Depois do muitos eventos esportivos que o país sediou, algumas instituições, se aproveitaram da oportunidade mais do que as outras, pelo menos em parte. O futebol foi uma delas. Alguns dos principais clubes do país construíram ou modernizaram seus próprios estádios de futebol, e passaram a pensar no torcedor como um ingrediente a mais para aumentar as receitas das equipes. E parece que vem dando certo. O investimento nos programas de sócio-torcedor tornaram-se uma receita, que há 10 anos era quase dispensável ou fundamental.

No Brasil, os pioneiros nesse novo modelo de arrecadação foram os dois maiores times do Rio Grande do Sul: Internacional e Grêmio. Durante anos, as duas equipes dominaram as primeiras posições entre as equipes com maior número de sócios. Em 2010, o segundo jogo da final da Copa Libertadores entre Internacional x Chivas Guadalajara do México, no estádio Beira-Rio, casa do Colorado gaúcho, teve mais de 40 mil torcedores. Sendo a maioria, sócio do clube. Mas, após a Copa do Mundo do Brasil de 2014, esse tranquilo reinado veio à baixo.

As três maiores equipes da capital paulista (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) aproveitaram a barca do mundial e ampliaram seus modelos de sócio torcedor. E o crescimento é de assustar. Vamos destrinchar cada caso:

  • Palmeiras

Em 2013, um ano antes da Copa do Mundo, o Palmeiras registrava 40 mil sócios participantes do programa da Avanti Palmeiras, número que mais que quadruplicou, se comparado ao ano anterior em que obtinha 9 mil sócios. O crescimento do Palmeiras nos últimos quatro anos teve alguns fatores a ser considerado. O valor do programa Avanti, é um dos mais baratos, se comparado aos principais concorrentes. O plano mais barato custa R$ 14,99. Outro ponto que faz o caso do Palmeiras ser um sucesso é o novo estádio. Com a inauguração do Allianz Parque em 2014, os torcedores do Verdão voltaram a ter uma casa própria, mais moderna e com a  marca Palmeiras em todo lado.

O Allianz Parque caiu nas graças do torcedor alviverde, tanto que a média de público do clube tornou-se uma das mais altas do Brasil. O terceiro grande fator é o atual momento da equipe. Desde 2013, ano em que conquistou a Série B e retornou a primeira divisão nacional, o Palmeiras conquistou títulos importantes como a Copa do Brasil (2015) e o Brasileirão (2016). Além disso, o investimento do clube na contratação de grandes jogadores impulsionou o programa de sócio-torcedor do clube.

E o resultado: Em fevereiro, a equipe assumiu a liderança com 126.355 associados, quase 11 mil a mais que o segundo colocado, o Grêmio. O clube arrecadou mais de 40 milhões em receitas de sócio no ano passado.

  • Corinthians

Quem também aproveitou o embalo da Copa no Brasil foi o Corinthians. A torcida teve como presente o sonhado estádio, construído, em meio à polêmicas para ser o representante do estado de São Paulo na competição. Com a inauguração do “Itaquerão”, o Corinthians conseguiu alavancar o número de sócios torcedores.

Em 2013, o clube tinha 43 mil sócios. Quatro anos depois, a equipe tem 102.045 sócios. Apesar de ter o número elevado de associados, o Corinthians vem tendo uma queda considerável nesse número devido ao atual momento em que a equipe está passando dentro e fora de campo. Mesmo assim, o clube ainda é o quinto maior em sócios. Além do estádio, outro atrativo é o baixo valor do programa corintiano. Com apenas R$ 9,99 é possível ser um membro associado do clube. Contudo, o valor mais baixo no programa traz consequências. Em 2015, o Timão arrecadou pouco mais de 9 milhões de reais com o programa Fiel Torcedor.

  • São Paulo

Em 2016, não houve clube no Brasil que mais cresceu em associados do que o Tricolor paulista. Ao todo, a equipe terminou o ano passado com 113.115 sócios, chegando ao terceiro lugar nacional. Muito do seu crescimento se deu pela reformulação do programa, que proporcionou mais benefícios aos torcedores, e o aumento na procura de ingresso para Libertadores, competição em que a equipe chegou às semi-finais. Para ter uma noção melhor, em 2013, o clube tinha 19.855 sócios, ocupando a remota 12ª colocação.

O mais surpreende ao ver todos os dados relacionados aos associados dos clubes brasileiros é ver a ausência do clube mais popular do país, o Flamengo, entre os  cinco primeiros. Vamos destrinchar o caso rubro-negro que tenta ampliar seu programa com uma nova campanha:

  • Flamengo

Intitulado de “Isso aqui é Flamengo”, a nova campanha do projeto sócio torcedor da equipe carioca pretende atrair ainda mais adeptos ao clube mais popular do país. Se no campo esportivo o tamanho da torcida rubro-negra é inegável, fora dele, o clube ainda não conseguiu estar entre os primeiros no número de associados. Com mais de 35 milhões de fãs, apenas 88.120 são associados, um número bem abaixo do potencial que o clube pode render. E uma das explicações para esses números, longe da expectativa criada em relação ao tamanho dos apaixonados pelo rubro-negro, é a falta de um programa mais atrativo para os torcedores que moram fora do Rio de Janeiro. Esse, aliás, é o ponto que vai ser mais trabalhado na nova campanha lançada. Outro fator que explica o baixo crescimento do Flamengo é falta de um estádio. Não ter uma casa definitiva, é prejudicial em comparação com os rivais, já que, a equipe, não pode explorar sua marca e nem de parceiros. Ao contrário do Palmeiras, por exemplo, o Flamengo ocupa a 6ª colocação no ranking nacional.