Independentemente de ser em 1958 e não ter tantos vizinhos intrometidos, “The Marvelous Mrs Maisel”, criada pelo casal Palladino, lembra “Gilmore Girls” em muitos pontos. A escolha de ter uma protagonista com pensamentos revolucionários, ser divertida e falar rápido, além de ter um gosto único para roupas, é a zona de conforto de Amy Palladino. Contudo, por mais que tenham inúmeras características semelhantes e possíveis de se fazer um paralelo, a obra criada para a Prime Video tem, assim como a história da mãe e filha de Stars Hollow, sua originalidade e capacidade de atrair o telespectador.

A criatividade de diálogos dos dois já era nítido no produto do canal americano CW e, definitivamente, a linha de raciocínio e desenvolvimento dos personagens continua o mesmo. Ademais, da mesma forma que o sucesso anterior dos criadores continha uma trilha sonora impecável e condizente com o tema, em “The Marvelous Mrs Maisel” é ainda mais mágica, como se fosse possível ser transportado para 60 anos atrás.

A trama gira em torno de Miriam Maisel (Rachel Brosnahan), uma mulher casada de 26 anos, com dois filhos e que, aparentemente, tinha a vida dos sonhos de qualquer garota da época. O marido Joel (Michael Zegen), além de trabalhar no escritório, gosta de testar seu lado cômico nas cafeterias do centro de Nova York. Como uma boa esposa e, ao que tudo indica, do signo de Virgem, Midge – apelido da protagonista – anota todos os detalhes da apresentação e os dois preparam estratégias conforme os resultados. Apesar do comportamento da Sra Maisel ser um clichê feminino da década, em que fica em casa, cuidando dos filhos, preparando a comida para quando o “dono” da casa chegar, assim como Lorelai Gilmore, Miriam não leva desaforo para casa e tem uma personalidade forte.Após um número catastrófico em uma das saídas, Joel resolve deixar Midge e ainda conta sobre o caso que estava tendo com a secretária Penny Pann (Holly Curran). Buscando uma forma de entender o motivo e, até mesmo, desabafar o que estava sentindo, a mais nova solteira do Upper West Side resolve ir até o palco predileto do marido para tentar solucionar o que se passava na cabeça dele. No entanto, mal ela sabia que, esse momento de fúria e álcool seria o início de uma nova perspectiva sobre sua vida e uma possível carreira.

Ainda fazendo um paralelo com a série de Lauren Graham, neste caso, o número de personagens é bem reduzido, mas nada que prejudique o desenrolar dos dramas e das cenas tipicamente engraçadas e únicas. Tanto os pais de Miriam, como de Joel, acham que os filhos irão voltar a ficar juntos e possuem seus traços de personalidade bem definidos.

No caso de Abe e Rose Weissman (Tony Shalhoub e Marin Hinkle, respectivamente), eles continuam com as falas non-sense similares as de Emily e Richard Gilmore, mas com uma pegada à la “Casamento Grego”. Mesmo que Abe não ache que tudo seja consertado com limpa vidros, como é visto no filme citado, ele acha que está certo em grande parte do tempo e não costuma dar muita atenção ao que a mulher diz, por parecer ser baboseiras.Com oito episódios disponíveis na plataforma, finalizando a primeira temporada, Daniel e Amy souberam honrar, novamente, o público feminino, mostrando o poder da voz de uma mulher, sem levar em conta o contexto temporal. É importante relatar, mais uma vez, a transcendência de uma protagonista, exemplificando, ao longo da história, que a escolha de um pensamento crítico e de ser livre, sem necessitar de um homem ao seu lado, é possível em qualquer época e lugar.

Dessa vez, Amy Sherman conseguiu dar a Alex Borstein, que interpreta Susie Meyerson, um papel de destaque, visto que, no seu sucesso anterior, Melissa McCarthy acabou roubando a cena e o lugar como Sookie St. James. Além disso, para compor as reflexões e incessantes referências muito bem estudadas pelos roteiristas, Susie ajudará a carreira de comediante de Midge alavancar, ou, pelo menos, começar a sair da imaginação da maravilhosa Sra. Maisel.