Esta é a semana do “Dia Internacional das Mulheres”. Esta é uma coluna de moda. Escrever sobre Chanel é clichê. Não escrever sobre Chanel é um sacrilégio. São cinco filmes e alguns muitos livros, mas nada parece ser suficiente par contar a vida de Gabrielle Chanel.

Chanel é elegante, mas ganhou seu apelido, “Coco”, por cantar “Qui qu’a vu Coco” enquanto trabalhava em um cabaré. Chanel já vestiu rainhas, cantoras, atrizes e milionárias das mais diversas, mas vendeu suas primeiras peças para operárias de fábricas francesas. Chanel é feminina, mas foi a primeira a incorporar elementos do guarda-roupa masculino como calças, tweeds e o próprio corte de cabelo bem curto. Chanel é refinada, mas foi a primeira designer a mesclar bijuterias e pedras de resina com diamantes verdadeiros em uma única joia.

A estilista mais famosa do mundo veio do nada. Foi órfã de mãe ainda criança e, aos 12 anos, o pai abandonou-a em um orfanato. Depois de quase sete anos em um ambiente religioso e austero, Gabrielle Chanel sai com mil ideias na cabeça. Aos 27 anos abre sua primeira loja de chapéus em Paris, desde esse momento ela despreza as plumas e penas e traz beleza à simplicidade. Vinte anos depois, a grife de Chanel já veste as principais estrelas de Hollywood e Coco é o principal nome da moda.

Contudo, quando a artista de moda estava alcançando o auge, veio a Segunda Guerra Mundial. Ainda que a marca continuasse famosa e mesmo os soldados americanos que estavam servindo na França comprassem seus produtos, Chanel ficou reduzida a apenas uma loja.

Nove anos após o término da Guerra, a estilista francesa decide reabrir sua Maison de costura. Aos 71 anos, Coco ousa novamente e está disposta a continuar sua caminhada de livrar as mulheres dos espartilhos, dos vestidos longuíssimos e dos sapatos desconfortáveis. Apesar de ser quem era, Chanel foi duramente criticada pela imprensa européia em sua volta à moda. Diziam que ela estava “velha demais” para criar como antes.

Erro deles. Se não conquistou a imprensa do velho mundo, no novo mundo todos estavam encantados com a elegância da grife. A fashionista trabalhou todos os dias para consolidar seu império até o dia de sua morte. Gabrielle Chanel morreu 10 de janeiro de 1971, o único dia em que não trabalhou.

Chanel morreu, mas continua viva em toda mulher que ousa sem ter medo, que renova sem perder seu próprio estilo, que reconhece o luxo da simplicidade e que tem a elegância de ser única. Chanel continua viva também em sua marca, que continua sendo uma das maiores do mundo e que neste ano se dedicará a homenagear sua criadora com alguns vídeos falando sobre Coco, com o lançamento de uma nova bolsa inspirada nos primeiros tempos da loja e com um novo perfume que levará o nome de Gabrielle.