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O humano plural e as amarrações de si

Começou ontem, 31 de março, na CAIXA Cultural do Rio de Janeiro, a mostra “Nós”, trazendo pinturas, esculturas, desenhos, objetos, performances, instalações, vídeos, bordados e diagramas de dez artistas contemporâneos de diversas gerações.

Foto: Wilton Montenegro / Arte sem título de Cristina Salgado - "Serie Cabeludos (2002)" - Guache sobre papel 100 x 70 cm.

Foto: Wilton Montenegro / Arte sem título de Cristina Salgado – “Serie Cabeludos (2002)” – Guache sobre papel 100 x 70 cm.

Fernanda Pequeno é a curadora e responsável pela concepção da mostra, que discute as relações afetivas através de vinte trabalhos. O título, “Nós”, refere-se à primeira pessoa do plural e ao mesmo tempo representa o nó, a amarração, o entrelaçamento, onde ambas as referências são usadas em diversas funções, numa teia entre as ligações humanas. Ligações essas que se estabelecem entre os seres vivos, objetos e até máquinas e são propostas como arte, a fim de problematizar o afeto em suas polaridades negativa e positiva.

Os Artistas e As Obras

Arthur Bispo do Rosário (1911-1989): No estandarte “Eu preciso destas palavras – Escrita”, o artista, que ficou conhecido por romper os limites entre a insanidade e a arte no Brasil, usou algodão bordado preso a dois cabos de vassoura fixados por tecidos fortemente costurados

Anna Maria Maiolino: Exibe os vídeos “Um momento, por favor (1999-2004)” e “Quaquaraquaqua (2009)”

Tunga: Apresenta o vídeo “Medula (2014)”, uma escultura em borracha de silicone e um desenho sobre papel do Himalaia, ambos sem título, feitos em 2014

Alexandre Sá: Realiza, com uma mesa, duas cadeiras e uma pilha de papéis, a performance “teu corpo meu corpo – (nós da paisagem)”, de 2015

Renato Bezerra de Mello: Ocupa o espaço com uma infinidade de confetes em forma de anjos, produzidos a partir de uma coleção de revistas com temática homoerótica (2005-2016)

Cristina Salgado: Mostra um desenho em guache sobre papel, da série “Cabeludos (2002)”, e duas esculturas em técnica mista sobre bases de ferro

Ana Miguel: Mostra a instalação “Hoje todos devem amar um sonho do Léry”

Leo Ayres: Traz uma instalação

Ricardo Basbaum: Apresenta escritos

Daniela Mattos: Participa com texto e bordados

A ideia da exposição é lidar com os antagonismos contidos nos relacionamentos. O título ‘Nós’ sintetiza a ideia de um laço, tão apertado que pode, inclusive, ser impossível desatar. O entrelaçamento das obras e a forma de composição do ambiente expositivo pretendem investigar os campos de forças que os afetos acionam.

Fernanda Pequeno (Concepção e Curadoria).

Serviço:

Exposição “Nós”
Entrada: Franca
Temporada: 31 de março a 08 de maio de 2016
Horário de Visitação: Terça a domingo, das 10h às 21h
Classificação Indicativa: Livre
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro (Galeria 4) – Av. Almirante Barroso, n° 25, Centro (Metrô Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal
Obs: Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores eou sem ensino médio completo.