais seriamente sobre nossos hábitos de consumo e descarte. Marcas como a Ahlma de Andre Carvalhal, com produtos sustentáveis e com os lucros, gastos e especificações de produção das peças no site deixaram a moda mais consciente e transparente.

Falando em Carvalhal, impossível fazer uma retrospectiva do ano de 2017 sem falar na Malha, um espaço de coworking e moda colaborativa para pequenas marcas. A moda colaborativa, aliás, foi uma das marcas registradas deste ano de 2017. Se falam que os millenials são individualistas através dessa onda dos collabs eles tentam provar o contrário: colaborações entre marcas, estilistas e estilistas e celebridades é cada vez mais comum o que só faz a moda crescer – afinal, duas cabeças sempre pensam melhor que uma.

Mas não só de flores foi feito 2017 na moda.  Se no mundo do cinema surgiram diversos casos de abuso e assédio sexual, infelizmente no mundo fashion não foi muito diferente. Em outubro deste ano a modelo nova-iorquina Cameron Russell lançou a hastag #MyJobShouldNotIncludeAbuse (“Meu trabalho não deveria incluir abuso”). Em dias, dezenas de casos de abuso sexual sofridos por outras modelos foram denunciados através do instagram de Cameron. Em dezembro o fotógrafo fashion Bruce Weber foi denunciado por abusar sexualmente do modelo Jason Boyce.

Pelos bons e pelos maus motivos 2017 foi um ano agitado no mundo da moda. Neste ano foram lançadas algumas tendências que duraram bastante e outras que marcaram o ano, mas rapidamente vão sair do circuito. Para relembrar o que houve de mais marcante na moda e na beleza, nós separamos 7 marcas que dominaram o mundo fashion neste ano:

Gucci 

Foi a marca mais procurada no Google neste ano. Apesar de ter quase 100 anos, a Gucci consegue se renovar e neste ano mais do que nunca esteve em contato com a cultura jovem. Bastante absorvida pelo hip hop, a marca dá nome até a um rapper que tem estourado nos EUA, Gucci Mane. Sandálias slide, camisetas com o logo e grandes óculos com brilhantes foram apenas algumas das tendências lançadas pela Gucci neste ano. 2017 foi o momento em que a grife italiana desceu do salto e compreendeu que também pode ser pop e ser chic – neste ano Gucci brincou com suas próprias falsificações lançando camisetas, suéteres e bolsas com aplicações brilhantes com o nome da marca escrito errado.

Fenty Beauty

Rihanna não lançou nenhum álbum neste ano. Mas nem por isso deixou de estar na lista dos cantores mais influentes de 2017. Deixando o lado musical um pouco de lado, a musa entrou de cabeça no mundo da moda e da beleza. Uma das anfitriãs do MET Ball 2017, Rihanna arrasou nas passarelas do NYFW em março e em outubro com suas criações pela Puma. Em setembro surpreendeu o mundo inteiro com sua marca de maquiagens Fenty Beauty. Nenhuma outra grife beauty levou a diversidade tão a sério: Rihanna criou 40 tons de base e uma coleção de batons com cores que caem bem em todo tom de pele. Revolucionária!

Balenciaga 

Sem dúvidas este foi o ano de Demna Gvasalia. O estilista entendeu melhor que ninguém a ideia de trazer a cultura pop de massa para a moda. Parece absurdo, mas foi ele o criador do tênis feio – feio até no olhar de seu próprio criador – mais vendido no mundo e pelo hype das roupas com mangas longuíssimas. Também é da Balenciaga o sapato de salto alto monocromático com uma meia “embutida”.

Vetements 

Se formos falar do ano meteórico de Gvasalia é impossível também não colocar nesta lista sua marca própria a Vetements. Bem como na Balenciaga, ele traz a cultura pop para as passarelas, mas vai além: traz também outra tendência do ano, a alfaiataria desconstruída e a cultura dark, através de casacos de bandas de rock e looks punk.

Supreme

A Supreme facilmente é eleita a marca hype de 2017. Ela existe desde 1994, mas foi neste ano que ficou conhecida no mundo todo, principalmente por causa de sua inesperada parceria com a Louis Vuitton. Hoje, a marca de skatistas nova-iorquinos é imitada e falsificada em vários países, mas nem por isso perde seu caráter de exclusividade: tem peças limitadíssimas em apenas uma loja e dispensa desfiles ou anúncios pagos.

Yeezy 

Se o ano é da cultura de massa e hip-hop não tem como deixar a marca de Kanye West de fora. O rapper foi um dos responsáveis pelo hype dos moletons e peças oversized que dominaram 2017. Cores neutras e looks despojados se contrapuseram ao logo mania da Supreme, Gucci e Balenciaga, mas nem por isso deixou de sintetizar o ano de 2017. Kanye também inovou na forma de divulgar suas coleções: nada de desfiles ou anúncios tradicionais a divulgação da última coleção da Yeezy foi somente através de fotos de Kim Kardashian vestindo as roupas clicadas pelos paparazzi e postadas no instagram da socialite.

Too Faced 

O clima pop de 2017 combina muito bem com o humor da too faced. A marca de maquiagens que começou a ser vendida no Brasil neste mês tem o melhor rímel do mundo (e também o com nome mais criativo, “better than sex”). Com embalagens e layout bem criativo as maquiagens chegam a parecer de brinquedo, mas com qualidade de adulto.