A gravidez que mais tem repercutido na mídia nas últimas semanas é da cantora Beyoncé, sem dúvidas. Mas tem outra grávida que merece destaque. Com tantas celebridades grávidas nada mais justo que escrever este texto na semana do Dia das Mães.

Estamos falando de Serena Williams, grávida de 25 semanas e campeã do Austrália Open, disputado na primeira semana de fevereiro. E aí, fez as contas? Se fez, percebeu que sim, ela disputou um torneio de tênis com 10 semanas de gravidez. Só com isso a tenista que é a atual número 1 do mundo, mesmo sem jogar desde janeiro, já quebra um tabu. Ignora os estereótipos de fragilidade da mulher e da gestante.

Agora, ao que se nota, a atleta de 35 anos parece estar curtindo ao máximo sua gravidez. Mas quando o bebê nascer, Serena tem mais um tabu para romper: o das mães atletas.

Aparentemente não há razões físicas para que ela pare de jogar depois de ser mãe, até porque antes da gestação estava em sua melhor fase. E é provável que volte a ativa já na próxima temporada. Contudo, são poucas as tenistas que voltaram a jogar depois de terem dado a luz. E menos ainda as que obtiveram sucesso no retorno às quadras.

Somente uma mulher conseguiu conquistar um Major de tênis depois de se tornar mãe. Foi a belga Kim Clijters, hoje já aposentada. Kim chegou a se afastar do esporte para ter seu bebê. Contudo, quando voltou ganhou o US Open em 2009 e em 2010, além de ter sido a campeã do Australia Open em 2011. 

Apesar de todos os seus títulos, é bem claro que Serena tem mais visibilidade do que Kim. A americana já fez pontas em alguns filmes, tem sua própria marca de roupas e é a atleta mulher mais bem paga do mundo. Por todos esses motivos, se Serena voltar às quadras depois de sua gravidez, será uma inspiração para milhares de mães atletas profissionais e amadoras.

Ainda que Serena volte às quadras e rompa mais esse tabu, isso não será nem de longe o maior ato de representatividade que a tenista já fez. Serena é uma voz ativa não só do movimento negro e como também do feminista. Isso porque é constantemente alvo de ofensas racistas e machistas.

O mais emblemático episódio foi em “Indian Wells” quando ela recebeu ataques racistas da torcida enquanto competia, ataques que a fizeram ficar 14 anos afastada da competição. E até hoje ela recebe apelidos racistas e machistas vindo tanto da mídia quanto dos colegas esportistas.

O caso mais recente foi o do ex-tenista e hoje capitão da seleção romena feminina de tênis Ilie Nastase. O romeno disse “Vamos ver de qual cor será. Chocolate com leite” explicitamente falando sobre o filho de Serena Williams com seu noivo Alexis Ohanian, que é branco.

Mas Serena, como é de seu feitio, respondeu à altura e divulgou em seu Instagram uma mensagem que mostra porque ela é muito mais do que a número 1 do mundo.

Me decepciona saber que nós vivemos em uma sociedade onde pessoas como Ilie Nastase possam fazer tais comentários racistas contra mim mesma e minha criança que vai nascer, e os comentários sexistas contra minhas colegas.

Eu disse uma vez e direi outra vez, esse mundo chegou muito longe, mas nós ainda temos muito pela frente. Sim, nós quebramos muitas barreiras – no entanto, existe muitas outras por vir. Isso ou qualquer outra coisa não vai me impedir de espalhar amor, luz e positividade em qualquer coisa que eu faça. Continuarei a assumir uma liderança e me erguer pelo que é certo.

Eu não tenho medo, diferente de você. Você vê, não sou uma covarde.”

Serena Williams, com certeza, será uma mãe excepcional. Um verdadeiro exemplo para o seu filho.