Há quem diga que a sequência do filme “Monstros S.A” (2001), lançado 12 anos depois, não chegue aos pés do primeiro. Pode ser que, em certas partes, o fenômeno original tenha, de fato, marcado mais os corações dos fãs de animação, mas considerar que a segunda obra não possua um certo valor sentimental e até educativo está cometendo um grande erro.

A história de “Universidade Monstros”, dirigido por Dan Scanlon – conhecido pela sua direção em “Carros” (2006) –, seria uma volta no tempo, em que o foco seria em Mike Wazowski, mostrando da onde surgiu essa vontade de querer trabalhar na principal empresa de energia de seu mundo e, principalmente, como conheceu seu fiel e melhor amigo Sulley.

Para os que já assistiram ao filme, sabem que o início do relacionamento dos dois foi um tanto conturbado, por serem completamente diferentes. Mike, o nerd certinho. James P. Sullivan seria o popular, que está na faculdade como sendo um ambiente social. Contudo, com medo de serem expulsos oficialmente do programa dos seus sonhos, eles precisaram se juntar e trabalhar em equipe. Antes que nos esqueçamos, o arquirrival de ambos também entrou na vida deles nesse mesmo período, chamado Randall – na época, era apenas um calouro desesperado por fazer amizades e ser querido por uma maioria.

Sendo assim, além de aprender e entender um pouco mais sobre o que foi que causou o atual status de amizade entre Mike, Sulley e Randall, pode-se descobrir – quem ainda passará por essa fase – o que os aguarda na faculdade, assim como os que ainda estão ou já se formaram podem se identificar. Afinal, iremos descobrir que as dicas foram dadas pela Pixar bem antes de adentrarmos no ambiente acadêmico.

  • O mundo colorido do 1º dia

No seu primeiro na faculdade, você fica encantado – assim como o Mike – com coisas banais, como vendo pessoas se divertindo, rindo e parecendo importantes por, simplesmente, grampear um panfleto no mural. Além de, claro, querer ser super organizado e aproveitar todas as oportunidades de conhecer cada cantinho da sua universidade. Todos parecem muito animados e solícitos. Você fica feliz até se a sua foto da carteirinha não ficar tão boa, só por ser uma comprovação física de que você, agora, é um universitário.

  • Necessidade de agradar

Quando somos calouros, sempre fazemos de tudo para agradar ao próximo no primeiro instante, assim como Randall oferece a posição de escolha para Mike quanto a cama do beliche que gostaria. O personagem é o maior exemplo desse comportamento, visto que sua necessidade de ser aceito era tão grande que, ao longo do filme, deixou de lado seu companheiro de quarto por querer andar com os descolados.

  • Refeitório meia estrela

Em cada canto do país pode ter um nome diferente, seja refeitório, cantina ou bandejão, convenhamos que a refeição não é muito apetitosa. Mesmo com o valor bem mais baixo do que seria gasto fora do ambiente acadêmico, viver de macarrão com molho sem carne não é vida para ninguém – assim como, no longa, é mostrado, durante o passeio de reconhecimento de Mike, a comida que estava no lixo sendo tacada de volta na bandeja.

  • Os dois tipos de calouro

Utilizando os personagens da animação, existem dois tipos de calouro: Mike ou Randall. Se for o primeiro, você é aquele que, desde o início, presa uma boa nota e prefere faltar as festas para alcançar esse prestígio acadêmico. Em contrapartida, há o Randall que, como já mencionado antes, quer aproveitar todas as oportunidades que a faculdade lhe dá, indo as festas para ter histórias para contar e conhecer os populares.

  • O desespero de “amigos para sempre”

Quando você conhece alguém do seu curso, é praticamente inevitável que venha, do seu interior, uma vontade absurda de colar nessa pessoa e fazer colares, pulseiras e blusas com dizeres “amigos para sempre”. Esse desespero pode sempre ser explicado pelo medo de não arranjar companhia e de não ser aceito pelos demais. Assim que Mike e Randall se conhecem, dizem ser “parceiros para sempre”, não sendo concretizada essa ideia temporal como já conhecemos.

  • Os metidos que perseguem

Sabe quando você acha que na faculdade só terão pessoas maduras e que não vão querer ser engraçadinhas em sala? Mentira! Eles também vão a faculdade e podem ser da sua turma. No caso de Mike, esse alguém seria o Sullivan que, não leva lápis, se acha o melhor aluno e não leva nada a sério.

  • Professor carrasco

Conhecido por alguns como professor “arrasa corações”, esse exemplo clássico está sendo representado pelo Knight. Nós sempre temos aquela ilusão de que somos o melhor naquilo que fazemos, mas, ao chegar na faculdade, geralmente tem aquele carrasco que irá arrasar com sua autoestima e dizer que você só é mais um entre vários que possuem aquela habilidade.

  • Se fosse há alguns anos…

Na escola, temos o costume de andar com pessoas parecidas, seja em forma de pensar, brincar e até classe social. Porém, na faculdade, iremos adentrar em um mundo completamente diferente, fazendo com que tenha uma variedade de pessoas muito maior e que, possivelmente, você não faria amizade se fosse do mesmo colégio. Assim como as mentalidades mudam, nossos gostos de amizade também e poderemos nos enriquecer com distintas histórias de vida e ideologias. No filme da Pixar, Mike e Sulley não fariam amizades um com o outro, caso não tivessem vivido as mesmas situações, assim como não andariam nem na mesma calçada que os membros da Oozma Kappa.

  • Rivalidade entre federal e particular

Muito presente no Brasil, a rivalidade entre federal e particular também aparece no filme. Logo em uma das primeiras cenas, dois assustadores profissionais relembram sobre suas faculdades e cada um acha a sua melhor em formar alunos para essa profissão. Assim como na narrativa ficcional, as trocas de farpas são recorrentes, principalmente em jogos universitários, com cantos provocativos e etc.

  • Metamorfose ambulante

Assim como decidimos durante o Ensino Médio – ou até mesmo antes, dependendo do caso – a carreira que queremos seguir, podemos mudar de opinião depois de um tempo no ambiente acadêmico. No caso de Comunicação Social ou Engenharia, são tantas as opções que, conforme vamos estudando e nos aprofundando no assunto, é possível perceber que a nossa vocação seja para uma outra habilitação, assim como ocorreu com o protagonista Mike Wazowski.

E aí? Se identificou?