8 de março. Dia Internacional da Mulher. Da que luta por seus direitos e lugares na sociedade. Que espera poder andar nas ruas tranquilamente. Que usa as roupas e as maquiagens que quiser. Que fala palavrão, sim. Que é humana. Que é mulher. Que é, simplesmente, o que ela quiser!

E para ilustrar esse dia escolhemos ninguém menos que “Viola Davis”. Negra, nascida em 1965 na fazenda de sua avó em Saint Matthews, Carolina do Sul, EUA. Com uma vida difícil, a atriz contou recentemente em seu instagram que possui apenas uma foto de sua infância, devido à falta de dinheiro para comprar uma câmera fotográfica. Além disso, relatou ainda que precisava dormir com o corpo coberto até o pescoço para escapar dar mordidas dos ratos que infestavam sua humilde casa.

Mas nada disso atrapalhou os sonhos de Viola, sua vida começou a melhorar quando ganhou uma vaga em uma das melhores escolas de seu país. Tornou-se atriz, graduada pela “Juilliard School”, e começou atuando em pequenas peças antes de ganhar os palcos da Broadway. Após algumas participações em filmes, a atriz teve seu maior sucesso no filme “Dúvida” (2008), pelo qual foi indicada ao “Globo de Ouro” e ao “Oscar de melhor atriz coadjuvante”.

Viola é a primeira negra a completar a “Tríplice Coroa de Atuação”, termo usado para descrever atores que foram premiados nos três diferentes veículos: cinema, teatro e TV, respectivamente com o Oscar (2017), Tony (2001) e Emmy (2015). Ao todo, Viola Davis carrega 9 de indicações dos mais importantes prêmios da carreira de uma atriz, entre Tonys, Globos de Ouro, Oscars e Emmy. Esses dois últimos tendo destaque, o primeiro pelo filme “Um limite entre nós” e o segundo por seu papel na famosa série “How to get away with muder”.

Marcada por seus fortes discursos, tornou-se uma referência na luta pela ascensão das mulheres negras no cinema. Sempre fez papeis de mulheres fortes e batalhadoras. Dois grandes exemplos disso são: “Aibeleen Clack” e “Annalise Keating”.

No filme “The help”, sua personagem Aibeleen Clack, mostra um lado da mulher negra, o que cuida de crianças para que os brancos, como é dito no filme, possam viver e trabalhar. Na trama, Aibeleen, após perder seu filho e cuidar dos de seus patrões, ajuda uma jornalista a escrever um livro contando histórias das empregadas domésticas do Mississipi.

Já a personagem Annalise é uma advogada consagrada que consegue solucionar os mais improváveis casos. Por trás da mulher forte e confiante que mostra ser no tribunal, há uma outra versão dela mesma que aparece em uma das cenas mais lindas e marcantes de toda série, “How to get away with murder”, em que a personagem se “desmonta” após um dia de trabalho, retirando toda maquiagem, peruca e roupas de grife. Neste momento, se mostra uma mulher como qualquer outra, com pontos fracos, sensível e verdadeira.

Os papeis de Viola Davis veem para mostrar que, não apenas na ficção, há espaço para todas na sociedade, independentemente de cor, raça ou sexo, como a própria atriz ressaltou em seu discurso ao ganhar o Emmy:

“o que falta para os negros são oportunidades.”

E para as mulheres também. Acrescento aqui o respeito que está em baixa na rotina da sociedade, não só para ambos, citados anteriormente, mas em todos os sentidos.

Viola conquistou seu espaço no mundo e realizou seus sonhos. Hoje, luta para que isso ocorra com outras pessoas que sofrem preconceito dos mais diferentes tipos. Fica aqui uma inspiração dessa uma mulher que busca por dignidade e respeito, não só para ela, mas para todos nós.

“Aos 51 anos, descobri que é um privilégio poder ser quem é e que não preciso mudar meu tamanho, minha cor ou minha idade. ” – Viola Davis.

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Por Carolina Gomes

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