No fundo do poço sem fundo… é que está a mola propulsora

Eis que você acorda e está pronto para mais um dia comum na sua vida: levanta às 7 horas, coloca a roupa que já separou no dia anterior (vale a dica: sério, facilita muito a vida!), toma café na padaria da esquina, vê as notícias da manhã na televisão e vai para o trabalho. De repente, o inesperado: seu chefe te chama na sala dele e te dá a notícia de que seu cargo não é mais seu: você está demitido.

Ou então, acontece do seu marido/esposa olhar nos seus olhos um belo dia e dizer que quer o divórcio. Mais que isso, infelizmente você foi notificada de que possui uma doença grave e precisará fazer um tratamento.

O que essas situações têm em comum?

Em todas ficamos frente a frente com aqueles momentos de choque, em que a vida dá um jeito de ser inesperada (tal qual ela sempre foi) e você já sabe que muita coisa vai mudar a partir de então. É a famosa chacoalhada que já te adianta: segura que vem tiro, porrada e bomba por aí.

De “empregada” você passa para o status de “desempregada”. Se antes você era casada, agora não é mais. Se antes era saudável, agora também não é mais.

E tudo isso acontece em um segundo de fração de tempo. Aí que vemos o quanto somos instantes e nossa vida é efêmera.

É muito comum que nessas horas sintamos que o chão se abriu debaixo de nós e aquela teoria de que o “fundo do poço” é o mais baixo que você pode alcançar se dissolve rapidamente: nesses momentos, parece que nem o poço tem fundo. Estamos em queda livre para um lugar pior que o fundo do poço.

Mas, como, então, sobreviver a esses percalços da vida sem se deixar abater?

Há um poeta sufi – quem segue a corrente sufista do Islão – chamado Rumi que, em um de seus escritos, diz que “a ferida é o lugar por onde a luz entra em você”. É certo que, em nossa vida, não desenvolveríamos força e resiliência caso nada acontecesse. Afinal, de que valeria toda essa corrida pela qual participamos desde que viemos ao mundo?

É certo que, para isso, não precisaríamos ter que vivenciar nenhuma dessas situações ruins. Sofrimento não é legal em nenhum momento da vida e, claro, se pudéssemos, pularíamos essa parte na maior boa vontade. Mas, já que elas existem, e em qualquer momento baterá em nossas portas, o que fazer senão encará-las de frente e tirar o melhor delas?

Já que a ferida está aberta, porque não aproveitar para deixar entrar por ela essa luz transformadora e curativa que existe? São nesses momentos de ápice que voltamos à nossa formação original como ser humano e nosso instinto de sobrevivência e adaptação entram em campo.

E aí, vai lutar ou deixar te vencerem nessa batalha?

Se você está em queda livre nesse tal fundo do poço agora, só te digo uma coisa: está tudo bem. De uma forma ou de outra, agradeça. Isso será fruto de uma transformação pessoal engrandecedora para você, acredite.

O que você fará a partir dessa situação é o que definirá o seu eu do futuro. E o futuro já está aí, no seu próximo jantar, no dia de amanhã que nascerá, na sua próxima escolha. Como será seu novo futuro?

Quem você quer ser daqui há um tempo?

Que venham todos os tiros, porradas e bombas. Tá tudo bem!

Todos os dias, temos uma nova manhã de braços abertos para nos receber. É uma oportunidade nova. Abrace-a! Tá tudo bem!

Como existiriam as borboletas se não fossem as misteriosas metamorfoses?