Quem anda por São Cristóvão (Centro histórico do Rio de Janeiro), não imagina que, ao lado das borracharias e dos locais internos e escuros do bairro, existe a MALHA. Com seu jeito, totalmente oposto ao de seus vizinhos, é iluminada, colorida e encontra-se sempre em atividade. Quem não conhece, não suspeita que dali saem múltiplas ideias, e sempre direcionadas a um mundo mais humano. O primeiro espaço de moda colaborativa do Brasil, é um local além das expectativas, pois não se destina somente à moda, mas a um lifestyle que você, saindo de lá, escolhe ou não seguir.

Entrada do galpão – Intervenção dos residentes nas paredes

Logo na entrada, nos deparamos com uma intervenção dos residentes. A Malha é, como definem, um espaço de coworking e de cosewing (que é dividir fábrica/local de trabalho), e nesse espaço existem os residentes, responsáveis por projetos que acontecem lá dentro. É como uma comunidade: mesmo que cada residente esteja direcionado a um ramo, todos eles formam um elo para que tudo aconteça. O seu espaço físico é um galpão – onde antes era uma gráfica – e cada espaço é separado por container.

“A moda imita a vida”

Na parte inferior do galpão ficam as lojas, que também são residentes. Algumas são de produção independente, às vezes, sustentáveis, mas não existe um pré-requisito como esse (de ser sustentável) para colocar uma estante no container. Vale lembrar que é um equívoco imaginar a Malha como um shopping sustentável, ou alternativo, e aparecer lá só para comprar. Por isso não existem regras no quesito horário para os residentes estarem lá. Cada um trabalha do jeito que acha mais confortável. É considerado como ofensa quando as pessoas não compreendem que o local não tem um viés comercial, se há lucro é apenas consequência. A Malha nasceu para impulsionar as pessoas a uma nova lógica de observar e agir no mundo. Seus co-fundadores, como preferem ser chamados, enxergaram na moda uma sustentação para fazer as pessoas se conscientizarem a respeito de como pode ser o futuro e de que maneira construí-lo para beneficiar o todo.

Raquel Vitti Lino e Giovanna Nader – Projeto Gaveta

Já ganharam espaço, no galpão, iniciativas como o Projeto Gaveta. Isento de qualquer remuneração, o projeto junta uma quantidade de roupas e um determinado número de pessoas; as peças de roupas passam por uma avaliação, as que estão em bom estado são trocadas por moedas. Depois, Raquel e Giovanna dividem os grupos em horários diferentes e dão um tempo para as pessoas trocarem as suas moedas por peças de outras pessoas. Esse projeto incentiva as pessoas a terem um certo desprendimento com objetos que não têm mais um valor significativo em seu cotidiano, mas que podem servir para outras pessoas. Dessa forma, a causa contribui para as toneladas de tecidos inutilizados, pois a todo tempo tem se produzido tecidos, enquanto os que já existem são descartados. As peças que não são aprovadas são doadas ou reaproveitadas.

A Blogueira, Carla Lemos, na inauguração da Malha

O estúdio do blog Modices também reside no galpão da Malha. Lá, a blogueira de moda e empoderamento, Carla Lemos, além de gravar vídeos, desenvolve eventos como palestras, discussões, e o famoso Textão Coletivo. O Textão Coletivo foi criado para “dar voz a quem merece e para que todos se sintam à vontade para compartilhar ideias”. No Textão é desconstruído padrões, estereótipos, opressões sociais e ideias antigas. É uma maneira de lutar e destruir os padrões que a sociedade impõe, deixando de fazer com que as pessoas se sintam obrigadas a se comportarem de um jeito pré-estabelecido publicamente.

Palestra na Feira da Malha – Com Projeto Gaveta,  André Carvalhal e Gabriela Mazepa da Re-Roupa

A Malha é preenchida por pessoas e ideias, e vive em constante transformação, de fora para dentro e de dentro para fora. Como disse o co-fundador, André Carvalhal: “o objetivo é projetar um lugar onde exista uma troca natural entre pessoas”. Em palestras, aulas, cursos e workshops, toda essa magia acontece e, em menos de um ano que a Malha foi fundada, já dá para notar um resultado. Nessa lógica do “it yourself”, novas ideias, propósitos e compartilhamentos fazem conexão, tudo em prol de um comércio mais justo e uma economia colaborativa visando, principalmente, a sustentabilidade.


Por Graziella Ferreira


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