Tarde de verão. O Sol estava sozinho no céu como sempre. Sentia a falta de alguém. Céu azul, a única coisa que se avistava era o Sol. Solitário, o Sol resolveu procurar alguém com quem passar o tempo, alguém para distraí-lo.

Esperou o tempo passar, ficou até mais tarde. A princípio as pessoas na Terra pouco estranharam que a Lua e o Sol estavam no céu ao mesmo tempo, mas para o Sol fora uma grande descoberta. Havia outro alguém no céu. Não só um, pois este outro alguém era rodeado por pequenos “Sóis”.

A Lua acostumada a ver as estrelas se impressionou com o tamanho do Sol, mas não apenas com seu tamanho, viu em seu rosto a solidão, a tristeza de não ter ninguém por perto.

O Sol se aproximou e disse “Estaria tudo bem se nós pudéssemos conversar um pouco?” e a Lua prontamente respondeu “Sim, claro que sim, mas apenas se você puser um sorriso nesse rosto”. E o Sol sorriu. Sorriu como nunca sorrira antes. Neste momento a Terra foi iluminada como nunca antes. O céu ficou completamente dourado. E enquanto isso na Terra acontecia um alvoroço, pois o Sol continuava a brilhar durante a noite, e brilhava como nunca, escondia as estrelas, tudo que se podia ver eram o Sol e a Lua muito próximos.

Então o Sol se apaixonou pela Lua. Então a Lua se apaixonou pelo Sol. E os dois dançavam louca e apaixonadamente. Na Terra apenas podia-se observar uma constante mudança entre a mais completa escuridão e o maior clarão, a loucura estava instalada e o que mais se ouvia era que “o fim está próximo”.

Porém o Sol era quente demais e sua proximidade da Lua começava a machucá-la. Ele percebeu isso e, para protegê-la, resolveu se afastar. E na Terra tudo voltou ao normal.

O Sol e a Lua voltaram a ficar como sempre estiveram, porém sentiam um vazio, sentiam a falta um do outro. De tempos em tempos a saudade era tamanha que eles resolviam se encontrar por um breve momento, breve o suficiente para que a Lua não se machucasse e demorado o suficiente para que eles se amassem. Na Terra este passou a ser descrito como um fenômeno da natureza, foi chamado de Eclipse Solar. Neste momento, todos os habitantes que podiam, admiravam a prova de amor entre o Sol e a Lua.


Por Bruno Dias

Texto autoral publicado pelo nosso colaborador Bruno Dias da coluna Dr. Geek.
“Uma prova de amor” foi publicado a primeira vez no blog Mendigo Poliglota.