Na semana passada aconteceu no Rio de Janeiro o 18º Festival do Teatro Brasileiro, Especial Terceira Idade, o qual possibilitou a divulgação e apresentação de diferentes espetáculos teatrais brasileiros realizados por diretores, produtores e/ou atores da terceira idade, durante quase uma semana. Entretanto o mesmo foi aberto para um diversificado e empolgado público, de todas as idades, que pode se emocionar, arrepiar e rir com belíssimas histórias contadas e que estão ganhando grande destaque ao redor do país. E o melhor de tudo, toda programação foi gratuita.

Entre as atrações promovidas pelo festival tivemos a presença do profundo “Brevidades” dirigido por Marcio Marciano, o impactante “Ensaio Geral” dirigido por Hugo Rodas, “Brasil Pequeno Itinerante” que teve todo o conceito trabalhado por Genifer Gerhardt e o espetáculo de dança e Teatro “Fio A Fio” de Giselle Rodrigues. No primeiro dia, no final da última peça, teve um bate papo super interessante sobre vida e o teatro, com as presenças ilustres de Amir Addad, Maria Alice Vergueiro, Hugo Rodas e Zezita Matos. Os demais dias também tiveram debate, mas envolvendo a platéia e a equipe das peças. Uma delas inclusive, a “Ensaio Geral”, teve uma edição especial em uma de suas exibições com tradução simultânea de libras. Todas as atrações aconteceram no Teatro Dulcina na rua Alcindo Guanabara no centro do Rio de Janeiro.

Estivemos presentes em algumas dessas produções e conferimos de perto toda a organização que envolvia o evento. Além de prestigiarmos determinados espetáculos, também tivemos o prazer de participar de um maravilhoso workshop com o mestre uruguaio Hugo Rodas, que nos proporcionou uma experiência fantástica que levaremos para sempre em nossa carreira e vida. Sendo assim, vamos contar um pouco dessa nossa aventura para vocês, com direito a depoimentos de alguns alunos que participaram conosco da oficina oferecida.hugo rodasEnquanto muitas pessoas cismam em dizer que o Rio de Janeiro (outras preferem apontar o Brasil como todo) não possui oportunidades culturais, que tudo é muito caro e difícil em um momento de crise como esse em que estamos vivendo, outras não perdem tempo e escarafuncham cada canto em busca de alguma chance para poderem estudar ou divertir com o menor custo possível. É claro que tudo está muito difícil, a economia brasileira vem passando por um redemoinho e a nossa política está cada vez mais complicada (Sem querer entrar nesses méritos). Alguns entretenimentos passaram a exagerar no preço cobrado, principalmente se compararmos tudo com o nosso salário base. E os valores de cursos então?! Esses estão cada vez mais irreais. Tudo isso é uma verdade, ponto! Mas daí dizer que não existem outras oportunidades com preços baixos, ou até mesmo gratuitas, acaba por ser um erro. Em diferentes grupos do Facebook (Ferramenta qual grande parte da população utiliza o dia inteiro), todos os dias, é possível encontrar algumas dicas bem interessantes que fariam você economizar o seu suado dinheiro. Isso sem falar dos variados sites de cultura (A Woo! Magazine é um deles) que divulgam constantemente espaços com cursos, filmes,promoções, peças liberadas ou com um módico preço. Claro que isso significa, muitas vezes, horários diferenciados, inscrições e disputas por uma vaga, mas a vida é assim e não é de hoje. Então, bola para frente, participe e aproveite. Eu tenho amigos que estão fazendo cursos técnicos bem completos de cinema sem pagar nada, oficinas de teatro, música ou pintura nas quais se inscreveram em determinada épocas do ano, estudaram, e agora estão colocando tudo em prática. Alguns estão trocando serviços e criando algo que já existe há anos fora do país, a parceria! Sendo assim, tá na cara que oportunidades existem, a pessoa só precisa buscar. Afinal de contas, nada cai do céu. E para ficar mais claro ainda, eu mesmo encontrei informações sobre um curso e me inscrevi, junto a nossa colaboradora Aimée Borges, e desfrutamos de uma dessas vantagens à custo zero. Nesse caso, a oficina do diretor teatral Hugo Rodas. Para isso, tivemos que nos dedicar durante alguns dias da semana, algumas horas por dia, embarcando com tudo nas ótimas aulas desse mestre. E detalhe: com direito a petiscos no inicio de cada aula e certificado no final do workshop. Tudo muito intimista, mas extremamente organizado pela produção do Festival do Teatro Brasileiro.hugo-rodas-fotografado-por-alexandre-fortes-na-exposicao-a-cara-de-brasilia-1402947790228_956x500

A Oficina Corpo Instrumento, para atores e graduandos em artes cênicas, nos fez aprofundar em nossa própria mente, em uma conexão natural com o nosso corpo, trabalhando mecanismos que achávamos impossíveis de serem utilizados. O básico, o simples, aos olhos de muitos, inclusive aos nossos, tornou-se a grande muralha diante a exatidão da prática. Em poucos minutos estávamos cansados, pensávamos que horas já haviam passado, mas não, estávamos apenas começando o primeiro dia e muito trabalho ainda estava por vir. Entramos de cabeça, erramos, aprendemos um pouco e, então, levantamos novamente para errarmos outra vez. Até que cada um pode ouvir um “muito bom”, simples, mas sincero, acompanhado de uma gargalhada contagiante ou um olhar que brilhava e dizia silenciosamente: continue assim! Depois de algum tempo, ou dias, passamos a nos entender melhor, compreendemos as confissões de nosso corpo, mas o “parafuso” (qualquer associação com o curso é mera coincidência) continuava girando em nossa mente, combinando todas as possibilidades daqueles aprendizados. Queríamos mais, todavia ele precisava ir embora. Quando acordamos daquela imersão, depois de nos pegar repetindo os exercícios no dia a dia, no meio da rua, enquanto algumas pessoas nos associavam a algum louco que foragido, entendemos o motivo que levou o trabalho de Hugo Rodas a ser reconhecido em todo Brasil e, com isso, mudar a vida de tantos atores. O que ficou ainda mais claro quando assistimos a sua nova peça “Ensaio Geral”. Mas sobre essa eu falo em outra postagem.

Tanto eu quanto todos os atores que navegaram comigo nessa experiência, mesmo muitos sendo repreendidos constantemente pelos erros, tenho certeza, saíram de lá na última semana renovados. Alguns exemplos pode ser visto no vídeo abaixo.

Por isso, agradecemos ao Festival do Teatro Brasileiro e pedimos para que continue com esse maravilhoso projeto. E quanto ao público, a esse eu imploro que apoie as produções culturais, ajude divulgar todos os possíveis projetos, seja ele independente ou não, e quando fizer parte de algo assim, se entregue, aproveite, viva a experiência, ao invés de pegar uma vaga, faltar e impedir que outro possa fazer desse momento a oportunidade que precisava em sua vida.