Como diria Umberto Eco, a Internet deu voz aos imbecis. Há quem concorde e há quem ache esse pensamento um absurdo. Fato é que a democratização das redes sociais contribuiu – e muito – para a proliferação de notícias falsas, ou seja, aqueles famosos boatos. E hoje, você vai aprender a identificar um conteúdo verdadeiro para que não caia nessas pegadinhas virtuais.

Certa vez, uma menina, na faixa dos 20 anos compartilhou uma notícia no Facebook dizendo que usar sutiã de enchimento poderia ser considerado comercial enganoso. Revoltadíssima, ela fez um textão pulverizando críticas e, naturalmente, o post teve muito engajamento: polêmica pura!

Porém, com menos de dez segundos de leitura dava para perceber que se tratava de uma piada, desses sites que usam o jornalismo para fazer humor. O problema é que não era o Sensacionalista, então, o sentido cômico passou despercebido. Porém, no canto superior direito da página, havia uma referência explícita e bem clara à comédia. Ou seja, qualquer um que abrisse a notícia saberia que não passava de uma brincadeira.

Com tudo isso, ficou nítido que nem ela que publicou o link, nem as várias pessoas que o comentaram, sequer abriram a notícia para ler. De fato, o título parecia verídico, mas às vezes, não se trata exatamente de uma piada, mas de uma matéria, estrategicamente publicada para prejudicar a imagem de alguém, sem o menor compromisso com a verdade. Ou, até mesmo, para causar temor social.

Lupa

Nesses casos, quando estiver certo de que não é uma piada, procure analisar a credibilidade do veículo. Jornais tradicionais são mais confiáveis do que qualquer blog. Mas se você é desconfiado mesmo, e não acredita em qualquer notícia, mesmo ela sendo publicada por veículos conceituados, vale uma dica: além de verificar a data de publicação do conteúdo, tente entender como foi feito o processo de apuração.

Se for um caso polêmico: foram ouvidos os dois lados da história? Se for uma pesquisa: qual instituto realizou o levantamento e qual o interesse da empresa por trás dele? Se for uma pesquisa de opinião: quem foi ouvido? Homens? Mulheres? De que classe social? Com que escolaridade? Com que inclinação política? Se for uma fala polêmica de uma figura pública: de qual contexto aquela fala foi retirada?

O último exemplo é muito comum. Geralmente, vem acompanhado de vídeo de determinada pessoa falando algo polêmico, o que leva todos a crerem que aquilo é verdade. A questão é que se alguém diz “Pra mim, aquele não é lugar de mulher”, pode estar se referindo tanto ao mercado de trabalho, quanto banheiro masculino, por exemplo. Logo, quando um trecho da fala de alguém é retirado do seu contexto, ele perde MUITO do seu sentido.

E isso é responsabilidade sua também: “Na dinâmica das redes sociais, as pessoas têm tanta ou mais responsabilidade que os veículos em determinar qual conteúdo terá mais ou menos visibilidade por meio do compartilhamento”, disse Marcio M. Ribeiro, professor da USP e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação da universidade, em entrevista ao site Nexo.

Ainda como publicou a página eletrônica, “Quando recebemos, por meio das redes sociais, o link de uma matéria que confirma nossa visão de mundo, temos mais chances de ignorar possíveis evidências de que ela seja falsa”. Portanto, antes de compartilhar, procure conferir a veracidade do conteúdo. Não compartilhe notícias falsas. Veja se outros veículos também publicaram conteúdo sobre o mesmo assunto. E, principalmente, leia mais do que só o título antes de compartilhar. Essa prática vai te ajudar até mesmo a desenvolver seu senso crítico. É bom pra você e pra sociedade.

Por Juliana Reche Swerts