O impacto do consumo exagerado na vida das pessoas e no meio ambiente. Um assunto que já está sendo discutido há um tempinho, mas continua sendo muito atual. O documentário The True Cost”, dirigido por Andrew Morgan, aborda exatamente esse tema. Qual é o real custo do consumismo, da moda descartável? Quem está por traz das camisetas baratinhas que achamos nas lojas?

Morgan comenta que entrou nesse projeto sem nenhum conhecimento do mundo da moda, tinha apenas algumas questões. Sua curiosidade surgiu quando viu uma notícia no The New York Times sobre o colapso de uma de uma fábrica em Dhaka, Bangladesh, que tirou a vida de de 1000 pessoas, além de ferir milhares. Quando foi mais a fundo em sua pesquisa, percebeu que aquele não era um incidente isolado, mas sim um de vários. Conseguiu ver de perto uma parte do mundo que não vemos, mas que estamos ligados indiretamente. Compramos as roupas feitas por essas pessoas, que por sua vez, estão trabalhando em condições precárias e desumanas.

O diretor disse em uma entrevista, disponível no Youtube e no site do próprio documentário, que ele não fez esse longa para gerar a sensação de culpa nas pessoas. Mas para lembrá-las que existe um ser humano por trás do que vestimos, que suas vidas são importantes. Mostrando assim, um outro lado da indústria fashion, aquele que não estamos tão acostumados a ver.

 

O longa abordou a opinião de diferentes pessoas em diversos setores da indústria da moda. Andrew conversou e entrevistou desde trabalhadores das fábricas em Bangladesh, até donos de fábricas, empreendedores, economistas, produtores de algodão e ativistas pelos direitos humanos.

Uma das entrevistas mais “chocantes” foi com a desenvolvedora de produtos da Joe Fresh na época, Kate Ball-Young. Foi a única responsável por uma rede de fast-fashion que aceitou contribuir para o documentário. Em sua entrevista, Kate diz não se importar com as condições dos trabalhadores. Justifica sua fala com o argumento de que pelo menos aquelas pessoas estão trabalhando, e não se envolvendo com coisas muitos piores. Ainda completa que não há nada de perigoso em confeccionar roupas, e que então, essa é uma indústria relativamente segura.

Talvez o ato de confeccionar roupa realmente não seja uma das coisas mais perigosas do mundo, mas quando é feito em um ambiente precário e em ruínas, as consequências podem ser desastrosas, e diversos acidentes podem acontecer, como já comentado acima.

Outra dessas entrevistas, foi com o diretor do Instituto Free Market, Benjamin Powell. Para ele, quando as Fábricas de Suor, nome dado a esse tipo de fábrica têxtil, chegam em lugares, começam um processo de elevação do padrão de vida local. Já que entre todas as alternativas que os habitantes daquela região têm, essas fábricas são as melhores opções.

A boa notícia, é que diversas marcas estão tendo iniciativas para melhorar essa situação e conscientizar os consumidores e os novos empreendedores desse ramo. Elas vão desde mais famosas como Stella McCartney, até outras nem tão conhecidas, como a Patagonia. No site do The True Cost, existe uma seção chamada “Buying Better“, na qual tem todas as marcas que tiveram essa inciativa consciente.

Esse documentário é de 2015, mas o assunto está em alta até hoje, como já foi mencionado. Quem assistiu sabe, é como um “soco no estômago”. Mostra que precisamos ter a consciência de onde nossas roupas vêm e como elas são fabricadas. Te faz parar para refletir sobre todos os hábitos adquiridos durante a vida, e como eles impactam, de certa maneira, no mundo em geral. Quem não viu e se interessou, The True Cost está disponível no Netflix.