O fotógrafo russo Alexander Yakovlev conseguiu unir a Fotografia e a Dança, de forma rica e singular, num ensaio fotográfico brilhante, repleto de delicadeza e de percepção.

Os registros de movimentos magníficos, próprios dos deuses bailarinos, captam a estética da poesia corporal no instante dançante.  Um trabalho onde a segunda e a oitava arte flertam sem pestanejar. Enquanto a Dança é um poema registrado em cada movimento, a Fotografia é a experiência poética do olhar e da sensibilidade registrada numa imagem.

Segundo Theodor Adorno, no livro Teoria Estética, cada obra de arte é um instante; cada obra conseguida é um equilíbrio, uma pausa momentânea do processo, e se manifesta ao olhar atento. E assim, podemos definir olhar de Yakovlev, que colocou na “mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração”*.

Há um poema do maravilhoso Carlos Drummond de Andrade cujos versos tentam externar o que é a dança. O poema é intitulado A dança e a alma, e cabe perfeitamente para legendar o ensaio.3

 

A dança? Não é movimento,

súbito gesto musical.

É concentração, num momento,

da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos,

nele amaríamos ficar.

A dança – não vento nos ramos:

seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão,

novo domínio conquistado,

onde busque nossa paixão

libertar-se por todo lado…

Onde a alma possa descrever

suas mais divinas parábolas

sem fugir à forma do ser,

por sobre o mistério das fábulas.

Enxergar com o coração e clicar é divino, olhar para uma fotografia e sentir a imagem, o fotógrafo e o instante, é ser humano. Sejamos humanos. Voilà as imagens!

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*Frase dita por Bresson para definir o ato de fotografar

 Por Renata Ferreira

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