No sábado, dia 3 de dezembro, Zé Ramalho levantou o Metropolitan com alguns de seus maiores sucessos. Subindo ao palco com apenas 15 minutos de atraso, o artista demonstrou que, do alto dos seus 67 anos, sabe perfeitamente como unir experiência e empolgação em uma performance.

Comemorando 40 anos de carreira, o cantor paraibano abriu o show com O que é, o que é, de Gonzaguinha, em uma releitura mais lenta, emotiva e intimista da canção. Para mudar o clima, emendou em Galope Rasante, de seu álbum A terceira lâmina, de 1981. Ao finalizar a canção,  Zé se dirige ao público pela primeira vez, agradecendo a presença e evidenciando a turnê comemorativa de “uma carreira difícil e feliz”, recebendo aplausos de um Metropolitan lotado e apaixonado.

Diretamente de 1983, do álbum Orquídea Negra, foi a vez de Zé soltar a voz com Kryptonia e seus belos versos “um asteroide pequeno / Que todos chamam de Terra”, que o público cantava em peso. Mantendo a sensação de saudosismo, foi a vez de Beira-Mar, quarta música do álbum Zé Ramalho 2 (também chamado de A peleja do diabo com o dono do céu), de 1979.ze_2

Em um novo momento do show, foi a vez dos maiores sucessos comerciais da carreira de Zé Ramalho em fila, começando com Entre a serpente e a estrela, sucesso de 1992, e uma versão mais rápida de Taxi Lunar, um clássico absoluto regravado por diversos outros artistas da tarimba de Geraldo Azevedo e Elba Ramalho (esta, inclusive, prima de Zé). A terceira lâmina e Banquete dos Signos foram as próximas; neste momento, o palco se iluminava remetendo às belezas do nordeste brasileiro, em uma experiência sinestésica de musicalidade e cores.

Ao começar Eternas ondas foi a vez da Banda Z brilhar. Os músicos se revezaram em solos de teclado, sax e guitarra. Na sequência, a bela Avôhai, que nos versos “Um velho cruza a soleira / De botas longas, de barbas longas de ouro o brilho do seu colar / Avôhai / Avô e o pai” fica clara a relação de admiração de Zé pelo avô que o criou. Vila do sossego foi outra que levou o Metropolitan a fazer coro de “ôôô”. Quando Chão de Giz começou, o palco se iluminou de vermelho, traduzindo a paixão da música e fazendo o coral do público continuar. Na sequência, o público, que continuava cantando, se deliciou ao som de Garoto de Aluguel e Admirável Gado Novo, ambas de seu segundo álbum, de 1979.

Homenageando Raul Seixas, foi a vez de tocar Gita e Medo da Chuva. Já na introdução de Frevo mulher, que encerraria o show, o público – que já gritava e aplaudia, foi à loucura com o trechinho do instrumental de Beat It, que abriu a canção. Cantando do início ao fim do show, o Metropolitan pedia mais de Zé Ramalho ao som de um belo instrumental bem nordestino da banda Z. Para o bis, Sinônimos e uma versão incrível de A vida do viajante, de Luiz Gonzaga.

Sem dúvidas, foi uma apresentação para ninguém botar defeito: concisa, animada e completa, que contou com momentos intensos, alegres, românticos… Zé Ramalho justificou o motivo de estar entre os cem maiores artistas brasileiros de todos os tempos e o show mostrou ser realmente uma “celebração da vida”, como disse o próprio Zé. E deixou gostinho de quero mais.


Por Thais Isel