No Rio de Janeiro, não é só na praia que tem biquíni! Está aberta, no Centro Cultural do Banco do Brasil, a exposição “Yes! Nós temos Biquíni”. Com curadoria da jornalista, escritora e consultora de moda Lilian Pacce, a exposição veio com o intuito de mostrar os aspectos sociais, históricos e culturais do traje. A criação do biquíni revolucionou o mundo da moda, trazendo a liberdade feminina e a sua relação com o próprio corpo. Além da força da menor peça de roupa feminina, a mostra, que vai até o dia 10 de julho, fala de como o Brasil se apropriou do modelo. E, constantemente, se torna um objeto de desejo por todo o mundo.

A vestimenta foi inventada pelo estilista francês Louis Réard que tirou esse nome do atol de Bikini. O atol do Pacífico era utilizado para testes de bombas nucleares, e serviu de referência para o dia do lançamento. O dia escolhido por Réard foi 5 de julho de 1946, em uma piscina de Paris. O objetivo era mostrar que a mulher de biquíni, na época, provocava uma “bomba atômica”. Nenhuma modelo aceitou o desafio do estilista em desfilar com a criação inspirada no atol das Ilhas Marshall. A única que se dispôs foi Micheline Bernardi. Ela era dançarina do Casino de Paris e tinha apenas 18 anos.

No Brasil, a primeira mulher a usar biquíni na praia foi Miriam Etz. Ela vestiu o traje de banho para ir à praia do Arpoador no Rio de Janeiro e causou um alvoroço. Em 1948, a alemã era modelo e estilista e ela mesma confeccionou a roupa de praia. As mulheres não estavam preparadas para usar peças tão reduzidas. O biquíni causou impacto profundo, adquiriu inimigos na igreja, na imprensa e nas famílias tradicionais, sendo proibido em muitos países. A partir da década de 50, ganhou força no cinema com atrizes que eram contra os preconceitos da época. Uma das grandes divulgadoras foi Brigitte Bardot, tanto em filmes como em ensaios fotográficos.

A exposição pretende mostrar a diferença que o traje de banho trouxe após as sociedades se acostumarem com a ideia. E, também, como a mudança de comportamento influenciou nessa aceitação. Desde quando a praia era um espaço para caminhar, com uma função mais terapêutica, até ser um espaço democrático. Hoje se resume a um local onde convivem ao mesmo tempo diversos estereótipos que compartilham a visão de seus corpos.Partindo desse ponto de compartilhamento visual, a arte faz o biquíni ter outras perspectivas. A natureza, o comportamento ao ar livre e a apropriação do espaço social indicam que ele se apresenta de muitas formas. A maneira como ocupamos esse território de liberdade que é a praia, com água salgada e sol quente, traz representações. Seja em fotografia, pintura, escultura, vídeo ou ilustração, surge uma interpretação, uma discussão, ou apenas uma contemplação em cima do ato de estar “despido”.

As etapas que o biquíni passou também são um reflexo de como foi a conquista feminina de cada época. Do vestido de lã com bloomer, passando pela conquista do maiô de perninha até chegar no fio-dental. Essa transformação não está paralela só com o âmbito social e político, mas também em relação às questões pessoais. Combatidas em seu tempo, como com a atriz Leila Diniz, criticada por expor sua barriga de grávida num biquíni, em 1971. Hoje isso é um ato natural, pelo menos no Brasil, mas para outras sociedades pode não ser comum. Essa situação se dá de acordo com o comportamento social de cada território geográfico e cultura.

Atualmente, na nossa sociedade, tabus estão mais destacados com relação a padrões de beleza. Muito pressionados e demarcados pela mídia para definição de um belo. Acarretando sérias crises de autoestima e uma busca infinita pelo corpo perfeito. Pretendendo colocar essas questões em roda, no dia 31 de maio, às 18h30, haverá no Centro Cultural uma palestra para falar das mudanças que acompanharam a evolução da moda praia e as conquistas femininas.

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Por Graziella Ferreira