Os fãs de arquitetura podem comemorar: o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, recebe a partir de novembro uma exposição dedicada ao arquiteto catalão Antoni Gaudí. Após receber outras exposições de artistas consagrados como Miró e Picasso, o Instituto terá mais esta que reunirá trabalhos oriundos do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera. Ao todo, são 71 obras, sendo 46 maquetes (quatro delas em escalas monumentais) e 25 peças entre objetos e mobiliário.

Segundo os curadores da exposição, Raimon Ramis e Pepe Serra Villalba, os processos construtivos dos projetos de Gaudí ressaltam detalhes de sua arquitetura por meio de modelos tridimensionais, além de objetos de design, como maçanetas de metal e peças em cerâmica e madeira. O conjunto das obras reunidas do consagrado arquiteto catalão testemunha a invenção de uma original geometria, calculada a partir da observação e estudo dos movimentos da natureza.

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Os curadores selecionaram ainda obras de artistas contemporâneos a Gaudí para a exposição, o que dá ainda mais ênfase à pujança de um período em que a capital da Catalunha surgia como projeto moderno de cidade. São 16 pinturas e 26 trabalhos de artistas que desenvolveram suas obras conforme os preceitos do modernismo catalão, e dentre eles destacam-se os pintores Ramón Casas e Santiago Rusiñol, além de ensembliers (artesãos de alto nível) como Gaspar Homar ou Joan Busquets.

Estes artistas decoraram e mobiliaram as casas da burguesia catalã da época, a mesma que colaborou para a inovação e processo de integração entre urbanismo, arquitetura, arte, design e indústria, atuando como mecenas dessa importante geração de artistas e artesãos. “Um momento em que foram construídos os fundamentos culturais da Catalunha atual, em que o processo industrial, o lado íntimo, o momento, o acaso, a mecanização etc. vão ganhando espaço, e a atividade artística vai se abrindo a novas propostas”, explicam os curadores. Neste panorama, sugere ainda a dupla, a obra de Gaudí condensa o debate técnico, estético, ideológico e social da virada do século.

A exposição já passou pelo Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis, e chega à cidade de São Paulo no dia 27 de novembro.


Por Thais Isel