Para quem procura uma alternativa às séries de zumbis clássicas, que cada vez apresentam momentos mais trágicos em suas narrativas, Z Nation” pode ser essa opção. Criada por Karl Schaefer e Craig Engler, a trama insere um ponto principal em sua história: existe uma cura, o problema é como levá-la até a Califórnia.

“Z Nation” se passa no 3°ano DZ, ou seja, Depois dos Zumbis. Murphy (Keith Allan) é um preso, que contra sua vontade, foi submetido à um experimento de cura. Aplica-se nele, a cura para acabar com os zumbis, e ele precisa chegar à Califórnia. Orientados pelo Cidadão Z (DJ Qualls), que está sozinho em uma base da NASA no Alasca, Murphy e aqueles que se comprometeram a levá-lo ao seu destino passam seus dias lidando com os “Zs”.

O mercado audiovisual de zumbis não parece estar saturado, ainda que conte com outros títulos conhecidos, como “The Walking Dead”, “IZombie” e até mesmo a trágica “Santa Clarita Diet”. Porém, “Z Nation” explora sua narrativa com sacadas cômicas, ainda que também apele em deixar o antagonismo somente na mão de quem é humano.

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!

O diferencial de “Z Nation” fica em seu personagem principal, que apesar de ser a salvação contra todo esse “mal”, cada vez mais parece um próprio Z. Sarcástico, manipulador e medroso, Murphy tem medo dos “mortos vivos”, até perceber que ser a cura lhe garante algo jamais visto anteriormente: a possibilidade de controlar os zumbis.

Conforme o tempo passa, Murphy cada vez mais se assemelha ao que tanto teme. Além da diferença em sua aparência, suas atitudes também mudam e incluem comportamentos vistos somente nos zumbis. Em ambas as maneiras, temos uma performance sensacional de Keith Allen.

Existe aí uma premissa arriscada, mas que consegue se manter ao longo da trama. Em nenhum momento os outros personagens são entregues em segundo plano ou perdem seus papéis para outros núcleos. Cada personagem tem sua existência, bem como sua sobrevivência e maneiras de lidar com o apocalipse e suas consequências.

Ainda que a forma de acabar com os zumbis seja ferindo-os na região do crânio, argumento visto com frequência em outros programas, a transição entre a morte e a “ressurreição” se dá quase que imediata. Ao executar alguém que se transformou em um Z, é necessário dar a “mercy”, ou seja, a misericórdia, uma vez que se tornar um zumbi é visto ali como uma infeliz penitência.

“Z Nation” é uma série original do canal SyFy, que é responsável por “The Magicians”, “Van Helsing”, ’12 Monkeys”, “The Expanse”, a clássica “Battlestar Gallactica” e outras tramas com o mesmo tema. Como sempre, a emissora dá seus toques cômicos nas narrativas para misturar gêneros e atrair mais público. Funciona, ainda que vagarosamente.

A trama também explora caminhos religiosos e de minorias, com fanáticos religiosos que acreditam que se tornar um zumbi é algo positivo, bem como um acampamento só para mulheres. Ao longo da trama, novas premissas são acrescentadas para dar continuidade e tentar não focar toda a história somente na possibilidade de uma cura.

A série não ousa, mas também não esquece da questão de representatividade. O grupo tem como líder a personagem Tenente Roberta Warren, interpretada pela atriz Kellita Smith. Warren é a personagem mais querida pelos fãs e desempenha um papel importante na história, a de sempre manter em foco a missão inicial: levar Murphy ao centro de pesquisas.

O elenco de “Z Nation” participou da San Diego Comic Con desse ano para falar sobre a quarta temporada da série, onde anunciaram a data de estreia para 8 de setembro. A série possui três temporadas disponíveis na Netflix e pode ser uma boa opção para os entusiastas do tema.