Atualmente existem muitos brasileiros que moram no exterior. Segundo censo do “Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística” (IBGE), cerca de 500 mil pessoas nascidas no Brasil vivem fora do país. Para os que viajam para outros países à passeio, é sempre comum esbarrar com algum conterrâneo. Algumas pessoas ficam para sempre no exterior, outras estão apenas em busca de novas experiências. É o caso de alguns jovens que aproveitaram o período de novos caminhos para estarem em contato com outras culturas e se familiarizarem com um idioma.

A estudante de Geofísica, Alane Neves, de 24 anos, morou nos Estados Unidos. A princípio ela queria passar um tempo em Portugal por não ter domínio de outros idiomas, mas “Por ironia do destino (ou não) essa chamada para Portugal foi ‘cancelada’, os administradores do programa entraram em contato e mandaram a gente escolher um país entre as opções: Reino Unido, Canadá, EUA, Itália, Alemanha, Irlanda e Austrália”. Alane escolheu o Reino Unido, mas o país não emitia visto de estudante se o mesmo não soubesse o idioma. Sendo assim, ela decidiu ir para os Estados Unidos e adorou a experiência. Além de aprender a conviver com as diferenças, ela passou a valorizar mais o seu país. “É engraçado, os americanos têm orgulho de serem americanos, e foi isso o maior aprendizado, me orgulhar de ser brasileira”.

Já a estudante de Direito, Flávia Góes, 23, conseguiu ter uma experiência em Portugal. Ela foi para Coimbra por acaso e na época já estava procurando um destino para fazer um intercâmbio, acabou escolhendo esse país mesmo. Segundo ela, adquirir autoconhecimento foi o mais importante, mais até que conhecimento profissional, “é uma experiência de vida”. Além disso, Flávia se apaixonou pelo país e tem uma enorme vontade de voltar. É um conjunto de tranquilidade e qualidade de vida, que engloba clima, pessoas e vibe. Apesar de os portugueses serem um pouco ranzinzas, ela conseguiu se acostumar. “Está sempre cheio de brasileiro, então a adaptação fica mais fácil. E o clima é o melhor da Europa. Verões quentes, invernos não tão frios. Praias sensacionais”.

O publicitário Eduardo Oliveira, 25, sempre teve o sonho de fazer um intercâmbio. Sempre pensava em Estados Unidos e Canadá. Mas quando começou a pesquisar em agências, descobriu que a Irlanda poderia ser um bom destino. Morando no país há cerca de um mês, sua escolha foi por causa da possibilidade de ter um visto que permitia trabalhar e estudar, além de ter se apaixonado pelo país e pela cultura. Para ele é muito bom interagir com pessoas de todos os lugares. Acho sensacional estar em uma casa onde sento à mesa de jantar junto com pessoas de várias partes do mundo. “Moro em uma casa que tem estrutura de república estudantil, são 24 pessoas ao todo, entre elas tem brasileiros, espanhóis, indianos, poloneses, italianos, um mexicano e uma estudante da Argentina”. Além dessa experiência, a cidade de Dublin agrada muito pelo fato de ser pequena e tão agitada ao mesmo tempo.

A jornalista Gabriela Piras, 26, queria ir para Londres porque já sabia falar inglês, mas como sua prima morava na Bélgica, ela preferiu ir para lá e economizar em moradia, e de qualquer forma estava há duas horas de Londres. Ela acabou conhecendo o marido e continua morando no país. Gabriela conta que o aprendizado é diário. “Antes de morar aqui eu achava que o choque cultural não iria ser tão brusco, mas foi. “Aos poucos eu estou me adaptando ao estilo de vida belga. Mas acredito que meu maior aprendizado aqui é em relação aos idiomas e a independência”. Para ela o melhor do país é a qualidade de vida. E também cerveja, batata frita e chocolate, que tem uma ótima fama conhecida mundialmente.

Segundo números das agências de viagens, Londres está entre os 10 destinos mais escolhidos pelos brasileiros. Não é à toa que metade das pessoas entrevistadas para esta matéria escolheram a capital inglesa para morarem por um tempo. O estudante de medicina veterinária, Lucas Barrozo, a jornalista Nathalia Gomes e o estudante de letras Felipe Fritz passaram um tempo na Inglaterra, mas cada um teve um motivo diferente para a escolha.

Lucas queria aperfeiçoar o seu inglês, mas também sempre foi encantado pelo lugar, pela enorme influência cultural, econômica e científica. “Quem nunca sonhou com o Big Ben e a London Eye, ver de perto a realeza ou estar na Tower Bridge, sobre o Rio Tâmisa? Com universidades entre as melhores do mundo e uma moeda forte”. Além disso, ele enfatizou que o país possui uma localização estratégica no continente europeu, pois facilita viajar para outros lugares interessantes e também é passagem para os viajantes de outros continentes pela Europa.

Já Nathalia estava em dúvida entre Nova York e Londres, mas o fator família foi essencial para sua escolha final. Ela preferiu ir para Inglaterra e visitar uma prima que não via há quatro anos, e seus pais também já haviam ido para o país e se encantado pelo lugar e o modo de vida dos ingleses. Durante 3 meses ela morou em Londres seu melhor aprendizado foi a relação com pessoas de culturas diferentes e principalmente aprender sobre a vida delas, e isso ajudou muito no em seu crescimento. Nathalia destaca que o que mais chamou sua atenção no país foi a segurança. “Podia andar tranquilamente em qualquer lugar sem aquele ‘medo’. Mulher à noite sozinha é normal. Não existe esse medo, essa ‘prisão’ que vivemos. Fiquei bem à vontade, inclusive peguei ônibus às 4h da manhã sozinha num lugar deserto. Você pode imaginar isso no Brasil? Fiquei esperando o outro ônibus durante 30 minutos e nada me aconteceu”.

Londres também é cenário de muitas histórias e duas delas são do bruxo e do detetive mais famosos do mundo: Harry Potter e Sherlock Holmes. Essa foi a motivação de Felipe Fritz. Fã de carteirinha desses personagens, ele não pensou duas vezes ao escolher o destino do seu intercâmbio. Ele foi estudar inglês e oportunidade o possibilitou de aprender sobre diversas culturas e inclusive fazer amizade com alemães e mexicanos que também estava passando pela mesma experiência. Apesar de poder viver sozinho e adquirir responsabilidade ter sido ótimo, nada se comparara aos passeios que fez. “A melhor coisa, com certeza, foram os passeios pelas ruas que me lembravam as histórias de Harry Potter que eu tanto amo, foi incrível passar pelos lugares e pensar ‘olha, foi aqui que gravaram tal cena de tal filme!’”.

Visitar um outro país, aprender a se virar sozinho e ter contato com outras culturas parece ser essencial para a vida. Nada melhor que sair da rotina e aprender fora das salas de aula ou de um escritório. Vontade não é o único motivo para as pessoas irem em busca de uma viagem para o exterior. Muitas vezes envolve um sonho, um crescimento profissional, família, novas amizades, passeios únicos. Se você também tem essa vontade, vá em busca e aproveite os relatos positivos desses jovens. Procure uma agência, pesquise sobre possíveis países em que queira viver e aprender.