O Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues recebe, de 2 a 19 de novembro de 2017 (quinta a domingo), sempre às 19h, o espetáculoO Filho do Presidente”, o primeiro texto do premiado dramaturgo americano Christopher Shinn a ganhar montagem no Brasil. A peça, que tem direção de Marcus Faustini e tradução de João Polessa Dantas, é um drama político e familiar com doses de humor que traz à tona temas como liberdade de expressão, sexualidade, privacidade, fundamentalismo religioso e a luta pelos direitos das pessoas LGBT. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

Com 45 anos de carreira, Anselmo Vasconcelos interpreta John Sr., um candidato à presidência dos Estados Unidos que vive uma conturbada relação com seu filho John, um jovem gay universitário vivido por Felipe Cabral. Ambientada na sede do Partido Democrata, em um hotel no sul dos EUA, a trama transcorre, em tempo real, na noite da apuração dos votos. O drama familiar se instaura quando fotos polêmicas de John numa festa são divulgadas na internet: ele vestido de Maomé e seu melhor amigo Matt (Hugo Lobo), de Pastor Bob, um pastor evangélico que seria aliado do futuro presidente.

A partir desse momento, John fica sob crescente pressão do pai, forte candidato a vencer as eleições, da mãe, Jessica (Ingra Lyberato), e dos assessores do partido – o judeu Marc (Rodrigo Candelot) e Tracy (Vanessa Pascale) – para que ele faça um pedido público de desculpas. Enquanto os personagens entram e saem do quarto onde John está com Matt, a fragilidade e as mágoas dessa relação familiar vão sendo reveladas.

“É muito bom fazer um texto com essa qualidade dramatúrgica e com temas relevantes. A peça é muito atual: evangélico, muçulmano, gay, eleição, um vídeo que viraliza”, destaca o diretor Marcus Faustini. “Tem muito rancor e ressentimento nessa família. O filho tentou se matar quando era bem jovem. Os pais sempre colocavam a agenda política na frente de tudo”, revela.

A peça estreou em 2008, no Royal Court Theatre, em Londres, com o ator Eddie Redmayne (protagonista dos filmes A Teoria de Tudo e A Garota Dinamarquesa) no papel do jovem filho gay do candidato à presidência. Sucesso de público, a crítica inglesa não poupou elogios, e a montagem foi indicada ao prêmio Evening Standard Theatre Award for Best Play.

Idealizador da montagem, o ator, roteirista e diretor Felipe Cabral tomou conhecimento da obra de Christopher Shinn numa conversa com um amigo. “Ele me indicou outro texto dele, Teddy Ferrara, sobre um garoto gay que se mata na escola. Comprei o livro e comecei a ler. Logo depois, numa viagem para Nova York, aproveitei para conhecer outras peças dele”, lembra Felipe. “Comprei Now or Later, mas só fui ler dias depois do ataque terrorista ao jornal francês Charlie Hebdo. Fiquei impressionado. Parecia que ele tinha escrito o texto naquele momento do atentado, em 2015, e não em 2008”, conta o idealizador.

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