Há algumas semanas a apresentadora do canal GNT, Raiza Costa, criou um alvoroço nas redes sociais ao apoiar os restaurantes brasileiros que não aceitam crianças menores de 14 anos:  “Não acho que deveria ser regra, mas não vejo nada demais alguns estabelecimentos proporcionarem momentos românticos sem incluir show de break dance esperneando no chão regado à berros”, escreveu. O post virou polêmica e despertou a discussão sobre o assunto. De maneira geral, a justificativa era que em Paris há muito tempo isso existe.

Na última semana uma mãe revoltada com a proposta imobiliária que havia recebido, postou também sua indignação em um grupo do Facebook, formado apenas por mulheres mães e cujo tema envolve principalmente o empreendedorismo materno. O grupo é formado por mais de 10 mil mães que defendem o feminismo com unhas e dentes e que lutam para conseguir conciliar a vida profissional com seus filhos. Pobre corretor…

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O site especializado em viagens, TripAdvisor, lançou esse ano uma lista com os 10 Melhores Restaurantes Sofisticados do Brasil e (guess what!?) o primeiro da lista é o restaurante Voilà Bistrô, localizado no Centro Histórico de Paraty e não aceita crianças. Observando as fotos dos espaços internos, podemos perceber a influência francesa na decoração do ambiente. Alooow, o chef é francês! E o site do próprio restaurante informa:

“Nosso bistrot não está estruturado para receber crianças ou grupos acima de 4 pessoas. O salão é pequeno, as mesas são próximas e recebemos muitos casais em busca de momentos românticos. Alguns nos escolhem para fazer pedidos de casamento, comemorar as bodas, celebrar uma data especial… Enfim, agradecemos por sua compreensão.”

De acordo com a autora e jornalista americana Pamela Druckerman, que escreveu o livro Crianças Francesas Não Fazem Manha, as crianças francesas não são tratadas como sendo o centro das atenções, diferentemente da educação americana em que a vida de casal é vivida em família. E o Brasil, onde fica? Nós somos muito mais influenciados pela cultura americana do que europeia, isso é fato, mas na gastronomia eu tenho minhas dúvidas! E assim, com muitos franceses dominando programas gastronômicos na TV, estão surgindo restaurantes e até condomínios inteiros (como vimos acima), que seguem essa linha tão polêmica.

Se pensarmos bem, o fato de uma família em que os pais se dão o direito de terem momentos sem seus filhos, deveria mesmo impedir que outros pais tenham momentos com seus filhos, compartilhando o mesmo espaço? Vou destacar: COMPARTILHANDO O MESMO ESPAÇO? Além da questão cultural da educação francesa, precisamos pensar também o quanto o espaço é convidativo e adaptável às crianças.

O mundo está cada vez mais inclusivo e a partir do momento que alguém cria um espaço com uso exclusivo para uma parcela da população, ele está automaticamente excluindo a outra parte. Nesse caso, os restaurantes e condomínios (ou condomínio, existe algum outro assim?) brasileiros que aderem à essa moda, estão excluindo as mães também ou, na melhor das hipóteses, famílias inteiras. Um restaurante que possui mesas muito próximas – entende-se: espaços de circulação mais apertados – está preparado para receber um cadeirante? Ser adaptado é dar condições dignas de acesso e uso à todas pessoas DE MANEIRA IGUAL e o mundo de hoje não aceita muito bem espaços mal planejados.

Por Lara Thys


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