Roteiro do filme é baseado na peça “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá”,
do dramaturgo pernambucano Fernando Melo

“Greta”, dirigido por Armando Praça, é baseado na peça “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá”, que estreou nos palcos brasileiros em 1973, e foi encenada inúmeras vezes ao longo dos anos. Armando, que assina também o roteiro, partiu do material dramatúrgico original para construir a narrativa do filme com temas universais do cotidiano atual, apresentando um submundo realista e sexual de personagens pouco representados na cinematografia brasileira. “Procurei na ambiência sociocultural de Fortaleza as contradições que se revelam nos desejos e anseios dos próprios protagonistas”, diz o diretor.

A estrutura do roteiro se compõe em duas linhas principais, que são decorrência direta da dramaturgia e se baseiam nas relações entre os personagens. As cenas de Pedro e Jean são a espinha dorsal deGreta”. É a partir desse relacionamento que toda a trama se constitui.

“A concepção do longa-metragem como um todo é fortemente influenciada pelas obras de alguns artistas contemporâneos, como o cineasta malaio Tsai Ming Liang, o filipino Brillante Mendonza e a argentina Lucrécia Martel, cuja maneira de desconstruir e flertar com os gêneros me inspira profundamente”, diz o diretor e roteirista.

Greta - Filme

Foto: Divulgação (Crédito – Aline Belfort)

O personagem central do longa é Pedro (Marco Nanini), um enfermeiro gay de meia idade e fã ardoroso de Greta Garbo, que precisa liberar uma vaga no hospital onde trabalha para internar a travesti Daniela (Denise Weinberg), sua única amiga, que padece de uma insuficiência renal grave. Após finalmente conseguir um leito na ala masculina, Pedro depara-se com Jean (Démick Lopes), um rapaz recém-hospitalizado pela polícia, ocupando a vaga de Daniela e o ajuda a escapar do hospital, dando a chance de internação para sua amiga. 

A atriz transexual Gretta Sttar faz uma participação especial no filme como Meire, compondo um triângulo com Pedro e Jean.

“Greta”, portanto, é sobre afeto, relações e subjetividades, retratados geralmente em situações limites.