Sankofa é o nome de um pássaro oriundo da riquíssima mitologia africana, seguramente mantida pela tradição oral que marca a poesia e a literatura deste continente. A própria história da ave que possui duas cabeças, uma representando o passado, nos remete a voltar atrás pelo que esquecemos, ou do que jamais podemos esquecer.

Trilhando 9 (nove) países africanos, os idealizadores do projeto percorreram diversas regiões que protagonizaram o tráfico de escravos, dentre elas, algumas localizadas em nações pertencentes a ocupação territorial por Portugal, tais como Angola, Guiné- Bissau, Cabo Verde e Moçambique da onde saíram famílias inteiras traficadas rumo ao Brasil.

A exposição, que tem como tema a memória da escravidão na África, torna cada vez menor o que nos distancia dos nossos ancestrais. As fotografias documentam os costumes dos locais visitados, quase um espelho dos hábitos brasileiros.

A mostra, fruto do trabalho fotográfico de Cesar Fraga leva o nome de ” Sankofa: Memória da Escravidão na África” apresentando  materiais de diversas linguagens, dentre eles fotos e textos.

Em cartaz até 22 de dezembro na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, de terça-feira a domingo, a exposição é grátis.

 Quem é que não se lembra

Daquele grito que parecia trovão?!

– É que ontem

Soltei meu grito de revolta.

Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,

Atravessou os mares e os oceanos,

Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,

Não respeitou fronteiras

E fez vibrar meu peito…

 

Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,

Confraternizou todos os Homens

E transformou a Vida…

 

… Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,

Que não transpôs o Mundo,

O Mundo que sou eu!

 

Ah! O meu grito de revolta que feneceu lá longe,

Muito longe,

Na minha garganta!

Na garganta de todos os Homens”

 

(Poema de Amílcar Cabral)


Por Susana Savedra