10 de dezembro de 2019

Por séculos a arte vem inspirando os homens em suas mais variadas empreitadas. Desde os primórdios, seja pelos utensílios ou pela moda, a arte sempre esteve inserida no dia a dia das civilizações. Na música não seria diferente. Muitas obras serviram de ponto de partida para canções e também para abrilhantar o Showbiz. Talvez, hoje, a maior fonte de renda de cantores e cantoras seja os shows, cujo objetivo é divulgar e promover a venda de um novo álbum.

No quesito arte-música as mulheres dominam esse mix em suas superproduções e, como não poderia ser diferente, entre as 10 turnês de mulheres mais lucrativas da história, Madonna figura com três, incluindo o primeiro lugar com a Sticky & Sweet Tour (US$ 407.713.266), o segundo com The MDNA Tour (US$ 305.158.362) e nono, com Confessions Tour (US$ 194.754.447).

Mas a sua mais icônica, The Blond Ambition Tour (1990), cujos figurinos de Jean-Paul Gaultier são referência absoluta, trouxe a arte de forma mais evidente. Madonna quebrou todas as regras por ter ido além, combinando música, moda, sexo, arte e dança. Reproduções gigantescas de “Andrômeda” (1927-1929) e outras obras de Tamara de Lempicka foram utilizadas de maneira a compor o enredo do show cujo teor sexual escandalizou o mundo. (Importante ressaltar que De Lempicka sempre esteve associada às mulheres lésbicas de sua época e era abertamente bissexual – um prato cheio para Madonna, não acham?)

Para a Sticky & Sweet Tour, Madonna utilizou a arte de seu amigo Keith Haring nos telões durante Into The Groove, onde abusa da Pop Art com suas cores vibrantes – ela, inclusive, pula corda durante a apresentação. O trabalho de Haring reflete a cultura nova-iorquina da década de 80, tema intrínseco na carreira de Madonna até hoje.

O Nascimento de Vênus”, de Botticelli (1485) deu o tom à turnê de Aphrodite Lês Folies, de Kylie Minogue. A própria encarnou a deusa do amor com direito a entrada triunfal dentro de uma concha dourada e fazendo a famosa pose. Lady Gaga também foi Vênus para o clipe de Applause, usando apenas conchas sobre os seios e uma minúscula calcinha.

Se considerarmos a arte do Egito (entre 2649 a.C. e 1070 a.C.), a lista de cantoras é interminável. Britney Spears e Katy Perry já fizeram a egípcia. Pirâmides e barcos invadiram o palco de Britney para a música Gimme More durante a The Femme Fatale Tour. Já Katy Perry dedicou um bloco inteiro como Cleópatra – incluindo o videoclipe para Dark Horse – na Prismatic World Tour. Até mesmo Madonna já usufruiu do ouro egípcio em sua apresentação no Super Bowl.

Para finalizar – e já que mencionei vários clipes, além dos shows – uma obra prima é Bedtime Story, de Madonna, claro. Dirigido por Mark Romaneck, o vídeo foi exibido em galerias de arte contemporânea e no Museu de Arte Moderna de Nova York por seu teor artístico que faz uma ode à arte surrealista. Em 1999, a cantora disse para a revista Aperture que “foi completamente inspirada por todas as pintoras surrealistas, como Leonora Carrington e Remedios Varo. Há uma cena que em que minhas mãos estão no ar e as estrelas estão girando em torno de mim. Eu voando pelo corredor com o meu cabelo se arrastando atrás de mim e os pássaros voando para fora do meu roupão aberto são uma homenagem às pintoras surrealistas do sexo feminino. Há um pouco de Frida Kahlo nele também.”

Confira na galeria as inspirações e as suas versões pelas cantoras do pop internacional.

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Por Ricardo Franzin

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