Hoje na coluna “+Tv” vamos falar de uma série que não anda repercutindo muito, mas que vale a pena ser citada por aqui, por alguns motivos em específico. Como ela ainda está em andamento, essa não será uma crítica, que virá mais tarde com o término da mesma, mas as primeiras impressões passadas pela nova produção musical da Fox, “Star”.

Quem é mais sintonizado no gênero musical, sabe bem que existem poucas produções que seguem essa linha. Com exceção de séries destinadas ao público infantil, não é muito costumeiro termos com frequência produções musicais. Entre alguns títulos, nós temos “Nashville”, “Galavant”, Crazy Ex-Girlfriend, Sexo, Drogas e Rock n’Roll, Empire e, talvez, a mais famosa “Glee”, também exibida pela Fox.

O sucesso de “Glee”, criada pelo Ryan Murphy, foi tão grande que, se pararmos para analisar, a Fox não demorou muito para lançar uma nova aposta musical. Primeiro foi o “Empire” que citamos acima para depois chegar “Star”. Ao contrário de seu antecessor teen, que também focava na vida de seus jovens protagonistas, a série aborda uma história mais pesada e madura sobre o showbiz e seus envolvidos. Mesmo com alguns defeitos técnicos facilmente reconhecidos, eles não são capazes, diretamente, de tirar o brilho da produção que até agora consegue ter força para se sustentar, só não sabemos e não podemos afirmar por quanto tempo.

O título da série é o mesmo nome dado a protagonista. Star (Jude Demorest) é uma jovem que foi criada por várias famílias depois da morte precoce de sua mãe, Mary (Caroline Vreeland), por uma overdose. Separada de sua irmã, Simone (Brittany O’Grady), pelo “sistema” de adoção, após conhecer Alexandra (Ryan Destiny), uma jovem cantora e compositora, pelo Instagram, ela decide encontrar sua irmã e ir para Atlanta, para montarem um grupo formado pelas três meninas e alcançarem o estrelato. Porém, já sabemos que nada será fácil.

Para começar, quando Star encontra Simone, ela descobre que sua irmã sofre abusos sexuais de seu pai adotivo, Otis (Darius McCray), e para salvá-la esfaqueia-o e ambas fogem para Atlanta, onde passam a viver em uma comunidade negra, na casa da cabeleireira Carlotta (Queen Latifah), que era amiga pessoal de Mary e há anos buscava o paradeiro das meninas após não ter tido condições de criá-las no lugar da mãe.

Não suficiente, porque drama nunca é demais, Alexandra é filha de um famoso rock star, Roland Crane (Lenny Kravitz), que não se importa com a família nem com o sonho da filha, e uma frustrada e alcoólatra mãe, Rose Crane (Naomi Campbell). Carlotta por sua vez também tem um passado e um presente interessante a se desenvolver, pois ela tem um filho trans, Cotton (Amiyah Scott), é apaixonada pelo pastor de sua igreja, Harris (Tyrese Gibson), e no passado era cantora, dividindo o palco com Mary, sendo empresariadas pelo peruano e problemático Jahil Rivera (Benjamin Bratt) que também acaba se tornando empresário de Star, Simone e Alexandra.

Nesse premissa já podemos perceber que inúmeros problemas e circunstancias irão surgir, e nem entramos nos quesitos comportamentais de cada personagem. Focando exclusivamente em seu piloto ou episódio 01, mesmo já tendo assistido aos sete episódios já lançados, eis agora algumas das conclusões que podemos expor sem dar muitos spoilers:

O trio de destaque, embora tenha excelentes vozes, ainda tem muito o que amadurecer se comparadas até mesmo aos atores coadjuvantes e participações especiais. É visível que as meninas tem uma capacidade imensa para fazer de seus personagens, e também a série, um sucesso incrível. Porém, os destaques são de Queen Latifah e o Benjamin Bratt que mostram que experiencia faz sim muita diferença. Se entramos em méritos de ritmo o piloto enfrenta outro problema, tudo acontece de forma muito acelerada ao ponto de não dar tempo nem dos próprios personagens processarem tudo que acontece ao seu redor. Mas calma, que com o tempo isso muda completamente e o drama enfim ganha intensidade.

As músicas que seguem um tom bem Pop/R&B Teen não são desagradáveis e algumas entram até no estilo “chiclete” para podermos cantarolar por aí. Não podemos deixar de citar que ao longo da produção vai sendo explorado na narrativa uma trama muito mais pesada, se tratando dos problemas sociais, e temas como racismo, empoderamento feminino, transfobia e machismo são e serão debatidos constantemente.

A obra de Lee Daniels e Tom Donaghy, teve sua premiere em dezembro do ano passado e oficialmente começou a ser exibida pela Fox esse ano, chegando ao fim brevemente, pois serão somente nove episódios informados oficialmente e à serem exibidos. Mesmo tendo muitos problemas de produção, desde o roteiro até a execução,“Star” pode sim ser sem um novo hit para os “série maníacos” de plantão.