Infelizmente as estatísticas dos acidentes de trânsito são piores a cada ano. A OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) divulgou um relatório que afirma que 22% das mortes em acidentes de trânsito estão relacionadas aos pedestres. Diversas medidas são tomadas anualmente para diminuir a imprudência de motoristas e pedestres, mas apesar dos esforços, os números continuam subindo.

Pensando nisso, algumas iniciativas foram tomadas em países como Índia, Canadá, Geórgia, China, Inglaterra e até na Islândia. Pinturas tridimensionais feitas nas ruas ajudam a tornar a sinalização mais visível para os motoristas, prevenindo, assim, o risco de atropelamentos.

Faixa de pedestres em 3D na Islândia

Apesar de ainda não haver estudos comprovando a eficácia das faixas de pedestres pintadas em 3D ou de outras sinalizações similares, o governo de Chengdu, na China, afirmou que os veículos passaram a parar com mais frequência na faixa, respeitando as leis de trânsito.

Pai e filho atravessam em uma das faixas pintadas na China

Em Londres, a iniciativa teve início em 2014 e desde então mais de 50 locais não-revelados já foram pintados. A velocidade média dos veículos caiu dentro do esperado pela Prefeitura dentro de 9 meses após a instalação. O governo londrino é um dos mais empenhados a propagar a criação de mais faixas de pedestres, quebra-molas e outros diminuidores de velocidade através da ilusão de ótica.

Quebra-molas em 3D: ilusão de ótica nas ruas de Londres

Na Índia, considerado um dos locais mais perigosos do mundo para dirigir, o Ministro de Transporte anunciou uma medida similar para tentar combater as mais de 100 mil vidas interrompidas anualmente por acidentes de trânsito. No país, a faixa de pedestre ilusória tem se provado eficaz na redução dos acidentes.

A Índia, um dos lugares mais perigosos do mundo para se dirigir, também aderiu à iniciativa

No Canadá, a iniciativa começou mais cedo. Em 2010, a instituição Preventable.ca financiou a pintura ilusionista de uma menina correndo atrás de um balão. A imagem foi instalada inicialmente próximo a uma escola, onde o número de atropelamentos de crianças é bastante alto. Conforme o motorista vai se aproximando, a imagem alongada vai se tornando real, forçando-o a diminuir sua velocidade.

O Canadá se espelhou na Philadelphia, a primeira cidade norte-americana a implementar ações desse tipo, em 2008, através de um programa chamado Drive CarePhilly. Um estudo divulgado na cidade nessa época mostrou que um pedestre tem menos de 20% de chance de morrer, caso seja atropelado por um veículo a menos de 50 km/h. As chances passam a ser de 60% de morte, caso o veículo esteja a 80 km/h. Se o pedestre em questão for uma criança, as chances são ainda maiores de resultar em uma fatalidade.

Com tantas iniciativas de sucesso em relação à redução de acidentes de trânsito, a Nova Zelândia pegou carona nas ações, e tranformou-as em verdadeiras obras de arte. O gabinete de Dunedin City contratou a empresa Zest, especializada em inovações para engajar diferentes públicos e promover experiências, para criar faixas de pedestres em 3D de forma permanente na cidade.

A primeira faixa de pedestre, pintada pela artista Jenny McCracken

A primeira faixa está localizada na Clyde St., nas proximidades da University’s School of Business Building, ponto-chave de acesso para os alunos da universidade. A segunda faixa, ao norte do Rio Leith, é retratada como uma série de passos em pedras.

As artes 3D foram criadas pela artista premiada internacionalmente Jenny McCracken, natural de Melbourne, e foram produzidas em uma semana. O time também incluiu o artista local Guy Howard-Smith e funcionários da Prefeitura de Dunedin.

As pinturas seguiram com precisão as especificações governamentais de segurança em estradas, usando resinas antiderrapantes e tintas de superfície de estradas.

O presidente do Comitê de Planejamento e Ambiente, Cr David Benson-Pope, afirmou que  o projeto é uma excelente forma de abordar as preocupações com a segurança no trânsito, em especial naquela área, e também deixar um pouco de estilo e diversão na cidade de Dunedin. Outras pinturas 3D de faixas de pedestres estão sendo planejadas para o futuro.

A Nova Zelândia investiu em arte para a prevenção de acidentes, dando mais cor e segurança à cidade de Dunedin

De uma forma simples e com um objetivo maior guiando as iniciativas, a arte prova, mais uma vez, que mesmo as menores intervenções podem gerar um impacto gigantesco e, muitas vezes, contribuir para salvar vidas, de uma forma ou de outra.