The Truth About Forever (a verdade sobre o para sempre, tradução livre) é um delicioso romance para debater o conceito de perfeição.

A personagem principal, Macy, passou recentemente pela perda do pai de uma forma chocante e ainda está tendo problemas em lidar com isso tudo. Esse é só um dos fatores que a deixam desnorteada. O outro é que seu namorado de séculos a deixa para ir a um acampamento de verão para nerds (não é esse o nome, mas vocês entenderam) e parece chocado com o fato de Macy mencionar apenas de leve aquela palavra com a… Perdida entre um trabalho de verão que odeia, uma mãe controladora, o “tempo” dado com o namorado e a constante lembrança do pai, Macy acaba achando um novo rumo e significado pra sua vida num lugar bem incomum… Num trabalho como garçonete.

Apesar dela ter uma vida relativamente perfeita antes – namorado perfeito, notas perfeitas (por causa do namorado perfeito) e trabalho de verão perfeito (que era do namorado perfeito também, diga-se de passagem), é nesse trabalho como garçonete/cozinheira para esse buffet chamado Wish que ela acaba se encontrando. Wish é apenas o que você pode entender como o CAOS. A dona da empresa é a Delia, uma mulher grávida e avoada. As outras empregadas são Kristy – que tem cicatrizes no rosto, se veste com roupas chamativas e fala tudo que pensa – e Monica – que é monosilábica até dizer chega. Também existem os irmãos Wes e Bert que são sobrinhos da dona do buffet e perderam sua mãe faz pouco tempo.

Adianto logo que o Wes é o mocinho da história e também vou dizendo logo que você vai se apaixonar por ele. É meio difícil evitar.  Ele é todo calado e cheio de segredos. Tem um passado meio bad boy, uma tatuagem secreta no braço e depois de um tempo amargurando a morte da mãe, coloca toda sua frustração em forma de arte: ele faz esculturas. A princípio ele e Macy ficam apenas trocando olhares tímidos, sem se falarem muito. Mais aos poucos, depois de conviverem por mais tempo, os dois começam a ficar amigos e passam a maior parte do tempo livre jogando um jogo da verdade, que consiste em fazer perguntas que o outro é obrigado a responder, se não perde o jogo. Achei essa uma forma muito legal da Sarah Dessen passar a aproximação deles sem cair naquela pergunta que me aflige em grande parte dos livros: “mas eles já se apaixonaram?”.

Eu gosto dos defeitos. Eu acho que são eles que tornam as coisas interessantes. (tradução livre)

Tendo que renegar todo seu histórico de “perfeição” que não era no fim das contas perfeição-para-ela, Macy tem que lidar com seu namorado que volta do acampamento para nerds querendo-a de volta, com seu coração batendo mais forte por Wes, com sua demissão do trabalho perfeito na livraria, com sua mãe reclamando do seu trabalho no buffet, entre várias outras coisas. Macy busca se entender e sair pelo menos parcialmente do luto e da ofuscação que tem sido sua vida e prova que a tão procurada perfeição é apenas uma questão referencial.

Por Clara Savelli